Estações compactas são tendência na Cagece e em outras empresas de saneamento

As Estações de Tratamento de Esgoto projetadas em tamanhos mais compactos têm sido cada vez mais utilizadas pela empresa cearense Cagece, que responde pela rede pública no Estado, e por outras companhias de saneamento. Esta tendência é justificada não só pela redução de espaço, mas também por propiciar melhor controle operacional do sistema e menor impacto ambiental. A Cagece, atualmente, conta com diversas ETEs compactas de diferentes tecnologias, sendo a mais comum a associação de Reator UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket) com FSA (Filtros Submersos Aerados).

Para citar exemplos, as estações de Tratamento de Esgoto da Cagece em Viçosa do Ceará, Jericoacoara e Horizonte são do tipo compacta. Segundo o engenheiro projetista da Gerência de Projetos da Cagece, Leonardo Carvalho, os modelos compactos de Estações de Tratamento de Esgoto estão consolidados como padrão atual de ETE para construção.

Ronner Gondim, superintendente de Sustentabilidade da Companhia, explica que, diferente do tratamento realizado por estações do tipo Lagoa de Estabilização, com tempos de detenção na ordem de dias, no caso das ETEs compactas o tratamento dos efluentes acontece em questão de horas.

Leonardo Carvalho explica que as ETEs Compactas conseguem juntar tecnologias diferentes de tratamento de esgoto em um só sistema e são capazes de tratar grandes vazões, ocupando espaço reduzido em comparação a uma ETE Tradicional.

Além disso, Ronner Gondim ressalta ainda que os sistemas compactos oferecem facilidades tanto em sua operação quanto em sua manutenção. “Para realizar trabalhos mais sustentáveis, os sistemas compactos são melhores. Para controle do odor em lagoas de estabilização, por exemplo, é preciso antes confinar todo o sistema para tratar o mal cheiro. No sistema compacto, por ser normalmente confinado e com dimensões reduzidas, esse processo é muito mais simples”, afirma.

O engenheiro explica que as ETEs compactas da Cagece são padronizadas, o que também é tido como uma vantagem. “Quando se precisa trocar um operador ou fazer um treinamento, todos estão bem familiarizados com as mesmas tecnologias. Hoje nós conseguimos trocar um operador de uma ETE para outra sem que ele sinta que mudanças na operação”, afirma Leonardo Carvalho.

Outra vantagem das ETEs compactas é em relação ao descarte de lodo excedente. “Para fazer esse processo nas lagoas de estabilização é muito caro, podendo inclusive causar uma redução da eficiência do tratamento para possibilitar a dragagem dos sólidos sedimentados no fundo das unidades”, afirma Ronner Gondim.

No sistema das ETEs compactas, normalmente instaladas acima do solo, há descargas de fundo que direcionam o lodo para um sistema de secagem. Dali já é possível levar todo o resíduo para um aterro sanitário ou fazer um reaproveitamento desse lodo”, detalha o superintendente.

Diferente dos sistemas de tratamento de esgoto convencionais, que são enterrados, os sistemas compactos são aéreos, ou seja, construídos acima do solo. Essa é também considerada mais uma vantagem desse tipo de sistema, pois facilita serviços de manutenção e possibilita manobras operacionais, quando necessário.

Ronner Gondim explica ainda que os sistemas compactos, ao contrário das lagoas de estabilização, permitem maior controle operacional do processo e correção de problemas causados por alguma anomalia. “No sistema compacto também podemos facilmente expandir a capacidade de tratamento instalando uma unidade extra ao lado para trabalhar de forma paralela. Tudo isso oferece maior controle no tratamento”, declara.

Tecnologia

Tecnologia mais utilizada pela Cagece para tratamento de efluentes, a UASB na decomposição anaeróbia da matéria orgânica, acompanhada também de um tratamento aeróbio, processo comum nas lagoas de estabilização. Para a instalação das ETEs compactas, geralmente a Cagece conta com o direcionamento do próprio órgão de fiscalização ambiental, no caso a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

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