A Coluna do Roberto Maciel (terça, 17.11): O que vai sobrar do (ou para o) “nacional-bolsonarismo”

A curta caminhada do bolsonarismo
Não se pode dizer de forma absoluta quem foi derrotado e quem ganhou no primeiro turno das eleições municipais deste ano. Afinal, o evento é próprio da democracia e, por isso, havendo jogo limpo, quem ganha mesmo é o cidadão e é a própria democracia. Mas é fato que o presidente Jair Bolsonaro viu, um a um, os candidatos que apoiou perderem tônus, murcharem, esfarelarem – e a relação com ele pode mesmo ter sido o elemento preponderante para a demolição massiva de postulantes identificados com a direita extrema. O caso de Celso Russomanno, em São Paulo, só é comparável ao da Delegada Patrícia, em Recife. Bastou o dedo de Bolsonaro aparecer nas campanhas, houve quedas significativas e fatais. O deputado Wagner Sousa, em Fortaleza, escapou de tal vexame porque conseguiu – até de forma desesperada, pode-se dizer – se desvencilhar do presidente da República. Quando se observam os altos índices de rejeição do eleitor a Bolsonaro pode-se encontrar uma explicação para o fracasso humilhante dessas candidaturas.

Rumo ao fundo do abismo?

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Isso significa que o “bolsonarismo”, ou “nacional-bolsonarismo”, ou o que se convencionou chamar, mal começou a caminhar e já levou uma rasteira. Uma blitzkrieg, enfim. O que se pretendia como fenômeno político não passou de um traque molhado. E segue agora rolando precipício abaixo, conforme indicam os números do Tribunal Superior Eleitoral. Os próprios seguidores desse modo de pensar trataram de abandoná-lo na primeira oportunidade – e não são seguidores identificados com nome e sobrenome, mas gente que compõe as massas sociais.

Como será até 2020?
E é aí que entra o grande nó. Se se mantiverem os padrões de descambo que Jair Bolsonaro, associado a Paulo Guedes e tutelado por um grupo cada vez mais esquálido de militares, como deve chegar a política brasileira a 2022? Além de perder estrepitosamente na maioria dos municípios brasileiros, a começar pelas capitais, as alas vinculadas à direita, ao conservadorismo e ao neo-fascismo (o leitor e a leitora, por fineza, fiquem à vontade para escolher o que melhor se ajustar ao seu julgamento), Bolsonaro deve ver sua capacidade de diálogo internacional bruscamente decepada pela derrota de Donald Trump nos Estados Unidos. Se já não dialoga satisfatoriamente com a China, Argentina, Chile, Venezuela, Cuba, Bolívia, Alemanha, França e Espanha, com quem Jair Bolsonaro pretende traçar estratégias para o desenvolvimento brasileiro? Além de isolado externamente, ele agora se isola internamente.

Zumbi
A dúvida não deriva apenas de uma projeção política, mas de contextos aritméticos. A conta é até banal: um aliado menos um aliado resulta em nenhum aliado. Simples assim. Chega-se, então, a um governo zumbi que só se mantém caminhando porque a democracia é clemente e não deve ser manipulada como foi para que Bolsonaro desembarcasse no poder em 2018.

Vozes femininas
As mulheres totalizaram 12,2% dos prefeitos eleitos em primeiro turno nas eleições de domingo passado. Em Fortaleza, havia duas representantes femininas: a deputada federal Luizianne Lins (PT) e a professora Paula Colares (UP, foto). Perderam.

UP lança Paula Colares como candidata à Prefeitura de Fortaleza - Política  - Diário do Nordeste

Ainda na luta
Cinco permanecem na disputa por prefeituras no segundo turno, em 29 de novembro: Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre; Marília Arraes (PT), no Recife; Delegada Danielle (Cidadania), em Aracaju; Socorro Neri (PSB), em Rio Branco; e Cristiane Lopes (PP), em Porto Velho.

Dança das cadeiras
O Senado tem novo parlamentar. É Carlos Fávaro (PSD), representante do Mato Grosso. Aproveitou-se lá que realizar eleição suplementar para escolher um substituto para a senadora Selma Arruda (foto abaixo), cassada porque misturou dinheiro dela com dinheiro de caixa 2 em 2018 e não soube prestar contas à Justiça Eleitoral. Selma, ex-juíza, havia sido eleita com o apelido de “Moro de Saias”. Um padrão de honestidade, então, bastante cabível.

Senadora Selma Arruda tem mandato cassado por TSE - Jornal O Globo

Outro nome
E as mudanças no Senado pode não se limitar à chegada de Carlos Fávaro. É que Vanderlan Cardoso (PSD-GO) está na disputa pela Prefeitura de Goiânia. É o único dos senadores que se aventuraram pelas veredas das eleições municipais que ainda pode sonhar em ser eleito prefeito este ano.

Em vídeo
O canal Coluna da Hora, fruto de parceria entre mim, a jornalista Eveline Frota e o músico e videomaker André Reis, veicula entrevistas sobre temas vários (https://www.youtube.com/colunadahora). Mas não é só isso. Sempre às terças e quintas-feiras. Eu e Eveline temos lives no Instagram, também com a marca “Coluna da Hora”. Começamos às 17 horas e nossos encontros com internautas duram uma hora. Pode-se acessar e participar da Coluna da Hora no Instagram pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel.

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