A Coluna do Roberto Maciel (terça, 1º.12): Abandonar o bolsonarismo é prova de um puro – mas nada digno – instinto de sobrevivência

O “bolsonarismo” vai acabar e Bolsonaro deve ser o primeiro a pular do barco


A revista britânica The Economist gastou na semana passada caros e preciosos centímetros para informar ao respeitável público que o bolsonarismo está a caminho da extinção. A publicação aponta como uma das razões o fracasso estonteante do presidente da República nas eleições municipais, nas quais não conseguiu eleger candidatos a prefeito e a vereador que seriam estratégicos para projetos políticos, limitando-se a ridículos indicadores de aprovação popular. Embora identifique o cenário desfavorável, The Economist adverte que “seria um erro descartar as chances de (Jair Bolsonaro conquistar) um segundo mandato”. Sim: o bolsonarismo está indo para o beleléu, mas Bolsonaro pode não ir junto. Os analistas da revista avaliam que ele tende a se bandear para o Centrão, que, diferentemente dos “planaltodependentes”, saiu bem no balanço de perdas e ganhos das urnas.

Diferentes, mas iguais
Assim, Jair Bolsonaro tende a ser o primeiro a abandonar uma nau dos insensatos – aquela que se convencionou chamar de “bolsonarismo”. Já observamos aqui o “bolsonarismo” não foi criado por Jair Bolsonaro. Trata-se, sim, de um conjunto de práticas e teses que conectam pessoas e instituições ao passado, a uma idade das trevas da qual poucos sentem saudades. Esse mecanismo foi posto em marcha por políticos oportunistas, com caráteres e ideais coincidentes, como Sérgio Moro, FHC, Aécio Neves, Eduardo Cunha, Roberto Jefferson e Deltan Dallagnol, mas só depois Bolsonaro ingressou. O nome colou porque o personagem calhou bem aos propósitos dos articuladores.

A opção tem nome: Centrão
Diz a The Economist: “O caminho mais provável para um segundo mandato passa por cimentar sua aliança com o Centrão, que se saiu bem nas eleições municipais. Suas tentativas de criar seu próprio partido político, anunciadas há um ano, ainda não deram frutos. Uma aliança com o Centrão o tornaria um militante muito menos confiável contra a corrupção e a classe política. Mas ofereceria o tipo de máquina política que historicamente ajudou a ganhar as eleições brasileiras – útil, já que as mídias sociais sozinhas provavelmente não lhe darão essa vantagem competitiva duas vezes”.

A definição nada mais é do que um lugar-comum
Mais: “Bolsonaro despreza a democracia e seus controles e equilíbrios, encheu seu governo de militares, diz coisas ofensivas sobre gays, feministas e negros brasileiros, favorece a posse de armas e menospreza tanto o covid-19 quanto a mudança climática. Como presidente, Bolsonaro fortaleceu ideólogos de extrema direita, perseguiu a polarização e quase se autodestruiu. Seis meses atrás, em meio ao aumento da tensão causada pela pandemia, acusações de corrupção contra um de seus filhos e ameaças de impeachment, ele quase ordenou às Forças Armadas o fechamento do Supremo Tribunal Federal”.

Confira: tudo o que respira, conspira
A apreciação da revista inglesa não foge ao tom do que se tem lido no exterior e na mídia independente brasileira. A imprensa de países como a França, os Estados Unidos, Argentina, Itália e Espanha, entre outros, prefere fazer pouco caso, ironias e galhofas com Bolsonaro do que, a sério, referenciá-lo como líder da direita. Para especialistas em políticas internacionais, o presidente do Brasil é um bufão com ares agressivos, um coringa sem humor, um acidente sem importância. Mas não é bem assim, vamos e convenhamos. Bolsonaro comanda os destinos de uma nação estratégica. Tem poder sobre o ambiente e o clima do mundo todo, cabendo a ele decidir sobre temas que podem ser trágicos para biomas como o Pantanal e a Amazônia. É preciso lembrar que bobos da corte também conspiram. Para constar: o título desta nota é um poema do insuperável Paulo Leminski.

Amargo
No mesmo dia em que comissão especial da Câmara dos Deputados fez audiência (veja abaixo) sobre o caso João Alberto, como ficou conhecido o trucidamento de um cidadão preto num supermercado Carrefour de Porto Alegre (RS), assassinado a socos por seguranças, o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chamou a vítima de “marginal” e disse que João Alberto “não representa os pretos decentes”.

Para todos
Líderes indígenas não poupam palavras para acusar o governo de Jair Bolsonaro de não cumprir medidas determinadas pela Lei 14.021/20, sancionada em julho, para que as aldeias sejam protegidas da covid-19. Há um erro, porém. A rigor, o governo não tem cumprido medidas é para etnia nenhuma. Basta ver o caso dos testes para a detectar a doença, ameaçados de perder o prazo de validade porque estão estocados pelo Ministério da Saúde num galpão no aeroporto de São Paulo.

Gerações
O presidente da Câmara de Fortaleza, Antônio Henrique (PDT), reservou o fim de ano para mimos especiais à criançada. E pôs para tramitar dois projetos em que requer da Prefeitura a instalação de parques infantis em praças na região sul da cidade. A proposta é para crianças, tá certo, mas os pais agradecem o presente.

Parquinho infantil - Artigos infantis - São João do Rio Vermelho,  Florianópolis 741460234 | OLX

No ar
O canal Coluna da Hora está veiculando entrevista com o vereador Elpídio Nogueira (PDT). Seguindo para o sétimo mandato, Elpídio – que é irmão do prefeito eleito, José Sarto, será o decano da Câmara de Fortaleza. E adianta ideias que tem para demandas da cidade. Inscrições, comentários e acionamento das notificações: https://www.youtube.com/colunadahora.

Na live
Sempre às terças e quintas-feiras, eu e a jornalista Eveline Frota fazemos lives no Instagram, também com a marca “Coluna da Hora”. Mudamos o horário e começamos agora às 18 horas. Nossos encontros com internautas duram uma hora. Pode-se acessar e participar da Coluna da Hora no Instagram pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel.

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