Especialistas alertam sobre riscos do “day trade”: como saber se é para você?

YouTube lança série com Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe! - Portal  Inteligemcia

O “day trade”, tipo de operação de compra e venda diária de ações e outros ativos na Bolsa de Valores, ganhou muita notoriedade nos últimos dias. Na modalidade, o lucro do negociante basicamente vem de comprar barato e vender mais caro ou o contrário: vender caro e comprar as mesmas ações novamente a um custo mais baixo. Mas esse tipo de operação é para todos?
 

O day trade é um investimento de alto risco. Um estudo encomendado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a Escola de Economia da FGV (EESP), divulgado no último ano, apontou que, dos milhares de perfis analisados, 92,1% desistiram das operações em menos de um ano. Dos que seguiram fazendo operações diárias por ao menos 300 pregões – 97% perderam dinheiro. Entre os 3% que tiverem lucro, 2,6% ganharam menos do que 300 reais por dia.
 

Para a especialista em planejamento financeiro pessoal e CEO da startup Me Poupe!, Nathalia Arcuri (foto), o day trade não é para desconhecedores. “Há muitos passos que precisam ser tomados antes de alguém começar nesse tipo de operação: é fundamental ter uma base em educação financeira muito sólida, ter uma reserva de emergência equivalente a 6 meses do seu custo de vida, ter experiência com aplicações de menor risco e muita disposição para estudar antes de começar a operar”, diz.
 

“Como não é possível determinar o quanto você ganhará no mês, por exemplo, o day trade exige um perfil mais agressivo de investidor, alguém que goste de correr risco e saiba lidar bem com perda de dinheiro. A pessoa pode perder muito ou ganhar muito. Não é uma modalidade para quem tem um perfil mais conservador. Para esses casos, faz mais sentido pensar em renda fixa, por exemplo”, completa Arcuri.
 

Para o professor de finanças e investidor há mais de 20 anos, Eduardo Mira, é analista CNPI e já foi trader, além de muito preparo, um trader precisa estar atento às notícias, ser capaz de analisar o cenário macro, prever movimentos, entender se o mercado ganhou ou perdeu volatilidade, por exemplo. “O day trade é democrático, não exige grandes tecnologias para começar, mas o primeira passo é estudar, comprar um livro ou buscar materiais gratuitos e sérios sobre o tema disponíveis na internet”, afirma. 
 

Outra maneira de aprender, segundo o professor Mira, é operar simulações. Algumas plataformas disponibilizam contas de demonstração, em que a pessoa pode operar com um valor fictício, mas no cenário real do mercado. “Quando a pessoa se tornar consistente nas simulações – ou seja, estiver ganhando mais do que perdendo -, o que pode levar alguns meses, só então deve começar a operar de verdade, ainda assim, recomendo começar com um valor baixo”, finaliza.

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