Nova CPMF não será apenas digital, como diz Paulo Guedes, mas atingirá todas as transações financeiras

Informações do site Brasil 247 (www.brasil247.com) e da Agência Reuters. Leia a íntegra aqui:

A volta da CPMF, anunciada pelo ministro Paulo Guedes como um imposto apenas digital, atingirá, na verdade, todas as transações financeiras. “Para ser um tributo de base ampla, obviamente, ele não captura só as transações digitais, tem que capturar todas as transações da economia”, disse Vanessa Canado, durante o debate “E agora, Brasil?”. “Quando você torna a economia menos corpórea, a forma de rastrear essa economia, sem dúvida, é mais fácil por meio do fluxo de pagamentos”, afirmou ainda. A incerteza econômica fez com que, ontem, o dólar disparasse. Saiba mais:

SÃO PAULO (Reuters) – Os mercados brasileiros experimentaram novo dia de estresse nesta quarta-feira, e o dólar fechou em firme alta e acima de 5,60 reais, mais do que devolvendo a queda da véspera, diante da apreensão de investidores quanto ao futuro da agenda fiscal do país em meio a renovados temores quanto à posição de Paulo Guedes no Ministério da Economia.

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O dólar vinha tomando fôlego gradualmente ao longo da manhã, mas, pouco depois das 12h, arrancou em alta após o presidente Jair Bolsonaro dizer que havia rejeitado a proposta apresentada pelo Ministério da Economia para criação do programa Renda Brasil.

A proposta de criação do Renda Brasil, que estava no pacote de medidas de aceleração da economia apresentadas ao presidente pelo ministro Paulo Guedes, previa um benefício maior que o valor atual do Bolsa Família, mas seu financiamento viria do corte de outros programas sociais, como o abono salarial, o seguro-defeso e o Farmácia Popular. Bolsonaro descartou a possibilidade de abolir o abono salarial.

A fala de Bolsonaro, vista como desautorização pública ao ministro, amplificou a aparente queda de braço entre Guedes e a ala desenvolvimentista do governo. Ruídos entre os dois lados já haviam se intensificado nas últimas semanas, contribuindo para a saída do governo de importantes auxiliares do ministro da Economia e alimentando especulações sobre eventual substituição do chefe da pasta —com um dos nomes mais falados para seu lugar sendo o do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

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“Ele (Bolsonaro) não está dando saída para a equipe econômica”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management.

“A sinalização emitida (pelo presidente) não foi boa. Coloca de novo Paulo Guedes numa berlinda perigosa, bota o fiscal brasileiro numa berlinda perigosa. Essas coisas (aumento de gastos) têm efeito (econômico) de curto prazo bom, mas o efeito de longo prazo é péssimo”, completou, alertando sobre risco de inflação à frente.

Outros mercados também sentiram o mau humor. Nos juros, o DI janeiro 2023 foi à máxima do dia, de 4,21%, ante 3,93% do ajuste anterior. O DI janeiro 2025 saltou a 6,08% no pico, ante 5,75% do ajuste de terça-feira. O Ibovespa teve queda preliminar de 1,46%, depois de cair abaixo dos 100 mil pontos.

Os mercados como um todo saíram das mínimas da sessão depois de o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer que nenhum projeto que desrespeite o teto de gastos será votado na Casa.

A negativa do Ministério da Economia sobre coletiva do Paulo Guedes para pedido de demissão e notícias a respeito de algum espaço para renegociação dos termos da proposta da Economia para o Renda Brasil nos próximos dias também abriram espaço para algum ajuste positivo nos preços dos ativos.

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