A Coluna do Roberto Maciel (28.01, quinta-feira): O humor deve eleger o engraçado e impor impeachment ao ridículo

Até Hitler, sem ter sido engraçado, foi alvo de comediantes
A política costuma dar ao humor pano para as mangas. Os cidadãos, sejam do Brasil, dos Estados Unidos, do Japão, da China ou da Cochinchina, sempre acham motivos para rir de representantes seus. Até Adolf Hitler, com particular mau-caráter genocida e inquestionável incapacidade de desenvolver estratégias conforme regras políticas ou mesmo da guerra, foi alvo de comediantes pelo mundo afora. Isso posto, vamos ao comentário desta quinta-feira (28.01):

Bolsonaro não é engraçado. Nunca foi, nunca será
Tem sido frequente ver e ouvir expressões de humor em relação ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Com o advento das redes sociais, o ex-capitão converteu-se em personagem preferido de quem enxerga em tudo motivo para rir e fazer chacota. O caso específico do maremoto de leite condensado comprado pelo Poder Executivo em 2020 – uma quantidade de caixinhas que, enfileiradas, seria suficiente para chegar à Lua – é exemplar. Virou o que se chama de “meme”. Poucos minutos depois de o site Metrópoles veicular a informação sobre a farra de gastos inexplicáveis e inexplicados do (des)governo começaram a pipocar vídeos, fotos, montagens e outras peças bem-humorada.

Entre o cabo Hitler e o capitão Bolsonaro - Carta Maior

A diferença entre engraçado e ridículo
Pode-se dizer, no máximo, que eram isso: peças bem-humoradas. Ou peças que ridicularizavam Bolsonaro, os filhos e o governo em si. Nada mais do que isso – o que passa longe das definições mais precisas do que é “engraçado”. Os dicionários, em geral, classificam o adjetivo como o “que demonstra gentileza; agradável” e aquilo que “que visa a divertir, fazer rir; cômico”. Em sã consciência, tente verificar algum desses ingredientes em Jair Bolsonaro. Ríspido, grosseiro, mal-educado, intratável e agressivo, o presidente eleito em 2018 por 57 milhões de votos brasileiros tem se notabilizado pela hostilidade que exala, nunca por gestos polidos. Foi assim, a propósito, que ele conseguiu se manifestar sobre o assunto: “Quando vejo a imprensa me atacar dizendo que comprei 2 milhões e meio de latas de leite condensado… Vai pra puta que o pariu, imprensa de merda! É pra enfiar no rabo de vocês da imprensa essas latas de leite condensado”.

Família Passos, talkey?
Uma família paranaense acertou em cheio em escolher apontar o ridículo, em vez de tentar encontrar o que é engraçado em outra família, a de Jair Bolsonaro. É a família Passos – pai, mãe e duas filhas, com aguçado senso crítico e musicalidade à flor da pele, expõem sem condescendência os ossos e as entranhas da família Bolsonaro. Marchinhas carnavalescas no YouTube são o veículo para, como se diz no Ceará, frescar com o poder mal-ajambrado que se exerce em Brasília. Os Passos são um exemplo mais criativo de como a crítica pode ser colocada diante das pessoas de modo refinado.

Memória que não se apaga
Começamos a Coluna citando Adolf Hitler, de odiosa memória, e registramos que ontem foi o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. A data marca a carnificina sofrida por judeus, ciganos, homossexuais, comunistas, negros e eslavos sob a violência nazista. Até o senador Fernando Collor de Mello (Pros-AL) se manifestou solidário às vítimas. O governo brasileiro, que vez por outra tenta se mostrar aliado de Israel, não deu um pio.

O homem que sobreviveu a 8 campos de concentração nazistas - BBC News Brasil

Democracia e diversidade
Collor escreveu assim nas redes sociais: “Hoje é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Recordar esta tragédia dói. Que a dor dessa lembrança reforce diariamente nossa disposição de lutar pela tolerância, promoção da democracia e da diversidade, combatendo o ódio e a discriminação. Dignidade para todos”.

Desapareceu
Quem tomou um amargo chá de sumiço foi o deputado federal cearense Wagner Sousa (Pros). Bolsonarista empetigado, o vulgo “capitão” quis ser prefeito de Fortaleza, mas deu com os burros n’água. Tentou se ligar ao presidente e não conseguiu votos; tentou se desligar e também não conseguiu. A candidatura dele lentamente foi para as sombras. Não se fala mais nisso. Num momento em que é importantíssima a mobilização de representantes sociais na luta contra a covid-19, independentemente de cor partidária, esse desaparecimento é notável.

De olho
A Câmara dos Deputados está analisando proposta que determina às escolas públicas que façam avaliações periódicas da saúde dos alunos. As consultas deverão ser efetivadas ao menos uma vez a cada três anos. E sempre no começo do ano letivo.

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