A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 1º de Maio): O trabalhador, a educação, a Disney e a revolta de Paulo Guedes

Paulo Guedes tem piti ao ser criticado na orla do Leblon: "Largo tudo e vou  embora. Aí vocês vão ver o que é bom" | Revista Fórum
  • O ministro Paulo Guedes, da Economia, que já havia disparado sua virulenta, preconceituosa e excludente artilharia verbal contra empregadas domésticas – que, segundo ele, haviam invadido em anos passados os parques de diversão da Disney, nos Estados Unidos – voltou à carga contra pobres que o incomodam. Segundo ele, o Fies já bancou estudos para filhos de porteiros que tiraram zero em provas de seleção. A narrativa de Paulo Guedes, que não apresenta nenhum caso concreto, faz parte do repertório que encanta parte de uma classe média que supõe ser rica. Mas não é só isso. Ao dizer tolices, incompatíveis com quem ocupa o mais alto posto da economia nacional, o “Chicago Boy” atrai para si as atenções da opinião pública e assim as desvia do presidente Jair Bolsonaro – personagem central da CPI do Genocídio, instaurada no Senado. Hoje é o Dia do Trabalhador, quando o Brasil deve chegar a 405 mil trabalhadores e trabalhadoras mortos pelo coronavírus. Pode-se esperar que Paulo Guedes, tão descontente com o que antecessores fizeram em termos de inclusão social nos mercados, profira neste sábado mais algum pronunciamento?

Mal traçadas linhas
A atividade literária não é, definitivamente, para todos – ainda assim, muitos se propõem a escrever e a publicar obras. Escrever e publicar são, pois, direitos de expressão que todo cidadão deve ter. Relatar a História também não é para qualquer um. Há técnicas e métodos que precisam ser respeitados, com o sentido único de assegurar fidelidade ao que está sendo retratado – a posteridade exige fontes acreditadas para que se apurem fatos e se possam tê-los (ou não tê-los) como referência. É uma atividade tão delicada que um único deslize pode comprometer as vivências e as convivências de gerações e mais gerações. Trago essas observações, que são, admito, de uma obviedade tronitroante, à guisa de um livro que vem ganhando espaços nas redes sociais e está sendo compartilhado intensamente (eu mesmo já o recebi cópias em PDF de três fontes):

A História e o Brasil ridicularizados
O título e a foto da capa são de um deboche inquestionável, assim como soa debochante a autoria do ex-deputado Eduardo Cunha (ex-MDB). Articulador do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), Cunha ficou na História como um político matreiro, ganancioso, traiçoeiro e capaz de golpes rasteiros. Cumpre atualmente prisão domiciliar por isso. Não houve no Poder Legislativo nenhuma voz que se levantasse em defesa dele, que destacasse atributos éticos e qualidades morais do chamado “Caranguejo”. Também não houve no Judiciário apelos consideráveis em favor de Eduardo Cunha.

Caminho
Foi pelas trilhas abertas pelo então presidente da Câmara dos Deputados que seguiram os conspiradores da Lava Jato e os articuladores da candidatura de Jair Bolsonaro a presidente da República. O fio da História é tão longo que pode-se atribuir a essa cadeia de elementos parte expressiva das 406 mortes no Brasil por causa da covid-19. Agora, Eduardo Cunha põe livro nas redes sociais como uma tentativa de reescrever a História. Há quem diga que “a História é sempre contada pelo vitorioso”, como se a versão de quem ganha uma contenda prevalecesse sobre dados reais. Nesse caso, quem tenta contar a História é um perdedor que, por vingança, ajudou a derrotar um país inteiro.

Pulp fiction
A propósito, sem que haja aqui sugestão nenhuma, é adequado expor a avalanche de textos oportunistas lançada sobre o mercado editorial nos últimos anos. São autênticos “caça-níqueis” – não se pode apostar que são sub-literatura ou literatice, mas é certo destacar que a História é uma só e é inflexível. Não pode ser apagada nem deformada e está sendo devidamente restabelecida desde abril:

Virtualmente
A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou projeto de lei complementar que autoriza a seleção de professores por meios virtuais. A proposta é do Governo do Estado. O argumento é o de que a pandemia impõe desafios para a gestão pública que, para serem superados, exigem a adaptação de práticas e rotinas administrativas. Curiosidade que merece destaque: a seleção virtual foi aprovada pelos deputados em sessão virtual.

Não é hora de baixar a guarda
Na justificativa da proposta, o Poder Executivo destaca que ainda é necessária a adoção de medidas de isolamento e distanciamento social para conter a covid-19. E que se deve levar em conta o momento atual de pandemia. Segundo o Governo, as seleções ou concursos públicos na modalidade presencial podem comprometer a segurança dos candidatos, servidores e colaboradores envolvidos.

Novo quadro
O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), sancionou ontem lei que reestrutura o sistema remuneratório dos professores da rede estadual de ensino. A remodelação compreende nova tabela de vencimentos para os profissionais de magistério de nível superior na educação básica.

Cifras
Com o novo sistema, os níveis A e B de profissionais de nível superior na educação básica serão extintos já em 2022, passando o nível C a ser a etapa inicial. Com a nova tabela, o professor iniciará a carreira com remuneração em torno de R$ 4,3 mil e poderá chegar a R$ 12,7 mil com título de doutor. Os valores referem-se a professores de nível superior, com carga horária de 40 horas. O reajuste será implementado em duas etapas. A primeira será a partir de 1º de janeiro de 2022. A segunda, também no próximo ano, em 1º de maio.

No ar
E também ontem, no mesmo modelito de paz e amor com os professores, o prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT) participou de audiência pública remota da Câmara dos Deputados. Sarto representou a Frente Nacional dos Prefeitos e debateu o tema “Vacinação de profissionais de educação e estudantes da rede pública”. Ele defendeu a inclusão e a priorização de profissionais da educação no Plano Nacional de Imunização contra a covid-19. Note-se: a gestão de Jair Bolsonaro é inimiga a ferro e fogo dos educadores.

Coluna da Hora
Às terças-feiras, sempre a partir das 18 horas, estou realizando lives no Instagram. Lá, com a marca “Coluna da Hora”, faço entrevistas com uma hora de duração com convidados de vários segmentos. O internauta pode acessar os episódios e participar pelo perfil @robertoamaciel. A conversa mais recente é com o escritor e agitador cultural Ricardo Kelmer. Confira abaixo:

Ouça bem, preste atenção
Também estamos em pocasts nas plataformas de streaming, como Spotfy. Os áudios estão disponibilizados em episódios. Já estão em Coluna da Hora – Roberto Maciel a entrevista com Kelmer

e com a cantora e dubladora Taryn Szpilman:

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