A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 19.11): Não é coveiro, não é eletricista, não é nada

“E daí? Não sou eletricista!”
Em 20 de abril passado, o presidente Jair Bolsonaro expeliu uma frase que tem extremo poder revelador do caráter que o preenche. Perguntou ele, ao ser questionado por um seguidor sobre os preocupantes índices de contaminações e mortes da covid-19: “E daí? Não sou coveiro!”. Embora muitos já tivessem juízo de valor formado sobre o comportamento e a essência de Bolsonaro, houve quem se espantasse com a situação. Naquela época, o Brasil já havia sepultado 87 mil pais, mães, filhos, irmãos e amigos vitimados pelo novo coronavírus; hoje, já são 167,4 mil brasileiros enterrados por causa da doença. Essas observações que faço não são casuais nem perdem a pertinência quando se destaca o drama pelo qual vem passando a população do Amapá – onde, por força de uma pane na central de abastecimento, há 17 dias a suspensão do fornecimento de energia elétrica faz com que o Estado inteiro, sobretudo a capital, Macapá, enfrentem o horror da fome, da sede, do calor, do caos no comércio e na indústria, da falta de aulas, dos serviços básicos e da segurança em colapso. Nesse cenário apocalíptico, o Governo Federal tem batido cabeça e não consegue, assim como o estadual, dar a mínima sinalização aos prejudicados de que há soluções encaminhadas. Nada. A omissão é tão grave, que, sem muito esforço, é possível imaginar a voz de Bolsonaro atacando pessoas e gritando: “E daí? Não sou eletricista!”. Tá ok?

jair bolsonaro, meu deus!

Não é milagreiro, com certeza
Jair Bolsonaro não se limitou, em abril, a fazer ironia com o fato de não ser coveiro. Ele também usou o sagrado para se omitir das responsabilidades que tem (e já tinha, então). Diante de pergunta sobre ações da União em relação à escalada de mortes provacadas pela pandemia, saiu-se com essa, usando a coincidência do próprio nome com a denominação que os antigos judeus davam àquele que os iria redimir da escravidão, da fome, da opressão e do humilhação: “Lamento! Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagres!” O engano que o acomete é achar que se quer dele milagres ou a realização do impossível. Longe disso. O que o brasileiro deseja, mesmo, é ação, eficiência, respeito e responsabiidade.

Retrovisor
O povo do Amapá ajudou Jair Bolsonaro a chegar ao poder. Em 2018, os 512.117 eleitores de lá asseguraram 50,20% dos votos à chapa do então candidato do PSL, dedicando 49,80% dos votos ao postulante do PT. Bolsonaro recebeu 185.096 votos, contra 183.616 dados a Fernando Haddad.

Touché!
O deputado federal fluminense Marcelo Freixo (PSOL), nome de destaque entre os opositores de Jair Bolsonaro, saiu-se com essa numa rede social na Internet:

Sem autoridade
A propósito, também foi numa rede social que se presenciou o presidente da República – propagandista de medicamentos rejeitados pela ciência no combate e no tratamento da covid-19 – foi humilhantemente contestado pelo Ministério da Saúde. Uma mensagem postada no perfil da pasta na plataforma Twitter desautorizou Bolsonaro de forma absoluta. O textinho foi apagado sem explicações:

Grupão
Entre os vitoriosos no primeiro turno nas eleições do Ceará, o prefeito de Eusébio, Acilon Gonçalves (PL) conseguiu um marco relevantíssimo: além de se reeleger, apoiou o filho, Bruno, definido como o novo prefeito de Aquiraz. O grupo que ele lidera também venceu em Beberibe, Itaitinga, Pindoretama e Cascavel.

Acilon Gonçalves, um olho no Eusébio e outro nos vizinhos | Reportagem |  OPOVO+

Estudo
O Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembleia Legislativa do Ceará está realizando até o próximo dia 29 de novembro o segundo simulado Alcance Enem 2020. Fala da coordenadora do projeto, Dione Soares: “É um recurso para que os alunos possam avaliar os seus conhecimentos e assim focar nos conteúdos que estão com mais dificuldade, ajudando a potencializar os seus estudos”. O simulado é acessado pela plataforma Alcance Virtual.

“Respeito mútuo”
O procurador geral da Justiça do Ceará, Manuel Pinheiro Freitas, aproveitou a trégua entre o primeiro e o segundo turnos e foi à Câmara Municipal de Fortaleza. Lá, se reuniu com o presidente, Antônio Henrique (PDT).”Trabalhamos respeitando o papel de cada um, sabendo que essa parceria é necessária para que possamos construir uma cidade melhor”, disse o vereador.

Criançada
Observe-se, ainda, sobre a Câmara de Fortalea: apressou o passo lá a tramitação do projeto que institui o Marco Legal da Primeira Infância. A proposta é do Executivo, mas havia sido apresentada como indicativo pelos vereadores Elpídio Nogueira (PDT), Dr. Porto (PDT), Iraguassu Filho (PDT) e Gardel Rolim (PDT). Trata-se da consolidação da legislação municipal sobre programas, projetos e ações voltados para crianças de zero a seis anos de idade.

Só para maltratar?
Ganharam as redes sociais fotos do deputado Wagner Sousa (Pros), candidato à Prefeitura de Fortaleza, manifestando apoio a petistas em eleições passadas. Para quem é bolsonarista, a situação é constrangedora.

Letras em busca de números
O candidato do PDT à Prefeitura de Fortaleza conseguiu, em três dias de campanha no segundo turno, agregar a seu arco de apoiadores o PT, PCdoB, PSol, Patriotas e a UP, siglas que tiveram representações no primeiro turno. José Sarto havia iniciado a campanha reunindo PDT (que é o partido dele), PSB (partido do vice, Élcio Batista), PP, PTB, PL, DEM, PSD, Cidadania, Rede e PSDB.

A rede em vídeo
O canal Coluna da Hora, fruto de parceria entre mim, a jornalista Eveline Frota e o músico e videomaker André Reis, veicula entrevistas sobre temas diversos (https://www.youtube.com/colunadahora). E sempre às terças e quintas-feiras eu e Eveline fazemos lives no Instagram, também com a marca “Coluna da Hora”. Começamos às 17h e os encontros com internautas duram uma hora. Pode-se acessar e participar da Coluna da Hora no Instagram pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel.

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