A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 27.3): Tornaram o Planalto um bunker ou o “Ninho da Águia”?

Gesto de assessor de Bolsonaro tumultua sessão no Senado - Governo - SBT  News
  • O episódio do “assessor especial” do presidente Jair Bolsonaro fazendo sinalizações fascistas no Senado torna mais nítida a compreensão de que o Palácio do Planalto virou bunker ou um “Ninho da Águia”. Filipe G. Martins (acima) não foi o primeiro a denunciar o próprio caráter: manifestações do gênero começaram com o então secretário de Cultura, Roberto Alvim (abaixo), plagiando em palavras e trejeitos discurso do líder nazista Joseph Goebbels.
Discurso de Alvim com referências ao nazismo gera repúdio maciço nas redes  | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW |  17.01.2020

O líder

Bolsonaro toma leite em live enquanto milhares morrem de coronavírus

O próprio Bolsonaro (acima) cuidou de aparecer numa transmissão por rede social entornando leite boca adentro, assim como antes assacou ofensas, injúrias e ameaças a mulheres, negros e adversários políticos. Ainda teve Sara Winter e os “300” (que não eram nem 30) fazendo passeata e iluminando com tochas reacionárias a noite brasiliense. Sem contar o arremedo de deputado André Fernandes, do Ceará, posando para foto com saudação e bigode hitlerista. Filipe Martins é tão medíocre que nem original consegue ser: só fez um acréscimo ao mostrar um gesto fascista no que se deve considerar uma casa democrática. O que virá depois?

Grupo '300 do Brasil' faz protesto em frente ao STF com tochas e máscaras

Fio terra
Há um fio condutor de autoritarismo, exclusão e violência que atravessa as atitudes e os personagens. Todos – repito: todos! – conhecem muito bem o significado do que fizeram. Sabem o que aquilo que encenaram representa para uma escória, assim como sabem o quanto ferem a boa política, a convivência, o respeito e o diálogo. É necessário observar que há legislação no Brasil que sirva para conter o que Alvim, Bolsonaro, Sara Winter, André Fernandes e Filipe Martins – e outros, muitos outros bolsonaristas – cometeram e cometem. É a Lei do Crime Racial. Até mesmo a exclusão de negros em comercial do Banco do Brasil, que teria sido ordenada pelo presidente da República – contrariado pela diversidade exposta na peça -, é passível de punição. Se não se usa a regra é porque não se quer.

Lambendo os beiços
Como uma coisa puxa a outra, segue uma curiosidade, digamos, “láctea”: o líder do bolsonarismo na Câmara federal, deputado Vitor Hugo (GO), militar que virou parlamentar, apresentou projeto determinando que no mínimo 40% das verbas federais destinadas à aquisição de leite da merenda escolar sejam aplicadas em compras de laticínios locais registrados, permitindo a dispensa de licitação se o preço for compatível com o do mercado. Num cenário em que o presidente toma leite como agressão político e o Exército se lambuza de leite condensado, um presentão desses para os pecuaristas é pra lá de apreciável.

Estrangeirismos
E tramita na Câmara federal proposta que proíbe nomear empresas brasileiras com expressões em língua estrangeira – o que, convenhamos, é o que não falta. O texto é assinado pelo deputado cearense José Airton Cirilo (PT). Ele justifica assim: “Vemos muitas empresas com nomes estrangeiros, de difícil pronúncia. Pessoas leigas não sabem seus significados, o que acaba por gerar constrangimento entre clientes e vendedores e coibindo pessoas de entrar em determinados estabelecimentos por não saber do que se trata o nome da empresa”. Sem contar, claro, a empáfia, o pedantismo e a dissociação da cultura nacional.

Testemunho
Do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão (PDT): “A normalização do abastecimento de oxigênio é uma demanda em todos os encontros de prefeitos que tenho participado”.

Nem tanto, mestre!
A fala de Evandro pode dar a impressão de que os prefeitos de municípios cearenses estão, todos, preocupados com as demandas impostas pela pandemia. Não é isso. Evandro está sendo até generoso e diplomático. Na verdade, há gestores que se postam rigorosamente contra medidas que podem resultar em ações radicais pelo isolamento e pelo distanciamento social, como o lockdown. E, com certo orgulho, batem no peito para contestar decreto do governador Camilo Santana (PT).

17
A jornalista Inês Aparecida, do podcast “As Cunhãs”, apresentou uma lista de municípios das regiões do Cariri e do Centro-Sul do Ceará cujos prefeitos exibem o que ela chama de “mesquinharia”: “Iguatu, Nova Olinda, Jardim, Várzea Alegre, Missão Velha, Santana do Cariri, Icó, Juazeiro do Norte, Aurora, Jati, Campos Sales, Lavras da Mangabeira, Cedro, Tarrafas, Granjeiro, Caririaçu e Farias Brito”. A lista tem curiosamente, 17 presenças. E “17” lembra alguma coisa?

Prensa
A revista Época apontou os graves problemas de relacionamento entre cidades vizinhas que estão sendo determinados pela resistência à prevenção da covid-19. Confira aqui. Destaque-se que as interações econômicas e sociais que há entre municípios próximos, somadas ao desrespeito ao isolamento, praticamente inviabilizam ações efetivas de controle do coronavírus.

Coluna da Hora
Sempre às terças-feiras, a partir das 18h, faço lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”. São encontros de uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. A conversa mais recente foi com o jornalista Eliomar de Lima, sobre comunicação em tempos de pandemia. Dá para conferir abaixo:

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