Retomada do Fundo Clima é crucial para o Brasil, diz Marina Grossi

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Em audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo ministro Luís Roberto Barroso, a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, defendeu a retomada da operação do Fundo Clima como um instrumento crucial para a viabilização de financiamento de iniciativas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de adaptação às mudanças climáticas. “É preciso redirecionar os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira, fomentando um modelo de economia circular, de baixo carbono e inclusiva”, disse a executiva, que lidera o movimento de líderes empresariais em prol do desenvolvimento sustentável.

Em sua fala, Marina destacou que “o Brasil tem os recursos, o conhecimento e, consequentemente, a oportunidade única para dar escala a boas práticas empresariais e planejar estrategicamente o futuro de desenvolvimento sustentável do país”. No âmbito do Fundo Clima, investimentos previstos para projetos de mobilidade urbana e resíduos sólidos, compra de máquinas e equipamentos, geração e distribuição de energia renovável, cidades, projetos de manejo florestal sustentável e de gestão de emissões de carbono são importantes instrumentos viabilizadores de inovação e atração de mais atividade econômica nacional e recursos internacionais.

“Um movimento do governo brasileiro em direção à maior proteção dos biomas, busca por uma economia de baixo carbono e soluções baseadas na natureza será muito benéfico para atrair capital e revigorar a imagem do País como destino de investimentos verdes”, afirmou a presidente do CEBDS, complementando que o País tem sido alvo de inúmeras iniciativas nacionais e internacionais de investidores, empresariado e ex-líderes do governo que pedem o fim do desmatamento e da maior atuação do Executivo, Legislativo e Judiciário na questão.

A presidente do CEBDS também reiterou a defesa da criação de um mercado de carbono nacional, bandeira que o Conselho defende há mais de uma década como maneira eficaz para impulsionar a descarbonização e a produção de riqueza com a floresta de pé. “São necessárias políticas robustas, abrangentes e de longo prazo para que se possa atingir as metas do Acordo de Paris até 2050”, disse Marina. Em 2018, mais de 1.300 empresas já atribuíam preço interno de carbono a seus ativos ou pretendiam fazê-lo num período de dois anos. Mais de 40 governos locais e nacionais também adotam a precificação. “Se bem estruturada, a precificação de carbono pode impulsionar investimentos em tecnologias de baixa emissão, promovendo desenvolvimento local e boas práticas socioambientais”, afirmou.

“Com a crescente demanda internacional por responsabilidade socioambiental e transparência de reporte de empresas e governos, a imagem e reputação dessas instituições são afetadas negativamente”, observou. “O Brasil corre o risco, portanto, de se tornar uma opção indesejada e inviável de destinação de fundos, investidores e demais oportunidades de negócios”, completou Marina.

Aliada a isso está em constante ascensão a demanda por investimentos e modelos de negócios sustentáveis e responsáveis, baseados em fatores ASG (Ambientais, Sociais e de Governança). “Tal movimento impõe, de um lado, um filtro positivo recomendado por organizações multilaterais e, de outro, um filtro negativo aplicado por grandes grupos de investidores que anunciam o fim de investimentos em iniciativas que não considerem os riscos ambientais e climáticos”, disse a presidente do CEBDS.

A participação da executiva se deu na audiência pública convocada pelo ministro Barroso, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 708, apresentada por PT, PSOL, PSB e Rede, que questionam a atuação do governo em relação ao Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima (Fundo Clima). A audiência pública teve o objetivo de debater o funcionamento do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, a alocação de seus recursos e a situação das políticas públicas em matéria ambiental no Brasil.

Sobre o CEBDS

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável por meio da articulação junto aos governos e a sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Fundado em 1997, reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais do país, responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos. Representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países e de 22 setores industriais, além de 200 grupos empresariais que atuam em todos os continentes. Mais informações: https://cebds.org/

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