Empresas se articulam para tentar reverter perdas da biodiversidade por meio de mudanças na economia

O mundo dos negócios lançou no Brasil a iniciativa Call to Action (Chamado para a Ação), que visa reunir empresas de todo o mundo em torno de ações voltadas para reverter as perdas de biodiversidade até 2030 por meio de transformações de ordem econômica e financeira. Organizada pela Business for Nature, coalizão global voltada para a integração de negócios e a preservação da natureza, a iniciativa no Brasil é liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), The Nature Conservancy (TNC), WWF e a Câmara de Comércio Internacional no Brasil (ICC Brasil) e já conta com a adesão de cerca de 30 grandes companhias com atuação no Brasil, como Anglo American, BRK Ambiental, Carrefour, Danone, Eletrobrás, Natura e Suzano.

O lançamento aconteceu no webinar ‘Construindo resiliência nos negócios’, que reuniu especialistas e lideranças empresariais. “Esse é um momento oportuno para traçar um caminho melhor para a recuperação desta crise, visando garantir o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, mais resiliente e sustentável”, disse Marina Grossi, presidente do CEBDS, na abertura do webinar.

“Estamos na década das ações. Até 2030, nossos compromissos são ambiciosos e precisamos agir agora se queremos promover transformação com escala, impacto e prosperidade social”, afirmou Gabriela Yamaguchi, diretora de Sociedade Engajada da WWF Brasil.

Moderador do debate, Bráulio Dias, professor da Universidade de Brasília e ex-secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), destacou alguns dados de perda de biodiversidade. No mundo, cerca de um milhão de espécies animais e vegetais estão hoje ameaçados de extinção. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos corais formadores de recifes e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão em perigo. “Corremos o risco de a degradação do planeta chegar no ponto de não-retorno”, alertou Dias, que hoje preside a ONG BirdLife Internacional.

“Essa iniciativa tem muito a ver com o negócio da BRK, que é uma empresa privada de saneamento. Nosso principal insumo é a água”, comentou Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, destacando a importância para o negócio do investimento em preservação do meio ambiente e redução do desperdício na rede de distribuição. “Hoje, há uma tremenda ineficiência, com cerca de 40% da água tratada se perdendo na rede de distribuição. Além disso, tem o desafio do tratamento do esgoto. Hoje, o Brasil despeja cerca de 6 mil piscinas olímpicas por dia de esgoto bruto em seus rios, lagoas, mares…”, completou a executiva.

O CEO da Suzano, Walter Schalka, chamou a atenção para a urgência das ações. “Temos que transformar agora”, disse o executivo, ao destacar metas da companhia do setor de árvores plantadas no Brasil. “Nós já somos carbono negativo. Mas definimos uma nova meta de sequestrar 40% de carbono até 2030. Na expansão da base florestal e na redução do consumo em nossas operações”, explicou Schalka. Segundo ele, a Suzano também planeja substituir 10 milhões de toneladas de plástico até 2030 e retirar 200 mil pessoas da linha da pobreza nas comunidades onde empresa atua, por meio da educação e da geração de renda local.

Diretora de Sustentabilidade Global da Natura, Denise Hills, apresentou a experiência da companhia brasileira de 20 anos de atuação na Amazônia e destacou o compromisso de zerar o desmatamento no bioma até 2025. “Precisamos garantir a preservação de uma das florestas mais ricas em biodiversidade do mundo e nossa experiência mostra que o desenvolvimento das cadeias de valor é uma estratégia assertiva”, sugeriu a executiva.

Já o vice-presidente de relações institucionais do Carrefour, Stéphane Engelhard, lembrou da influência cada vez maior do consumidor nas decisões de negócios e apontou a rastreabilidade como um instrumento eficiente de monitoramento e controle da produção. “O consumidor exerce um papel decisivo porque cada vez mais dá valor às questões sociais e ambientais. Como garantir que nossos produtos respeitam o meio ambiente e questões sociais, como relacionadas ao trabalho escravo, por exemplo? A rastreabilidade é uma ferramenta que pode apoiar nesse processo”, disse Engelhard.

Também participaram do webinar Gabriella Dorlhiac, diretora executiva da ICC Brazil, que destacou a necessidade de ações contundentes para conter a perda da biodiversidade, e Santiago Gowland, vice-presidente executivo América Latina e Inovação Global da The Nature Conservancy, além da jornalista Vanessa Adachi, que apoiou na moderação da discussão. As adesões das empresas interessadas em fazer parte da CTA poderão ser feitas até 1.⁰ de setembro, independentemente do porte ou área de atuação no site https://www.businessfornature.org/call-to-action.

Deixe uma resposta