A Coluna do Roberto Maciel (09.04.2020): Como entrar (ou não entrar) na História

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A política oferece aos muitos personagens que a fazem pelo menos duas formas de se inserir na História. Uma, a mais positiva, é por meio de ações exemplares – vencer uma guerra, por exemplo. A outra apresenta os piores caminhos: o do acovardamento, o dos interesses subalternos, subterrâneos e dissimulados, o da submissão a vontades que não são as do povo, o da mesquinhez. Vamos a alguns casos, portanto: Winston Churchill, primeiro ministro britânico, e Josef Stalin, líder soviético, saíram vitoriosos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e entraram para a história. Adolf Hitler, chanceler alemão, e Benito Mussolini, ditador italiano, derrotados, também entraram, mas nas mais desairosas condições. Entre uns e outros houve um sem-número de tipos, boa parte esmagada ou encoberta pela neutralidade. Desses ninguém lembra – não são nulidades, mas não tiveram expressão que valesse registros mais encorpados. Nas situações de conquista ou de subjugação, há nomes de sobra em momentos distintos e nações distintas, então. Isso posto, observo que enfrentar uma peleja como a que o mundo enfrenta agora contra o novo coronavírus e a infecção respiratória que dele pode decorrer, a covid-19, que tem inquestionáveis índices de letalidade, não é para poucos. É preciso ter coragem cívica, desapego das vaidades, descolamento da pequenez, saber liderar e propor, ser sinceramente patriótico e leal. E isso, convenhamos, não é para todos. Uns sabem construir, outros admitem desde cedo que o destino é já ir para o esquecimento.

No caminho
O vírus vai interferir nas corridas eleitorais? Vai, esse é um ponto pacífico entre analistas da política – e nem é necessário ser tão pertinaz para reconhecer isso. O que não se pode medir neste momento é a influência que podem ter as ações de combate e controle da pandemia.

“Little flu”
O presidente norte-americano, Donald Trump, está agora diante do pior cenário que se poderia construir para ele. Primeiro, negou a gravidade da pandemia (chegou a defini-la como “a little flu”, o que em português corresponde a “gripezinha” ou “resfriadinho”).

Receita de dinheiro
Depois, insistiu no uso de um medicamento, a cloroquina, e descobriu-se que ele pode ganhar rios de dinheiro, como empresário, se o produto for adotado em larga escala, já que Trump é acionista de uma gigante farmacêutica.

Rastro
Por fim, vem encarando uma escalada avassaladora de mortes nos EUA – o que, na cultura local, não é admissível sob hipótese nenhuma, mesmo a de alcançar prioritariamente pessoas idosas e com doenças pré-existentes.

Os de fora
Trump vai enfrentar as urnas este ano, buscando um segundo mandato. Pode até arrancar os votos necessários para se manter presidente, mas não há de ser fácil. Observe-se, por fim, que nos Estados Unidos as relações internacionais têm peso preponderante nas corridas eleitorais para a Casa Branca – e note-se que os aliados que Donald Trump tem nos meios externos, ou mantém, não são lá muito qualificados.

Os de dentro
Aqui também, com as eleições para prefeitos e vereadores, é legítimo considerar a pressão do coronavírus. E repare: não vai ter êxito quem questionar, hoje ou no futuro, iniciativas que preservem vidas.

Respeito
O governo brasileiro sofreu, no tapetão da Justiça, mais uma derrota. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o Planalto não pode, de uma canetada, suspender quarentenas nos estados. Isso significa que o STF reconhece a autonomia administrativa que os governadores têm, conforme a Constituição.

Alicerce
Para o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), um dos que estão se agigantando na luta contra o coronavírus, a deliberação dos STF foi uma notícia das mais promissoras. Foi, pode apostar, uma chancela para tocar com tranquilidade e estabilidade as estratégias que estabelece com colegas de outros estados. E que vêm dando certo.

Com todo o gás
A medida de comprar 200 mil botijões de gás para distribuir a famílias carentes cearenses, proposta por Camilo Santana, está entre boas ilustrações de articulação política. Logo no dia seguinte ao anúncio da proposta, a Assembleia Legislativa a aprovou. Camilo demonstrou, de uma só tacada, ter crédito e liderança no parlamento.

Fugiram
Na outra ponta, estão sumidos – acachapadamente e humildemente sumidos – os opositores políticos de Camilo. Gente que dois meses atrás fazia e acontecia nas redes sociais, inclusive atiçando policiais militares num motim insano, desapareceu do mapa. Pelo menos não atrapalha.

Vixe!
O ex-governador Lúcio Alcântara, do Ceará, saiu-se com essa na rede social Twitter: “Não sei como numa hora destas ainda haja gente vendo, e pior, comentando, essa baboseira do BBB”. Sem querer, o próprio Lúcio comentou.

O melhor
Já citado na Coluna de hoje, voltemos a Winston Churchill. Foi dele que o presidente da Assembleia do Ceará lembrou para destacar a importância da Casa, que completou 185 anos de fundação. José Sarto mencionou o inglês com a frase: “Democracia pode até ser o pior dos sistemas, mas não existe nenhum outro melhor do que ele”.

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