A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 1º.4): Até para dar golpe é preciso ter apoio

  • Vigaristas sabem que um golpe preciso não pode ser aplicado sem cúmplice (ou cúmplices). Isso faz parte daquele delituoso ramo. Essa regra vale para desde quem passa “contos” a desavisados até para quem opera “pirâmides” milionárias no submundo do mercado financeiro. Tanto faz. Ditadores que tentam impor golpes de estado, armações das mais deletérias contra o cidadão e a sociedade, também estão submetidos a essa norma não-escrita. Encontrar gente disposta a roubar os fundamentos democráticos pode nem ser impossível – vejamos, por exemplo, o que ocorreu na Espanha em 1939, no Brasil em 1964, no Chile em 1972, novamente no Brasil em 2016 e em Mianmar agora em 2021. No entanto, sem inspirar confiança nem um vigarista vulgar consegue aliados que valham uma aventura.

Bateu, levou
O vereador carioca Carlos Bolsonaro não é conhecido exatamente pela inteligência. Pode até se destacar como sujeito grosseiro ou pela relação próxima que tem com o primo, o “aspone” sem qualificação profissional identificado como “Léo Índio”. Pode, também, ser lembrado como o filho do presidente da República que controla atos e palavras do pai nas redes sociais. E, por fim, pode mesmo ser apontado como o parlamentar que tinha tremores e chiliques quando confrontava a colega Marielle Franco. Ou como a pessoa que interceptou gravações no sistema de portaria do condomínio Vivendas da Barra, onde são vizinhos Jair Bolsonaro e Ronnie Lessa, o matador de Marielle e do motorista dela, Anderson Gomes. Tudo isso vale para marcar a figura de Carlos Bolsonaro, menos os dotes intelectuais que ele ostenta.

“Zé Mané”


Pois deu na telha de Carlos Bolsonaro – também chamado de “Carluxo”, “Tonho da Lua” ou “Zero Dois” – atacar o senador cearense Cid Gomes (PDT). O vereador ficou zangado por Cid ter requerido à casa parlamentar a que pertence a convocação do general Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa. Azevedo e Silva deixou o cargo sem dar explicações, razão pela qual o senador pediu esclarecimentos. Mesmo sendo um vereador obscuro e sem propostas expressivas, Carlos Bolsonaro quis falar grosso – o que, certamente, não lhe cabe. Cid, como se percebe nas postagens acima, não deixou barato e deu um passa-moleque federal no rapaz.

Com nota
O deputado federal cearense Eduardo Bismarck (PDT) é agora o coordenador da Comissão de Avaliações Educacionais, da Frente Parlamentar da Educação da Câmara. Trata-se de uma das frentes mais fortes e atuantes do Congresso Nacional – considerando o tema, é importante mesmo que seja assim. É desnecessário até lembrar que governos e políticas públicas decentes têm a Educação como valor estrategico para transformações sociais. Entre as atividades que desempenha, a Comissão acompanha o desenvolvimento do Enem e do Sisu em todo o Brasil. A Frente Parlamentar Mista da Educação reúne mais de 300 membros, entre deputados federais e senadores.

Ceará na pauta

A propósito, a Comissão de Educação da Câmara agendou para a próxima segunda-feira (5.3) audiência pública para discutir autonomia universitária e liberdade de cátedra nas instituições federais. Partidos progressistas, com indiscutível capilaridade nos meios acadêmicos, assinaram o requerimento – apresentado pelos deputados Sâmia Bomfim (Psol-SP), Glauber Braga (Psol-RJ) e Ivan Valente (Psol-SP), com apoio do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). E não se espante se o Ceará for tratado com destaque nas discussões.

Desrespeito
O caso é que o reitor da Universidade Federal do Ceará, Cândido Albuquerque, professor do curso de Direito, está sendo acusado de grave irregularidade. Candidato com menor índice de votos na consulta à comunidade da UFC, Albuquerque obteve ralas 610 indicações, ficando num humilhante terceiro lugar – para se ter ideia do quanto é distante das preferências de professores, alunos e servidores, o primeiro lugar recebeu 7.772 votos. Mas Jair Bolsonaro, atropelando a decisão política da maioria, o escolheu para ocupar a Reitoria. A UFC só havia sofrido golpe assim em 1990, nos tempos – claro! – de Fernando Collor de Melo.

Control C + Control V

Copiada de trabalho acadêmico de terceiros, tese de doutorado é  desmascarada como plágio - Mídia Rondônia

Não bastando isso, descobriu-se que Cândido Albuquerque copiou acintosamente trechos completos de trabalhos alheios e os grudou na tese de doutorado que apresentou na instituição que hoje dirige. Extensas partes de dissertações de terceiros, assim como verbetes de enciclopédias, foram “chupados” e inseridos na tese do atual reitor. O assunto foi exposto em sites na Internet. Nem se dar ao trabalho de negar, ou mesmo de tentar justificar o “arranjo”, ele se deu.

Cuidado
O ponto facultativo na Assembleia Legislativa do Ceará segue até o próximo domingo, 4 de abril. A cena epidemiológica “ainda preocupante” da covid-19 no Estado é a referência da medida. No ato em que a decisão foi formalizada, a Casa estende e considera o quadro de “excepcional emergência na saúde pública, que exige medidas de natureza mais restritivas para conter a propagação e infecção humana pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2)”. A portaria determina o fechamento das dependências da Assembleia e informa que servidores ficam dispensados de registro de ponto até domingo. Note-se que ambientes parlamentares, como assembleias e câmaras municipais, são marcados por fluxo intenso de pessoas e isso é considerado como fator essencial para a disseminação de doenças infecto-contagiosas.

Coluna da Hora
Sempre às terças-feiras, a partir das 18 horas, realizo lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Minha conversa mais recente foi com o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Ceará Itacir Todero, tratando de temas como contas públicas, pandemia, solidariedade e combate à miséria. Você pode conferir aqui:

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