A Coluna do Roberto Maciel (06.06, sábado)

A usina do mal funciona ao lado do gabinete do ódio

Moraes aponta 'real possibilidade' da existência do 'gabinete do ...

Ao que parece, opera no Palácio do Planalto uma usina de medidas desastrosas, persecutórias e muito perigosas para a sociedade. Estaria situada bem ao lado do “gabinete do ódio”, o qual acusam de projetar e executar ações da chamada milícia digital. Essa milícia invade redes sociais como Twitter, Instagram, Facebook e grupos de WhatsApp e, por meio de mensagens de conteúdos desinformativos, trucida reputações ou espalha noções políticas enviezadas – algumas, reconheçamos, pra lá de condenáveis. E o funcionamento segue a todo vapor, pelo visto. A usina, que já destruiu os programas “Minha Casa, Minha Vida” e “Mais Médicos”, por exemplo, concluiu na semana passada mais uma maldade. Foi a transferência de dinheiro que serviria ao Bolsa Família no Nordeste para ser gasto com publicidade oficial. Sim: tirou comida dos pratos de famílias inteiras para torrar com propaganda do governo. Nessa ação, apanharam-se numa só canetada R$ 83,9 milhões que estavam alocados no orçamento do programa social e os fizeram aparecer nas contas da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. O jornal “Folha de S. Paulo” registrou o seguinte: “Considerando que os beneficiários recebem, normalmente, pouco menos de R$ 200 reais (sic), o valor, segundo técnicos do governo, seria suficiente para atender 70 mil famílias”.

Troco

A decisão de tomar dinheiro de carentes e gastá-lo em publicidade é especialmente cruel quando se nota que foi tomada pouquíssimos dias após o Supremo Tribunal Federal encurralar blogueiros e ativistas bolsonaristas. Gente como Allan dos Santos, Bernardo Küster, Roberto Jefferson, Luciano Hang, Sara Winter e Edgard Corona estaria por trás de uma delituosa rede de notícias falsas. Parte dessa rede seria sustentada com dinheiro público.

O recado
Como decisão econômica, a medida é desastrosa. Como decisão política, seria um recado mal-educado e truculento ao STF, à Polícia Federal, aos críticos e, de resto, à sociedade, num estilo muito conhecido. Algo como “É a gente que manda nisso, talkey? Acabou, pôrra!”

Gastança
Na mesma semana, a CPMI da Fake News divulgou levantamento segundo o qual a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República teria pago pela publicação de 2,065 milhões de anúncios em sites, aplicativos de telefone celular e canais de YouTube que veiculam conteúdo inadequado. Sites em russos e canais pornôs teriam recebido dinheiro do contribuinte brasileiro.

Grife

Por que o chefe da Secom, Fábio Wajngarten, não perde o cargo

Sobre a Pasta, deve-se registrar que o tiular, Fábio Wajngarten (foto acima), ainda é o principal sócio de uma empresa chamada FW Comunicação e Marketing, que presta consultorias e recebe dinheiro de TVs e empresas de publicidade contratadas pela própria Secretaria comandada por ele mesmo. Isso implicaria conflito de interesses, o que é definido como irregularidade em lei federal.

Vozes da arte

Felipe Neto 🇧🇷🏴 on Twitter: "Todo artista ou famoso tem o ...

A transferência dos recursos foi tratada com repúdio imediato. O influenciador Felipe Neto publicou o seguinte: ATENÇÃO!!! Governo Bolsonaro publicou hoje a retirada de 83 milhões de reais que iriam para o Bolsa Família do Nordeste… E passou a quantia para a COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA DO GOVERNO!!! É isso mesmo q vc está lendo!”. O mesmo tom indignado marcou mensagem do humorista Marcelo Adnet: “Despresidente tira 83 MILHÕES do Bolsa Família no Nordeste e destina à publicidade do Planalto. Isso mesmo que você leu. Canalhas”.

Vozes da política
O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) também se manifestou: “Bolsonaro retirou R$ 83 milhões do Bolsa Família para bancar a comunicação do Palácio do Planalto. P/ bancar anúncios da Secom em sites de fake news e até pornôs. Não temos ministro da saúde, enfrentamos uma pandemia que já fez 32 mil mortos, e ele tira dinheiro de quem precisa”. Marcelo Freixo (PSol-RJ) também não poupou o Planalto: “ESCÂNDALO! Brasileiros passando fome e Bolsonaro tirando dinheiro das famílias pobres para gastar em propaganda, o que inclui sites de fake news. O presidente pegou R$ 83,9 milhões do Bolsa Família para colocar em publicidade. Mentira não enche barriga, Bolsonaro!”

Resposta dura
O mesmo Freixo anunciou medida partidária: “URGENTE! Nós, do @psolnacamara, pedimos que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue a retirada de dinheiro do Bolsa Família para financiar a publicidade do governo. É escandaloso que Bolsonaro em plena pandemia deixe os brasileiros passando fome para gastar com propaganda”.

Variação
Em outro campo, o da saúde, estragos também foram perpetrados. Jair Bolsonaro impôs vetos à lei que poderia liberar cerca de R$ 8,6 bilhões para estados, Distrito Federal e municípios. O dinheiro serviria para a aquisição de equipamentos e materiais de combate à covid-19 – aquela, que já matou quase 36 mil brasileiros e que Bolsonaro chamava de “gripezinha”. Mas o presidente não deixou.

Postura rara

Ronivaldo Maia destaca nova presidência do PT Fortaleza « Câmara ...

Há um bate-bola exemplar entre a Câmara de Fortaleza e o Paço Municipal. Vereadores de oposição deixaram de lado conceitos ideológicos e partidários e se engajaram na luta comum contra o coronavírus. É o caso de Ronivaldo Maia (PT foto acima), que, falando para o prefeito Roberto Cláudio (PDT), disse o seguinte: “A sensação que nos invade (…) é de dever cumprido. O resultado visto é que a cidade avançou e nós estamos nele. Não há até o momento medicação melhor que o isolamento social. O que nos une é o zelo com o fortalezense colaborando para a redução dessa curva. Quero aproveitar para parabenizar o governador Camilo Santana, pois a coragem na decisão correta tem um preço alto”.

Violência digital
A Assembleia Legislativa do Ceará está em contato com a de São Paulo. O motivo não é dos mais agradáveis. É que um deputado paulista, Diego Garcia (PSL), é acusado de forjar um dossiê com nomes e dados pessoais de antifascistas e distribuir o material na Internet. Há cearenses na lista dos que foram expostos a violências. Os deputados cearenses Acrísio Sena e Elmano Freitas (PT) e Renato Roseno (PSol) foram contactados pelas vítimas.

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