Casa dos Licores mantém tradição familiar através das gerações

 Preservar a cultura alimentar não envolve apenas a memória afetiva de uma família, ou até mesmo de um povo. Entre aromas, sabores e histórias, comidas e bebidas que traduzem bem o nosso jeito de ser pode se transformar em negócio de sucesso. Um dos exemplos que traduz bem essa questão é a Casa dos Licores, localizada em Viçosa do Ceará, município aconchegante localizado na Serra da Ibiapaba. O local, já há alguns anos, é uma das grandes atrações da cidade, justamente por aliar a bebida artesanal com a própria cultura, a arte e boas recordações.  

Essa história de afeto e sucesso começou há mais de 60 anos, como explica Tereza Cristina, quituteira e herdeira do negócio. Antes de ser um comércio e uma indústria caseira, a Casa dos Licores era a residência de seus pais. Sua mãe, na cozinha, produzia delícias como biscoitos de polvilho, doces e, claro, os licores. Naquele tempo, na antiga bodega, a família fazia a comercialização desses produtos, sempre associado ao som do pífano. “O meu pai, Alfredo Carneiro de Miranda, era conhecido como um dos melhores pifeiros da região. Isso foi criando mais um motivo para a visitação desta casa, ou seja, as pessoas vinham aqui para ver, ouvir e, ao mesmo tempo, saborear os licores”, explica.  

A Casa dos Licores é parada obrigatória para os turistas, graças à qualidade dos produtos e da própria cultura que circunda cada espaço do comércio, cuja fachada é a mesma desde 1940. Os visitantes são recebidos pela própria Tereza Cristina, que faz questão de contar cada detalhe sobre como tudo começou, além de causos e curiosidades, sempre com riqueza de detalhes. Para quem visita, trata-se de uma verdadeira experiência gastronômica, artística e até arquitetônica, já que os móveis da casa são praticamente os mesmos da construção da casa.   

Licor, e tudo que envolve essa tradicional bebida, é um dos assuntos preferidos da herdeira, uma vez que, para ela, trata-se do símbolo máximo da sociabilidade, característica tão marcante do seu comércio. “Podia ser qualquer coisa, né? Mas a gente fazia licor para receber bem. Antes, era de jenipapo, tangerina, abacaxi e maracujá. Hoje, a Casa dos Licores produz 88 sabores, todos com a capacidade de mexer com a memória afetiva das pessoas. Até hoje, uma das nossas principais missões é justamente o de preservar essa cultura alimentar”, pontua Tereza.   

O sucesso, como não poderia deixar de ser, é fruto de muito trabalho e dedicação de toda a família. A Casa dos Licores ainda é uma empresa familiar, mas que não abre mão de se aperfeiçoar e se especializar, sempre. Aspectos como controle de estoque e vendas, questões administrativas, financeiras e até mesmo industriais, como manipulação de alimentos, são levados com muita seriedade por todos os envolvidos no negócio. Tudo isso, aliado à tradição, qualidade e riqueza cultural, não deixa de ser a receita para o merecido reconhecimento. 

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E é com a mesma dedicação e vontade de levar a cultura do licor para mais e mais pessoas que Tereza Cristina e sua equipe seguiram com a missa de levar sabor e afeto para as pessoas, mesmo no período da pandemia. Ao lado da filha Tereza Emília, 3ª geração da família empreendedora, apostou nas vendas online, com entrega em todo o País, e na criação de conteúdos para as redes sociais, repletos de afeto, memória e otimismo. No perfil do Instagram, por exemplo, os seguidores puderam conhecer a história da Casa dos Licores, conferir registros raros da família e homenagens. Além disso, Tereza chegou até mesmo participar de uma live, em parceria com a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), sobre os saberes e sabores dos licores de Viçosa do Ceará.  

A Casa dos Licores reabriu, primeiramente, suas janelas. Essa foi a forma encontrada para retomar, aos poucos, o negócio, isso ainda no início de julho. A produção e o funcionamento da bodega voltaram a funcionar em agosto, seguindo todos os protocolos de segurança. E é justamente por isso que os visitantes ainda não podem fazer a visitação ao interior do local. Já os grupos maiores, vindos de excursões, são recebidos na área externa, na calçada e na pracinha que fica ao lado.  

“Fazemos um atendimento afetuoso e feliz, que é uma característica marcante e reconhecida por aqueles que já nos visitaram. Mas entendemos que essa é uma situação temporária. Como diz a música de Hermes Aquino, ‘nuvem passageira, que com o tempo vai’”, diz Tereza Cristina, com a certeza de que os licores e as outras receitas da família vão conquistar as futuras gerações.  

Desistir, definitivamente, é uma palavra que não entra no vocabulário de Tereza Cristina. Dia após dia, a Casa dos Licores de Viçosa do Ceará vai retomando o ritmo, com segurança e confiança, como deve ser. “Somos uma empresa familiar, artesanal E até o fim da minha vida vai ser assim”, conclui.  

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