Ascensão da tarefa remota pode causar prejuízos, afirma especialista em futuro do trabalho

Dan Schawbel, autor de best-seller do New York Times, aborda o tema em “De volta para as conexões humanas”, lançamento que chega ao Brasil pela Editora AlfaCon

Uma das poucas certezas resultantes das consequências geradas pela pandemia do COVID-19 é que ela terá um impacto duradouro sobre como as pessoas trabalharão daqui em diante. Depois que a pandemia foi declarada, muitas empresas têm tentado migrar rapidamente suas operações, cultura organizacional, estilo de gerenciamento e comunicações para o ambiente virtual.

Em um primeiro momento, funcionários viram a mudança como algo positivo, tanto pela flexibilidade como a possibilidade de trabalhar perto da família. Do lado dos empregadores, os benefícios ficaram por conta da redução de custos vinculada à possibilidade de eliminar gastos com aluguéis e contas fixas.

No entanto, com o passar dos meses, o conforto e a acomodação se transformaram em angústia, e trabalhar em casa já não tem sido a mesma experiência gratificante de antes. “Sempre se falou muito sobre a beleza de se trabalhar remotamente e a promessa da liberdade e flexibilidade de poder trabalhar quando e como quiser, mas ninguém realmente levou em conta problemas de solidão e isolamento que isso também traz”, afirma Dan Schawbel, especialista em futuro do trabalho e autor de “De volta para as conexões humanas” (“Back to Human”, no título original em Inglês), livro que está chegou ao Brasil em agosto e já está disponível para compra nas melhores livrarias, com tradução da Editora AlfaCon.

Schawbel aponta desvantagens para essa nova realidade de trabalho remoto. É mais difícil delimitar o tempo pessoal e o de trabalho, quando não se misturam. A sociabilidade também é outro ponto que pode ser negativo. Há uma eliminação da conversa natural do trabalho e as empresas consolidam assim o fim da discussão, da reflexão, da organização coletiva do trabalho.

Com isso, o trabalho remoto pode ser extremamente prejudicial para a produtividade de uma empresa, isso porque as pessoas que têm mais afinidade com os colegas de trabalho têm também mais probabilidade de se envolver em suas atividades, de acordo com um estudo já publicado na Harvard Business Review. “Ter amigos, conexões e relacionamentos em uma organização é uma âncora na empresa. Há menos razão para você sair porque você tem esses laços mais fortes. É como deixar uma família”, acrescenta Schawbel.

Em seu livro, ele destaca a ascensão do trabalho remoto como uma tendência potencialmente prejudicial para o trabalho moderno. Entre suas principais conclusões (em grande parte com base em entrevistas com gerentes de grandes empresas, como American Express e Intuit) é que, quanto mais trabalhamos separados, menos trabalhamos juntos, e isso pode prejudicar tanto nossa produtividade quanto nosso senso de comunidade.

Para resolver isso, Schawbel aponta que os funcionários precisarão intensificar sua comunicação, desenvolvendo hábitos para documentar as interações digitais para que outras equipes e superiores saibam o que está acontecendo. Muitas companhias tentam realizar nesse período de isolamento happy hours virtuais, onde é possível ficar mais próximo da intimidade dos funcionários e gestores; e esse pode ser o início de um caminho em que o vínculo seja o ponto de partida para o sucesso de uma empresa. 

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