Estágio cumpre papel social

Artigo de Carlos Henrique Mencaci, presidente da Abres – Associação Brasileira de Estágios.

Carlos Henrique Mencaci - wikITA

Segundo dados do Inep/MEC, no Brasil existem 8.835.009 alunos de ensino médio e técnico, mas apenas 260 mil estagiam (2,9%). Já no Superior, são 8.450.755 e, desses, 740 mil realizam a atividade (8,75%). Contudo, o estágio cumpre o papel social de inserir o jovem no mercado, proporcionando benefícios para empresas e estudantes. 

O grande desafio de quem não tem vivência no mundo corporativo é conquistar a primeira chance de demonstrar seu potencial. Por isso, o ato educativo escolar tem a missão de abrir as portas para quem está no início da jornada. Além de possibilitar o contato inicial com o ambiente de negócios, a atividade é a chance para o participante observar sua afinidade com a área escolhida. 

O estágio também dá a oportunidade de efetivação aos participantes. Dessa forma, o estudante aumenta suas possibilidades de concluir o curso já empregado. Aprende ainda a ter mais responsabilidade diante das novas incumbências e descobre seu potencial por meio do desenvolvimento na própria corporação. A atividade ainda melhora a qualidade de vida, afasta o participante de desvios de trajetória e incentiva os estudos por meio da bolsa-auxílio. O estagiário também tem direito ao auxílio-transporte, carga horária reduzida, recesso remunerado e seguro contra acidentes pessoais.  

Em contrapartida, a parte concedente adquire um novo talento já adaptado à cultura organizacional. Além disso, fica isenta de encargos trabalhistas, tais como 13º salário, ⅓ sobre férias, FGTS e INSS. No caso de encerramento do contrato, não há multas rescisórias. Para acontecer a parceria, um documento é selado entre o aluno, a empresa, a instituição de ensino e, se for o caso, o agente de integração. No Termo de Compromisso de Estágio (TCE), deve constar o plano de tarefas a serem realizadas pelo estagiário. Elas precisam condizer com seu curso, em caso de ensino superior, além de visar o aprendizado. 

Diante do número histórico de desempregados com idade entre 18 e 24 anos, registrado em 29,7% contra 13,3% para a média geral pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, conceder oportunidades para os mais novos torna-se cada vez mais urgente. Afinal, sem uma colocação e fonte de renda, a maioria deles acaba por abandonar os estudos. Essa situação faz aumentar o número de pessoas sem uma qualificação e, consequentemente, com menos aberturas profissionais. 

Portanto, se você é empresário, aproveite os ganhos desse estilo de recrutamento e contribua com a capacitação dos estudantes. Abra vagas para permitir aos jovens colocarem em prática seu conhecimento. Afinal, quem investe em educação colabora com o futuro do país.

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