A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 20.3): Uma escolha muito fácil. Para a Globo

  • A Rede Globo de Televisão, incluindo sua gênese – o jornal O Globo -, foi fundamental para sustentar os piores momentos da história recente do Brasil. Apoiou o Estado Novo de Vargas, ajudou a inflar a carniceira ditadura militar de 1964-85, tornou-se decisiva para eleger Fernando Collor de Melo presidente da República, agindo da mesma forma em relação a Fernando Henrique Cardoso e Jair Bolsonaro, assim como cevou ódio estratégico contra as gestões de Lula e Dilma Rousseff. Tudo em nome da convergência de interesses de poucos milionários – em detrimento das necessidades de muitos miseráveis – e hidrófobas ideologias de direita. Nesta semana, noticiários da Globo e o portal G1 informaram que o presidente Jair Bolsonaro havia recebido em 26 de fevereiro uma carta do presidente dos EUA. Na correspondência, Joe Biden dizia-se disposto a ter boas relações com o Brasil. Há por trás disso uma escolha muito fácil da empresa da família Marinho. O próprio Palácio do Planalto, afinal, tratara de divulgar trechos da carta.
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Meia-verdade
A Globo deu a notícia pela metade. Cavilosamente, assim como o Planalto, escondeu o fato de que, em entrevista à rede norte-americana CNN, Lula pedira a Biden, dois dias antes, que ceda vacinas contra a covid-19 a países com dificuldades, como o Brasil. E sugerira que o presidente dos Estados Unidos convoque reunião dos 20 países mais ricos do mundo para tratar da pandemia. A Globo também omitiu que a carta pressionava o Brasil por medidas sociais e ambientais. Como a Casa Branca ainda não manifestou posição acerca do pleito de Lula, e como a fala do brasileiro repercutiu positivamente na cena internacional, podendo ter resultados efetivos, a Rede Globo achou por bem se aliar a Bolsonaro numa encenação.

Protocolo
O caso é que a carta de Biden responde a outra enviada por Bolsonaro três meses após ele ter sido eleito. O presidente brasileiro – subalterno de Donald Trump – foi o último líder a cumprimentar o eleito pelos norte-americanos em 2020, numa constrangedora, emburrada e primitiva omissão. Antes, havia até hostilizado Biden e a diplomacia dos EUA. Dessa maneira, o texto de Joe Biden foi só uma protocolar e insossa resposta. Agora, quando viu Lula ser aplaudido por uma iniciativa que pode salvar vidas, Jair Bolsonaro se apressou para tentar puxar a sardinha para a brasa dele. A Globo tratou de avivar a brasa.

Mesma forma
Às vésperas do segundo turno da eleição de 2018, o parcial e anacrônico jornalão O Estado de S.Paulo induziu leitores com um editorial intitulado “Uma escolha muito difícil”. Pôs opiniões e sentimentos a favor de Jair Bolsonaro. No texto, o Estadão tentou rebaixar o professor universitário e advogado Fernando Haddad (PT) ao nível de um deputado de carreira nula, o ex-militar Jair Bolsonaro (PSL). O resto é história. Deu no que deu. A Globo, com a fácil escolha que agora fez, dá mais uma vez sua contribuição ao caos.

Tecnegócio
A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará lançou o Programa Corredores Digitais. É uma iniciativa para desenvolvimento de negócios, atendendo startups em estágio operacional. Os objetivos são os de corrigir falhas e captar o máximo de respostas para as ações empreendidas. Numa cena de desalento empresarial, com entidades representativas esvaziadas por uma economia incerta e decadente, a pontaria da Secitece é certeira.

Discurseira
Ex-policial e bolsominion inveterado, o deputado estadual cearense Francisco Cavalcante (PSL), o vulgo “delegado”, saiu-se com essa: “Cadê o tratamento preventivo contra a doença? Cadê o tratamento usado em hospitais particulares, que agora estão recebendo menos pacientes, nos hospitais públicos?” Se Cavalcante rezasse menos e lesse mais, saberia que não existe tratamento preventivo contra a covid-19. E que os hospitais particulares também estão superlotados, sem vagas nas UTIs.

A troupe…
Eles são cinco: “zero-um”, “zero-dois”, “zero-três”, “zero-quatro” e “fraquejada”. Pela ordem, receberam na pia batismal os nomes de Flávio, Carlos, Eduardo, Jair Renan e Laura. São os filhos dos muitos casamentos do presidente Jair Bolsonaro. Os três primeiros resultam da união do ex-capitão com Rogéria Nantes. O quarto tem como mãe Ana Cristina Valle. E a última, que Bolsonaro diz não ser homem porque ele deu uma “fraquejada” no ato sexual, é filha da atual primeira-dama do País, Michelle – aquela que recebeu R$ 89 mil do miliciano Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio, hoje senador. Michelle, em relacionamento anterior, teve Letícia.

…E o dentista
O que os diferencia do pai? Exatamente isso: o pai. Diferentemente dos filhos vereador, deputado e senador, o ex-capitão não teve pai poderoso – aliás, não podia ser assim considerado na juventude. Percy Geraldo Bolsonaro era um dentista-prático, como tantos os que atuavam em cidades do Interior até os anos 1950. Sem formação universitária, era reconhecido nas comunidades em que trabalhava como bem-humorado, cortês, paciente e educado. Trabalhava, e muito. A BBC News, serviço jornalístico britânico, tratou de mostrar um pouco da personalidade de Percy Geraldo. As linhas biográficas do dentista-prático, sujeito benquisto pelos vizinhos e amigos, não aponta indícios de simpatia pelo autoritarismo, embora não mencione preferências políticas dele. Em outro sentido, podem ser consideradas como referência de um cidadão à moda antiga que ensinava valores à família.

Bolsonaro inaugura colégio para filhos de PMs e critica ideologia de gênero  - Política - Estadão

A árvore e os galhos
As notas acima têm a ver com a sucessão de trapalhadas, grosserias, baixarias e negócios obscuros atribuídos aos filhos de Jair Bolsonaro – netos do gentil Percy Geraldo, portanto. Os três primeiros são apontados como protagonistas de rachadinhas e o quarto teria recebido um carro de R$ 90 mil como propina – um “agrado” – por ter intermediado reunião de uma mineradora com o Governo. Servem, ainda, para destacar que nem sempre as gerações que se sucedem dão qualidade a uma família.

Troco
A Câmara de Fortaleza aprovou em redação final o Projeto de Emenda à Lei Orgânica que modifica a legislação municipal e a adequa às alterações determinadas ao sistema previdenciário por emenda constitucional. Os servidores públicos até que alertaram para os prejuízos que terão na aposentadoria, mas os vereadores nem deram bola.

Coluna da Hora

Sempre às terças-feiras, às 18h, realizo lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Minha conversa mais recente foi com advogada Giovanna Santiago, tratando de temas do Direito das mulheres. Você pode conferir aqui ou clicando abaixo. Se quiser, fique à vontade para comentar lá.

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