Como as logtechs podem ajudar o setor de transportes a ser mais eficaz e sustentável?

Artigo de Federico Vega, CEO da empresa Cargo X.

“Quem é o comandante da transformação digital nas empresas, o CEO ou o CTO?”. Resposta correta: a Covid!”.

Conheça a startup que levou a tecnologia para o mercado de transportes -  Pequenas Empresas Grandes Negócios | Startups

A piada que circulou nos últimos tempos não poderia ser mais realista, especialmente para segmentos que já vinham intensificando o uso de tecnologia antes da pandemia.

O coronavírus acelerou a transformação digital em diversos setores a olhos vistos, mas um deles foi particularmente impactado e terá heranças positivas no pós-Covid tanto no aspecto econômico quanto no viés da sustentabilidade, um fator cada vez mais decisivo para não afastar consumidores e investidores.

O mercado de transportes e logística está atravessando uma rápida revolução tecnológica que veio envolver e conectar toda cadeia, do motorista de caminhão aos transportadores e embarcadores, da indústria ao varejo. Abastecidos com um arsenal tecnológico, empresas e profissionais da estrada buscam cada vez maior eficiência no planejamento das viagens, redução de custos e menor impacto ambiental.

O impulso das logtechs como reflexo do Covid tende a ganhar ainda maior força na medida em que o modal rodoviário passa a transacionar mais aceleradamente no mundo online e não só seguirá como o mais importante, mas inevitavelmente irá aumentar ainda mais sua participação, que foi de 60% em 2019, de acordo com a Confederação Nacional de Transportes.

O impacto econômico no setor logístico foi enorme no início da pandemia com o fechamento de fronteiras e as restrições para circulação, mas o transporte rodoviário, apesar das dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros com postos fechados e falta de infraestrutura nas estradas, conseguiu se manter ativo, garantindo a entrega de bens essenciais, como alimentos e insumos hospitalares. O comércio eletrônico explodiu e não enfrentou graves problemas de entrega mesmo durante os períodos de isolamento mais rígido.

A boa notícia é que a flexibilização já traz sinais de retomada. Ao longo de junho e julho, constatamos na Cargo X um aumento expressivo de 91% em relação a maio na oferta de cargas em nossa plataforma para serem transportadas pelas estradas brasileiras.

Um levantamento do Statista indicou que a indústria global de logística deverá sofrer uma redução média de 6,1%  em valor bruto adicionado este ano, com uma variação entre os países, partindo de uma queda de 0,9% na China a 18,1% na Itália. O mercado mundial de fretes deverá cair 7,5% em 2020 na comparação com o ano passado. A indústria da aviação foi a mais atingida, ainda segundo o estudo, com um declínio de 19% entre março de 2019 e março de 2020 no frete aéreo, apesar das regras para o transporte de cargas serem menos rígidas do que para o transporte de passageiros.

O modal aéreo provavelmente terá custos proibitivos depois da pandemia, jogando ainda mais querosene no rodoviário para o transporte das cargas no mercado doméstico. Sinal dos tempos, a situação nada promissora das companhias aéreas levou o investidor Warren Buffet a vender todas as suas posições acionárias em empresas do setor. “O mundo mudou e, mesmo com alguma recuperação, ainda haverá aviões demais”, disse ao justificar a decisão em um encontro do seu fundo Berkshire Hathaway.

Esta tempestade perfeita para as empresas de transporte rodoviário, um setor que já vinha quebrando a resistência na adoção de tecnologias, irá agora consolidar o digital como a única opção para assegurar competitividade e se manter na estrada.

Um dos vários gargalos logísticos que hoje já pode ser solucionado com a adoção de plataformas tecnológicas é promover o “match” entre embarcadores e transportadoras para racionalizar viagens, evitando as dead miles, percursos em que o caminhão está rodando completa ou parcialmente vazio. Segundo a NTC & Logística, o Brasil tem cerca de 2 milhões de caminhões em atividade com uma ociosidade de 60%, o que resulta num excesso de 300.000 caminhões nas estradas.

Uma solução online de marketplace de logística é capaz de derrubar substancialmente este desperdício financeiro e o impacto ambiental. Viagens melhor planejadas implicam em economia de consumo de combustível e redução da poluição atmosférica. Aqui na Cargo X, nosso sistema inteligente que conecta embarcadores e transportadoras evitou a emissão de 14 milhões de toneladas de dióxido de carbono no ano passado, um indicador muito bem recebido pelos investidores e clientes. Além de ajudar na preservação ambiental, a tecnologia aumenta o faturamento anual das transportadoras em até 30%.

IoT e 5G: caminhões conectados

Todos já sabem. Os dados se transformaram no petróleo do século 21, o combustível da economia digital. E no setor logístico ter acesso a dados e sistemas algorítmicos é crucial para melhorar a produtividade, reduzir gastos desnecessários e construir um mercado mais sustentável.

Os avanços nos sistemas de inteligência artificial tendem a tornar os dados ainda mais precisos e diversificados para o setor logístico, inclusive com o desenvolvimento e integração de soluções de IoT nos caminhões e smartphones cada vez mais poderosos nas mãos dos motoristas, tecnologias que ganharão ainda maior tração com a chegada da rede 5G.

Conectados à nuvem, os caminhões trocam dados em tempo real com as transportadoras e entre si sobre riscos potenciais, como eventos meteorológicos, roubos, interrupções de rotas, motoristas com comportamentos de direção perigosa ou trechos com alto índice de acidentes. De posse destes indicadores, as transportadoras têm mais informações para gerenciar a frota, diminuindo a ocorrência de sinistros e altos custos ocasionados por falta de manutenção preventiva dos veículos.

A hora dos caminhões elétricos

Conforme a sociedade passou a pressionar e a legislação apertou, inclusive com o acordo para cumprir as metas do Acordo de Paris, a indústria de caminhões no mundo também está correndo contra o tempo para produzir veículos movidos à combustíveis menos poluentes.

As norte-americanas Tesla, Nikola e Hyllion estão na disputa pelo novo mercado de caminhões elétricos, enquanto a Hyundai já tem um caminhão movido a hidrogênio que roda na Europa.

O modelo da Hyllion, por exemplo, tem um powertrain (conjunto motor-câmbio) elétrico que usa gás natural como gerador para carregar as baterias, o que confere uma autonomia de 1,6 mil quilômetros ao caminhão e uma produção de energia 30% mais barata que a das outras células de bateria, sobretudo a de hidrogênio.

O passo adiante dessa indústria é massificar a produção de veículos autônomos – em que apenas um motorista lideraria um comboio e, em condições normais, deixaria o próprio veículo no piloto automático, tendo mais tempo para descansar ou se dedicar a tarefas administrativas que só podia antes realizar com o caminhão estacionado.

A transformação digital e a busca por sustentabilidade no setor de logística e transportes é uma viagem de mão única. Clientes e investidores seguirão evitando se relacionar com marcas de produtos e serviços considerados agressores do planeta. É preciso ter a consciência que empresas inimigas do meio ambiente perderão mais e mais terreno para aquelas que legitimamente se preocupam com a causa ambiental e adotam práticas de preservação. E no mercado de cargas não será (já não está sendo) diferente.

Quem teimar em resistir, ficará pelo caminho.

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