A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 4.5): Os paredões de hoje, entre o do Big Brother e o do Senado

  • Há quem imagine que a grande atração no Brasil nesta terça-feira é o “paredão” final que definirá o vencedor do reality show Big Brother Brasil, na Rede Globo. Não é, e isso é óbvio. Afinal, começam hoje as tomadas de depoimento pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro. Esse, sim, pode ser um “paredão” autêntico para a gestão do ex-capitão. A fila para falas inclui hoje os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta, médico e ex-deputado federal, e Nelson Teich, também médico. Mandetta foi o sorridente parlamentar que soltou um “tchau, querida!” ao votar a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016. Vitorioso naquele recorte histórico, ganhou a simpatia de Bolsonaro e dos filhos dele e foi guindado à pasta da Saúde. Em 2020, estouraria nas mãos dele não apenas a pandemia do covid-19, mas a vontade férrea do presidente da República de tentar prevalecer como salvador da pátria. Mandetta perdeu para o vírus e para Bolsonaro. Sobre Teich nem vale perder tempo: passou apenas 28 dias como ministro, podendo provar os sabores amargos da inoperância, da impotência e do boicote. Sabe-se que, após deixar o cargo, foi assediado por gente do Planalto acenando com funções menores mas apetitosas para quem se refestela no poder.

Falar o quê?

Ex-assessor de Mandetta revela ao menos um crime de Bolsonaro na rota do  genocídio - Brasil 247


Não é correto supor que Luiz Henrique Mandetta (acima) e Nelson Teich (abaixo) farão considerações exatamente elogiosas a Bolsonaro e sua tropa. Ambos têm mesmo motivos de sobra para deixar o governo em situação complicada. Primeiro, porque foram massacrados moralmente pelo presidente e demais integrantes da cúpula palaciana – o astrólogo Olavo de Carvalho, orientador da família Bolsonaro, chamava chulamente o primeiro de “Punhetta”. Depois, porque, não obstante os alertas que fizeram e os esforços que encaminharam, viram se avolumar para mais de 405 mil os mortos pela doença no Brasil.

Nelson Teich: 'A vida é feita de escolhas e hoje escolhi sair' | Jovem Pan

O general da derrota
Embora a oitiva dos dois primeiros ministros tenha efetivo e merecido destaque, a expectativa maior diz respeito a amanhã, quando o rotundo general Eduardo Pazuello – que Jair Bolsonaro, mesmo sabendo das impossibilidades técnicas das quais o militar padece, pôs para sentar praça no Ministério da Saúde – deverá falar na CPI. Pazuello tem passado os últimos dias treinando respostas aos senadores, ensaiando saídas para situações vexatórias. Ele, que há poucos dias foi passear num shopping center em Manaus se máscara, sabe que vai enfrentar um pelotão de políticos bem formados e experientes. O problema do general não é só esse – que já seria muito se fosse único. O fato é que ele nunca viu uma trincheira e só participou de uma guerra: a guerra contra a pandemia. E, nessa guerra, Eduardo Pazuello levou para o túmulo mais de 350 mil brasileiros.

Lembre
Quando Luiz Henrique Mandetta foi demitido, em 16 de abril de 2020, o Brasil registrava 1.924 mortes pela covid-19. Quando chegou a vez de Nelson Teich pedir dispensa, em 15 de maio do ano passado, havia anotações de 10.585 óbitos pela doença. Importante ressaltar: Teich teria se demitido por se recusar, negando pressão de Bolsonaro, a manipular números da pandemia.

Ciências, números
Fala do autor do requerimento da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP): “Mandetta foi exonerado do cargo de ministro da Saúde justamente por defender as medidas de combate à doença recomendadas pela ciência. O presidente defendia mudanças nos protocolos de uso da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus, mas o Nelson Teich era contra. Infelizmente, sabemos o rumo que a gestão da pandemia tomou no País”.

O que vem depois
O presidente do Sistema Fecomércio Ceará, Maurício Filizola, se reuniu com representantes do Governo do Estado, do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da iniciativa privada para analisar as oportunidades de inovação por meio de um programa de integração entre as instituições. Há um olhar especial na superação de dificuldades no pós-pandemia.

Proteção
A Câmara dos Deputados deve votar amanhã projeto de lei que tipifica crimes contra o Estado Democrático de Direito. Para quem se preocupa com ameaças golpistas, a pauta é fundamental. O texto define crimes como o de insurreição, que será caracterizado como impedir ou restringir, com grave ameaça ou violência, o exercício de qualquer dos poderes legitimamente constituídos ou do Ministério Público. Também incorrerá no mesmo delito, correndo o risco de pegar até oito anos de xilindró, tentar alterar a ordem constitucional democrática. Há gente chamando a lei de “Daniel Silveira”. Faz sentido.

Livre voz
Em outro ponto, a proposta determina que não será crime a manifestação crítica aos poderes constituídos – e isso inclui o Executivo, contra o qual Bolsonaro não quer nem ouvir reclamações. A reivindicação de direitos e garantias constitucionais em passeatas, reuniões, greves, aglomerações ou qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais também não poderá ser caracterizada como ilegalidade.

Educação com prevenção
Numa só reunião, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia do Ceará aprovou nove projetos de lei e 31 projetos de indicação de parlamentares. Duas das propostas têm foco especial: a educação trata da inclusão, nas ações extracurriculares de ensino, de informações sobre prevenção do uso abusivo de álcool e outras drogas nas escolas da rede pública do Estado. Outra, cria a semana Lixo Zero nas instituições públicas de ensino do Ceará. Ambas são de Marcos Sobreira (PDT). As matérias vão agora para o plenário.

Assédio Político: Improbidade administrativa e corrupção! : Blog do Eliomar

Coluna da Hora
Recebo hoje o vereador Júlio Brizzi (PDT, foto) na live semanal Coluna da Hora, que faço no Instagram (@robertoamaciel). Relacionado às juventudes, Júlio é estreante no meio parlamentar, mas é um dos mais atuantes entre as bancadas da Câmara de Fortaleza. Começaremos nosso encontro às 18 horas.

Podcast
As entrevistas da Coluna da Hora também estão disponíveis em podcasts nas principais plataformas de áudio, com Spotify e Anchor.

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