Reino Unido e Brasil assinam acordo para ampliar diálogo em agricultura

Em 2019, as importações de alimentos, rações e bebidas do Reino Unido atingiram £47,9 bilhões. Frutas e vegetais frescos juntos totalizaram £6,4 bilhões e as exportações de alimentos e bebidas do Reino Unido ultrapassaram £23 bilhões. É inegável a importância da agricultura para a economia britânica, visto que o país possui 149.000 empresas do setor, mais do que o número de empresas envolvidas nos setores automotivos, de educação, finanças e seguros. Para além dos números, o Reino Unido busca tomar medidas para alavancar o comércio de commodities que seja ambiental e socialmente sustentável.

No dia 11 de fevereiro, foi assinado um Memorando de Entendimento (MoU), que estipula a criação do Comitê Conjunto de Agricultura (CCA, ou, em inglês, Joint Agriculture Committee). O CCA proporciona um fórum regular de consultas e reforça o comprometimento do Reino Unido em apoiar e desenvolver suas cadeias sustentáveis de alimentos, bebidas e agricultura, facilitando a colaboração entre os dois países em questões de comércio. Além disso, o Comitê será o espaço para discutir temas que envolvem barreiras não tarifárias ao acesso de mercados, regulamentações técnicas e certificados agrícolas, sustentabilidade da produção agrícola e agropecuária, e pesquisas e inovações na área de agricultura e abastecimento. O Comitê também busca estimular e facilitar o desenvolvimento de contato direto e colaboração entre órgãos públicos brasileiros e britânicos e instituições do setor de saúde agrícola e animal.

“O Brasil é um importante parceiro do Reino Unido e uma potência mundial em agricultura e produção de alimentos. Portanto, a assinatura desse MoU é uma grande oportunidade de ampliar a troca de experiências e melhores práticas e alinhar parcerias futuras para promover o desenvolvimento econômico e comercial com base em uma agricultura cada vez mais sustentável em ambos os países”, explicou Peter Wilson, Embaixador Britânico no Brasil.

O ambiente de negócios dinâmico tem estimulado os muitos centros de excelência em P&D no Reino Unido, que desenvolvem tecnologias para melhorar a produtividade e a sustentabilidade da agricultura, horticultura, aquicultura e silvicultura. Isso coloca o país na vanguarda da agro-tecnologia, com recursos altamente qualificados e capacidade para desenvolver novos produtos e soluções para apoiar os avanços globais na agricultura, em áreas como genética e saúde animal e agricultura de precisão. No final de 2020, o Reino Unido anunciou o Path to Sustainable Farming, plano nacional para garantir que, até 2028, os agricultores britânicos possam produzir alimentos saudáveis não subsidiados com menor impacto ambiental, melhorando a saúde animal e reduzindo emissões de carbono.

Exemplo bem-sucedido da parceria entre Reino Unido e Brasil é o Programa Rural Sustentável, uma cooperação entre Defra e Mapa, que tem o propósito de melhorar as práticas de uso da terra e manejo florestal utilizadas pelos pequenos e médios produtores rurais, incentivando o desenvolvimento rural sustentável e a conservação da biodiversidade por meio da implementação de tecnologias de baixa emissão de carbono. Os resultados contribuem para o cumprimento dos objetivos do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) do Brasil. Por meio Financiamento Internacional para o Clima (ICF), o governo do Reino Unido investe mais de £62 milhões em ações nos biomas Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Amazônia.

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