A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 3.11): A fala de Rêgo Barros foi um recado

Generais podem ser conservadores e retrógrados – isso faz parte do figurino deles; só não podem ser bobos
Generais têm, pela seriedade e pela estatura da patente que ocupam, prerrogativas várias. São, em princípio, respeitados pela sociedade em que se inserem, nas quais opinam sobre diferentes temas. Enfim, tornam-se referenciais para os cidadãos, o que é pertinente dadas as especificidades dos postos que têm. Generais podem muito, mas só não podem ser bobos – nem posar de bobos. General que se deixa enganar e se admite manipulado por um subalterno não merece, numa guerra ou numa ação de caridade, comandar o que quer que seja. Pode-se aplicar isso que registramos aqui ao general Otávio do Rêgo Barros (foto abaixo), ex-porta-voz da Presidência da República, na qual se abanca um ex-capitão. Sem citar nomes, Rêgo Barros publicou no jornal Correio Braziliense um longo e lamentoso artigo no qual escreveu que “Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói! E se não há mais escravos discordantes leais a cochichar: ‘Lembra-te que és mortal’, a estabilidade política do império está sob risco”. General-de-divisão, doutor em Ciências Militares, o engalonado redator praticamente assinou um documento no qual reconhece-se iludido. Mas não assume para si o papel de bobo. E, se não foi bobo, foi pior: foi cúmplice.

Procura-se o porta-voz da presidência da República | VEJA

Recado…
Rêgo Barros observou que “a autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias. Não aceita ser contradita. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste”.

…Dado
Otávio do Rêgo Barros pode ter sido ludibriado, mas está longe de ser um bestalhão. Deve-se notar que o texto não parece ser uma manifestação individual, embora leve somente a assinatura dele. Uma vez porta-voz, sempre porta-voz. A avaliação de parte dos observadores das cenas nacionais é de que o artigo é, sim, um recado a setores sociais que acham, em vã ilusão, que os militares apoiam Jair Bolsonaro incondicionalmente.

Babosos
“Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião”, anotou o general.

Descortesia
Na mesma semana em que o artigo do militar ocupou Imprensa e redes sociais na Internet, o próprio presidente da República (foto abaixo) tratou, no jeito descomunalmente descortês que tem, de desviar as atenções do público. E, em São Luiz (MA), fez piada de mau gosto com uma marca de refrigerante local, o Guaraná Jesus – marca que, pelo sucesso que faz na “ilha”, despertou o interesse da multipoderosa Coca-Cola, que a comprou.

Róseo
O refrigerante maranhense, criado por um comunista chamado Jesus em meados do século passado, é cor-de-rosa. A tonalidade do produto fez com que Bolsonaro o classificasse como coisa de “boiola”. Meio mundo deve ter ficado boquiaberto com tão robusta besteira. A outra metade, sabiamente, como sempre faz, não deu a menor pelota ao que o presidente expeliu.

É
O Brasil chegou ontem, Dia de Finados, a 160 mil mortos pela covid-19. Cabe lembrar frase de Bolsonaro: “E daí? Não sou coveiro!”.

Terror
Cuidado exposto pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT), diante do risco de segunda onda da covid-19: “Estamos procurando agir com muita prudência e responsabilidade no plano de retomada, que já conta com 95% da economia aberta, para que não haja retrocessos”. Há uma cautela que o cidadão pode adotar, no campo da contribuição: conferir com atenção as informações que recebe. É que já foi identificado um surto de fake news distribuído por comitês que têm o terror como estratégia de ação.

Top
Tem papel de destaque na campanha pedetista à Prefeitura de Fortaleza o presidente da Câmara Municipal, Antônio Henrique (foto abaixo). Pouco se faz nos comitês de José Sarto sem que a opinião de Henrique seja ouvida e considerada. Explica-se: protagonista das políticas públicas da cidade, ele se posiciona como conhecedor profundo dos bairros locais e, assim, se converteu em preciso analista das tendências do Poder Legislativo. Sabe, como ninguém, o que se passa nas 43 cabeças dos vereadores e das vereadoras.

Antônio Henrique é eleito presidente da Câmara Municipal de Fortaleza |  Revista Litoral Leste Ceará

Na telinha
Estaremos hoje na TV Ceará (canal 5, no sistema aberto), às 22h15min, entrevistando os candidatos José Sarto (PDT) e Heitor Freire (PSL). Comigo, estarão as jornalistas Carla Soraya – apresentadora do programa – e Inês Aparecida e o jornalista Guálter George.

É o bicho!
O deputado federal Célio Studart (PV-CE) pôs para tramitar na Câmara projeto com o qual tenta obrigar agressores de animais a bancar os custos do tratamento de saúde do bicho ferido. Célio é candidato a prefeito de Fortaleza.

Em vídeo
Estamos também no Instagram (@evefrota ou @robertoamaciel), com lives às terças e quinta-feiras denominadas “Coluna da Hora”, e com canal de vídeos na plataforma YouTube (www.youtube.com/colunadahora).

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