Repensando o Capital Social das empresas em tempos de pandemia

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O que é capital social? Saiba como definir o capital social de uma ...

Artigo de Thomas Lanz, conselheiro de administração certificado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), participando de conselhos tanto de empresas nacionais como estrangeiras. Formado em economia pela PUC – São Paulo e mestre em administração de empresas pelo INSEAD – França. É certificado pelo FFI (Family Firm Institute) de Boston – EUA.

A sociedade, como um todo, foi duramente atingida pela pandemia do Covid-19. Todos querem ter uma previsão sobre o desenrolar da pandemia e uma resposta a inúmeras perguntas como por exemplo quando voltaremos à normalidade, como fica meu emprego?

Muito pouco, no entanto, se tem noticiado e discutido sobre as tantas iniciativas sociais do terceiro setor que basicamente vivem e exercem suas ações com apoio da iniciativa privada.

Em momentos de crise como a que estamos vivendo, com prováveis mudanças drásticas no cenário econômico, as decisões tomadas por grande parte dos empresários têm como tônica, minimizar os gastos e despesas, gerar o quanto puderem de caixa, cortar custos e eliminar o que for supérfluo para o andamento dos negócios. Nesta linha de raciocínio, o apoio ao terceiro setor dado por tantas empresas é geralmente um dos primeiros a serem cortados. Assim, grande parte das organizações sociais do terceiro setor serão obrigadas a reduzir ou encerrar suas atividades. As consequências são enormes mas nem sempre tão perceptíveis a curto prazo.

Programas de educação, apoio social, proteção ambiental, puericultura , trabalho junto a jovens e adolescentes, programas de apoio à saúde e higiene para comunidades mais carentes entre outros ou são reduzidos drasticamente ou simplesmente, por falta de apoio, deixarão de existir. Para um país em desenvolvimento como o nosso é muito triste assistir e vislumbrar a falta de recursos, que fará com que o terceiro setor deixe de atuar com eficiência em momentos onde sua presença seria indispensável.

Estamos em época de reflexão e caberia aos empresários repensarem como contribuir diretamente ou indiretamente para os trabalhos voltados ao social e à sustentabilidade uma vez a situação se normalizando. As organizações sociais do terceiro setor não podem ficar simplesmente à mercê dos ganhos e desempenho das empresas, que, por sua vez, também dependem em muito de variáveis externas e que não sob controle e atuação direta dos gestores.

Ao invés das empresas, uma vez normalizada a situação da economia, fazer suas doações diretamente vinculadas a seus lucros e geração de caixa, adotariam uma nova política de contribuição para o terceiro setor. As empresas poderiam constituir uma parte dos recursos de caixa destinados às atividades sociais, em um “ Fundo Social”. Este fundo, iria ao longo dos anos aumentar seu capital e gerar dividendos. Estes por sua vez seriam canalizados ao terceiro setor e estariam menos suscetíveis aos resultados de curto prazo das empresas. Assim, o terceiro setor poderia continuar a receber apoio das empresas em épocas de maior dificuldade, pois o fundo não seria diretamente afetado.

Cabe sublinhar que um Fundo Social precisaria ter um volume de recursos razoáveis para gerar renda suficiente a ser canalizada para ações sociais. Talvez um grupo de empresas poderia se unir em torno da ideia e criar um fundo único. Os sindicatos patronais poderiam agir nesse sentido.

A constituição de um Fundo Social, que entre outros faz parte do capital social de uma empresa, não seria um substituto absoluto de doações que deveriam continuar a ser realizadas. Precisamos pensar no médio e longo prazos e não apenas somente no dia de amanhã que poderá ser desastroso como o que estamos passando no presente momento.

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