A Coluna do Roberto Maciel (14.04)

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A retórica imprestável de FHC

Festa para FHC - ISTOÉ Independente

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), não obstante ser visto por uns poucos como um “cavalheiro” e, por menos ainda, como um “dândi”, é dado a imagens sanguinolentas. Segundo nota publicada no blog do jornalista Lauro Jardim (do jornal O Globo), FHC não acredita que haja condições políticas e legais para um impeachment de Jair Bolsonaro. O texto conclui: “para FHC, o país vai sangrar em crises sucessivas pelos próximos três anos, com Bolsonaro no comando”. Sim, sangrar. Foi exatamente essa a palavra que o tucano-mor e outros de expressão menor, como o senador cearense Tasso Jereissati, usaram em 2005 para tentar condenar a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (e não conseguiram). Foi a mesma imagem que aplicaram como adorno golpista no discurso que engendraram contra Dilma Rousseff em 2013, 2014 e 2015 – conseguindo afastá-la do Planalto. É perceptível que o quase centenário Fernando Henrique não tem lá com o que contribuir com o debate democrático no Brasil. Na verdade, nunca contribuiu. Conclui-se, então, que essa retórica imprestável signifique o que sempre significou: nada.

Por partes
Conforme registra Lauro Jardim, faltariam, na leitura de FHC, dois elementos para justificar o afastamento de Bolsonaro: crime de responsabilidade e ambiente político no Congresso.

Toxicidade
Mas há juristas e outros políticos que identificam exatamente esse cenário em relação a Bolsonaro: uma sucessão de crimes de responsabilidade cometidos não apenas por auxiliares, mas pelo presidente da República em pessoa, e um ambiente cada vez mais tóxico no Parlamento – em alguns casos, envenenado por emissários de Bolsonaro, como os filhos.

Traiçoeiro
A história, aliás, mostra o quão o PSDB é perigoso para a democracia. Em 2014, tão logo foi repudiado pelas urnas, o candidato tucano aniquilado pela presidenta Dilma Rousseff tratou de revelar um plano de inviabilizar a gestão dela.

Intransigente no caos
Aécio Neves, senador, ameaçou ao ser escolhido presidente do PSDB em 2015 fazer ‘incansável e intransigente’ oposição, para o que se tornou cúmplice do então deputado Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara federal e verdadeira usina de pautas-bombas que só prejudicaram o governo e o País.

Violência
O que PSDB e aliados construíram (ou desconstruíram ou destruíram) com a disseminação do ódio resultou no que se vê por aí hoje em dia, o que se chama de “bolsonarismo”. Inclusive com graves ameaças a eles próprios por bolsonaristas claramente desequilibrados. Enfim, foram a frustração, o descrédito, a ambição e a incompetência eleitoral de Aécio, FHC e demais tucanos que fermentaram o ódio que, agora, se volta contra eles mesmos. Lamentável.

Às claras
O deputado Marcos Marcos Sobreira (PDT) encaminhou na Assembleia emenda que estabelece que os atos praticados pelo Poder Executivo que violem a Lei de Responsabilidade Fiscal e de dispensa de licitação abrangido pelo estado de calamidade pública sejam imediatamente comunicados, num prazo de 24 horas, às câmaras municipais.

Necessário e indispensável
Há um necessário ingrediente de transparência aí. E de responsabilidade também. E até de educação, num sentido pedagógico para quem não consegue entender o que é estado de calamidade pública.

A fazer
Fortaleza completou ontem 294 anos. É uma cidade em permanente renovação. Passou oito anos sem melhorias efetivas, deve-se reconhecer, considerando o período de nulidade administrativa entre 2005 e 2012. Há muito o que se fazer, portanto.

Voz
Recado do governador Camilo Santana: “Em 294 anos de história, Fortaleza sempre foi uma cidade acolhedora, cheia de encantos, alegria, e que abraça com carinho seus moradores e visitantes. Fortaleza silencia apenas momentaneamente, para depois voltar a sorrir e brilhar, como a capital amada de todos os cearenses”.

Onde e quando
A propósito, Camilo nasceu no Crato, no Cariri (Sul do Ceará). Fortaleza o acolhe desde menino. É aqui onde trabalha e mora.

Um pouco de música
A linha central da Coluna de hoje me fez lembrar de uma composição do mineiro Beto Guedes, “Canção de Um Novo Mundo”. Quase 40 anos atrás, Beto escreveu sobre o crime que tirou a vida do beatle John Lennon, mas acabou antevendo os hoje tão frequentes assassinatos de reputação. Segue um trecho:

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo
Quem souber dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo
Oh! Minha estrela amiga
Porque você não fez a bala parar

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