A digitalização do comércio no #Bras: fábricas do maior polo de moda da América Latina tentam acompanhar tecnologia

O Brás, bairro paulistano que há mais de 200 anos é sinônimo de venda no atacado e no varejo, com mais de 5 mil pontos comerciais, sendo responsável pela movimentação de aproximadamente 14 bilhões de reais por ano na comercialização de roupas, ainda não tinha grande afinidade com a modernização tecnológica.

Parte da sua indústria exige ainda muitos processos manuais e os investimentos necessários para uma mudança radical no modus operandi das lojas não pareciam ser uma prioridade. Os ônibus, ainda que tenham diminuído de quantidade, ainda chegam lotados e parte das “sacoleiras” que viaja para comprar na região, costuma fazer os pedidos de reposição por whatsapp.

Lojas e fábricas fechadas, equipes em casa aguardando agora a reabertura do comércio físico, estoques parados e rolos e mais rolos de tecido totalmente esquecidos num canto de estoque, acabaram por dar a oportunidade dos fabricantes tivessem a necessidade e o interesse real de resolver o problema. Compra e implantação de sistemas foram vistas em todas as grandes fábricas e a troca de gerentes e responsáveis que colocam dificuldades ao invés de ajudar na rápida mudança de modelo de operação, provavelmente serão um processo sem volta. Quem não se adaptar, não vai sobreviver.

Os caminhos da informatização passam pela digitalização de processos, desenvolvimento de ferramentas e políticas de Home Office para que os profissionais que trabalham de suas casas recebam uma orientação e diretrizes, igualmente adaptações da empresa na operação de lojas e fábricas, revisão de planos de negócios e realocação de verbas com base no novo momento. Todas estas necessidades,  promoveram uma rápida mudança de conceito. Com lojas fechadas, o lojista que não tinha seu e-commerce estruturado, não tinha opções para manter suas vendas, e essa possibilidade da cultura digital não era entendida por boa parte dos fabricantes, lojistas e funcionários.

“As fábricas do Brás, que já vendiam por whatsapp, buscaram fortalecer as vendas com a utilização da ferramenta, que já era uma realidade, mas não escala”, diz Viviane Marrese, que há 3 anos montou um Marketplace de venda de atacado com os fabricantes da região. Hoje, mais de 100 fabricantes já fazem parte do portfólio de sellers do Giro No Brás (gironobras.com) e o número vem aumentando diariamente. Quando questionada sobre a possibilidade de muitos mais lojas no portal, Viviane é categórica: a implantação de uma loja no Marketplace é uma solução simples, sem custo e somente é exigido do fabricante disciplina de execução para que as vendas aconteçam.

Por parte dos marketplaces, e isso não envolve apenas o Giro No Brás, existe um investimento, cada dia maior, em mídia digital, ferramentas de atendimento robotizadas, técnicas de atendimento e fidelização de clientes e uma estratégia de relacionamento através de inteligência artificial para impulsionar a venda de cada seller de acordo com o seu público alvo para o qual seu produto será ofertado.

Muitas vezes, os fabricantes questionam valores de comissão, mas aqueles que conseguirem entender a dinâmica de aprendizado do trabalho nos marketplaces para impulsionar inicialmente suas vendas e posteriormente permitir que cresçam seus próprios e-commerces, fará uma enorme diferença. “O mundo mudou e nós temos que reaprender a fazer negócio. Temos que olhar para o cenário de incertezas e criar possibilidades de consumo adequado ao novo momento. Chorar na porta da loja ou reclamar, não trará os clientes de volta. Fico feliz ao ver que as fábricas acordaram para esta nova realidade e estão correndo para acompanhar as mudanças. Quando eu comecei com um Marketplace, há quase 4 anos, o descrédito em relação ao meu investimento era grande. Tive que investir todos meus recursos próprios para que o negócio não fechasse por falta de investidores. Hoje, vejo que valeu a pena ter inovado no passado, criando um modelo disruptivo, que já prevê novas fases de implantação num modelo misto, pois a venda presencial, não vai deixar de existir”, relata a empreendedora.

O retorno das operações trouxe projetos que exigem estudos prévios de viabilidade, de implantação de sistemas e operações logísticas, desenvolvimento de rede de entregas e precisam ser executadas rapidamente. Quem se lembra do 20 anos em 5 está apenas vendo o futuro repetir o passado, mas com muito mais recursos e possibilidades.

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