A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 09.03): País com Justiça e Democracia sempre pode se recuperar

“Aha uhu, o Fachin é nosso!” – Até a alegria da Lava Jato era fake

Por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva impostas pela Justiça Federal no Paraná, em relação à Operação Lava Jato, foram anuladas. Viraram nada, ou spray de cloroquina. A notícia caiu ontem no meio político, espalhando alegria para uns lados e aborrecimento para outros. O destino tem mesmo lá suas ironias. Fachin é o mesmo que, entre os magistrados da corte, havia sido saudado efusivamente pelo procurador da República Deltan Dallagnol em mensagens a colegas. Com o então juiz Sérgio Moro, o grupo manipulava a Justiça em processos e decisões. Foram muitas e graves as consequências dos malfeitos: trancafiaram Lula por dois anos, o tornaram inelegível e abriram caminho para Jair Bolsonaro ser eleito presidente da República. Ou seja, não só trituraram a Justiça – também trucidaram a Democracia e as instituições nacionais. O que fizeram maltrata agora, de maneira sanguinária, a saúde e a economia nacionais. Dallagnol havia escrito alegre, patética e patetamente aos parceiros em 2015: “Aha uhu, o Fachin é nosso!” Até a alegria da Lava Jato, como a honestidade dos que a encenaram, era fake.

Para completar a ducha fria
A decisão de Edson Fachin saiu 24 horas após uma pesquisa do instituto Ipec indicar que Lula está com a popularidade em alta. Segundo a sondagem, dos possíveis candidatos ao Planalto em 2022 só o ex-presidente supera Jair Bolsonaro. Cinquenta por cento dos entrevistados pelo Ipec disseram que votariam “sem dúvidas” ou que “poderiam votar” em Lula. Qualquer projeção agora é prematura, claro,. Há, entre o estudo do Inteligência em Pesquisa e Consultoria – esses são o “nome” e o “sobrenome” da empresa, que pertence à ex-executiva do Ibope Márcia Cavallari – 19 meses, uma pandemia e quase 270 mil mortos. O tempo e a saúde não permitem que se enxergue o horizonte com muita nitidez.

O Brasil foi derrotado de goleada
Lembra de 2014? Pois é. O Brasil apanhou feio, muito feio, da Alemanha. Foi na Copa do Mundo de Futebol – a segunda realizada aqui no País, ansiosamente aguardada desde 1950 (outra derrota acachapante). O placar foi esmagador: 7×1. Naqueles dias, havia um clima de animosidade extremamente perigoso contra o governo de Dilma Rousseff (PT) e para a Democracia. A presidenta foi xingada em estádios por torcedores instigados por elementos políticos e dos meios de comunicação. Eram frequentes os atos de depredação. Discursos hidrófobos se misturavam a enxurradas de fake news. A Justiça e a política sofriam manipulações constantes e escancaradas. Encerremos, pois, as tristes recordações.

David Luiz chora e diz que só queria dar alegria ao povo | Exame

O Brasil continua sendo derrotado de goleada

Seguimos no Brasil para a vergonhosa marca de 270 mil mortos pela pandemia do coronavírus. Trata-se do mais trágico número desta Nação. “Nunca antes na História desse País”, como diria o ex-presidente Lula, tantos inocentes morreram em decorrência da omissão ou da ação voluntária e perniciosa do governo. Nenhuma guerra fez conosco o que o que ocorre agora. O Brasil continua aniquilado, sim, mas desta vez a seleção de futebol alemã é só uma sombra no passado. E qual é a ameaça mais grave, o adversário mais inclemente para os brasileiros?

Pensou errado!
Se você pensou “coronavírus” ou “covid-19”, errou. O opositor mais perigoso chama-se bolsonarismo. O vírus da pandemia é, como outros, um elemento ambiental que pode ser combatido e controlado com vacinas, esclarecimentos e, claro, investimento financeiro. O bolsonarismo, diferentemente, só pode ser afastado com conscientização social, equilíbrio, educação, inteligência e informações precisas. Mais antigo do que o próprio Bolsonaro – já registramos isso aqui, mas é válido reafirmar -, o bolsonarismo é um extrato de sentimentos mesquinhos, entendimentos deformados e posturas excludentes e odiosas que vez por outra assolam a sociedade. Isso já aconteceu, por exemplo, na Itália, no Japão e na Alemanha entre 1917 e 1945.

Isolado, Bolsonaro chora e busca apoio entre militares contra crise -  31/03/2020 - Poder - Folha

Ambiente, cidadania, saúde e economia
Vem aí a quinta edição da Certificação Praia Limpa, um selo de qualidade ambiental concedido pelo Governo do Ceará. Municípios costeiros são o público da iniciativa – que resulta de projeto apresentado pelo então deputado estadual Adahil Barreto. A ideia é reconhecer a gestão das orlas, com avaliações de ações e melhorias ambientais, sociais e econômicas. A Secretaria do Meio Ambiente já está com inscrições abertas para a versão 2021 do Praia Limpa (www.sema.ce.gov.br).

Contas abertas
O Congresso Nacional fez as contas e concluiu que não é por falta de dinheiro que o governo de Jair Bolsonaro tem deixado os brasileiros morrerem à míngua. Senado e Câmara dos Deputados apresentaram R$ 47 bilhões em emendas ao projeto da Lei Orçamentária Anual de 2021.

O Brasil está dividido entre os... Millor Fernandes

Ranking
Constatou-se, ainda, que a área de saúde foi a mais contemplada, seguida de desenvolvimento regional e economia. Esses três setores concentram R$ 28,5 bilhões, equivalentes a 60,7% dos recursos solicitados, totalizando 3.978 emendas. No fim das contas pode-se avaliar que o problema é de gestão. Ou de competência. Ou de inteligência. Ou sabe-se lá mais o quê.

Leão voraz
Recebeu auxílio emergencial na pandemia em 2020? Pois saiba que o Leão está de olho. Os valores repassados pelo governo terão de ser declarados no formulário do Imposto de Renda. Mais ainda: se o contribuinte teve rendimentos tributáveis superiores a R$ 22.847,76 terá que declarar o auxílio emergencial e devolvê-lo.

Ao vivo
Temos realizado às terças-feiras lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”, começando às 18h. Os encontros duram uma hora. O internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Todas as entrevistas estão disponíveis lá. Também mantemos no YouTube o canal Coluna da Hora, com entrevistados bem interessantes. Converso hoje com o deputado estadual Renato Roseno (PSOL).

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