Com a maior rede de hospitais públicos do Brasil, Ebserh, criada por Lula há 10 anos, faz balanço de ações contra a pandemia

Em 26 de fevereiro, o Ministério da Saúde divulgou o primeiro diagnóstico positivo de covid-19 no Brasil. A doença, causada por um novo coronavírus, impôs desafios para os sistemas de saúde do mundo inteiro, compreendendo instituições, profissionais e pesquisadores. No caso da Ebserh, que gere 40 hospitais universitários federais, formando profissionais de distintas áreas e tendo hospitais como espaços de prática, o desafio foi duplicado.

A rede Ebserh foi criada em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O sistema se mostra agora estratégico para salvar vida. Leia, a seguir, material sobre a rede de hospitais:

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“Durante esses seis meses de combate à Covid, a Rede Ebserh capacitou profissionais, apoiou o desenvolvimento de projetos de pesquisa que contribuem com o enfrentamento da doença e proporcionou atendimento de qualidade para a população, seja na linha de frente de combate à pandemia ou como retaguarda, permitindo condições adequadas para que hospitais pudessem atender pacientes confirmados ou com suspeita de infecção”, afirmou o presidente da estatal, Oswaldo Ferreira.

Nesse período, cada um vai colecionando histórias e deixando marcas por onde atuam. O cirurgião-geral, Artur Serra Neto, foi um dos primeiros profissionais com o diagnóstico confirmado para Covid-19 no Hospital Universitário da cidade de São Luís (HU-UFMA/Ebserh). Ele retornou às atividades depois dos 15 dias de isolamento domiciliar. Assim que voltou, participou como cirurgião auxiliar de um parto.

O que tornou o momento ainda mais especial para ele é que se tratava da primeira paciente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid que teve seu parto realizado no HU. A paciente, de 29 anos, grávida de 33 semanas, precisou ter seu parto antecipado por uma cesariana. Para ele, participar desse momento foi muito significativo. “A satisfação e a emoção foram muito grandes, por ter saído bem e totalmente recuperado do isolamento e poder retornar ao trabalho e contribuir em uma cirurgia que trouxe à vida a um pequeno ser”, afirmou.

Ações emergenciais

Para acompanhar a evolução da pandemia e oferecer vagas aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), nesses seis meses, a Rede Ebserh disponibilizou 1.877 leitos e ofereceu atendimento a mais de 40 mil pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença. A dona de casa Roselita Nascimento, de 52 anos, moradora de Camaragibe (PE), foi uma dessas pacientes. Egressa de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o estado de saúde de Roselita era grave e ela ficou internada 81 dias no Hospital das Clínicas do Recife (HC-UFPE/Ebserh). Desses, 52 dias foram na UTI especialmente montada para receber os pacientes com a Covid-19, sendo mais de três semanas usando respirador artificial. “Eu sou um milagre. Tive parada cardiorrespiratória de 20 minutos, trombose, perdi a função de um rim. Mas estou aqui para contar essa história e agradecer a Deus e a toda a equipe do HC”, relata Roselita.

Roselita contou com uma infraestrutura planejada especialmente para atender casos como o dela. Para isso, houve um planejamento amplo, feito de forma rápida e eficaz, com a coordenação da administração central, sendo essa uma realidade presente em todos os hospitais da Rede Ebserh. O diretor de Atenção à Saúde da Ebserh, Giuseppe Gatto, foi designado para supervisionar pessoalmente a implementação de Comitês de Operações Especiais (COE) nos hospitais da Rede, a fim de definir estratégias e ações em nível nacional. A Ebserh atuou ainda em parceria direta com os ministérios da Saúde e da Educação, com participação nos COEs desses órgãos, e adotou como diretriz o monitoramento da situação no país e nas 40 unidades hospitalares da Rede.

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Entre as ações realizadas pela Ebserh nesse período estão a disponibilização de recursos específicos para o combate à pandemia, a contratação emergencial de profissionais temporários, a promoção de atividades de saúde digital, a realização de capacitações online e presenciais, obedecendo os protocolos de segurança, e o incentivo e apoio a 236 pesquisas e estudos científicos.

“A Ebserh se dedicou à questão da Covid desde os primeiros momentos, tendo realizado a primeira reunião no dia 10 de janeiro. Nesse período, nós orientamos os hospitais e organizamos, com eles, os planos de contingência, a alocação de pessoal, a aquisição de equipamento e insumos. Hoje, nós contamos com quase dois mil leitos para atendimento Covid, sendo aproximadamente 700 de terapia intensiva. Também somos campo de prática para dois estudos para a produção de vacina e também de 236 projetos de pesquisa relacionado à Covid em toda a rede. Além disso, a Ebserh fez um trabalho integrado com as secretarias de saúde, que possibilitou colaborar com as necessidades do gestor local do SUS local”, afirmou o diretor de Atenção à Saúde da Rede Ebserh, Giuseppe Gatto.

Todos os avanços só foram possíveis pela dedicação dos mais de 50 mil trabalhadores da Rede Ebserh. Profissionais que deixam suas próprias vidas para se dedicarem à vida de tantos outros, como é o caso do cirurgião, Artur Serra Neto, citado no início da matéria. “A palavra que representa o que eu sinto é gratidão. Gratidão a Deus, à minha família e aos amigos, pela força que recebi durante esse período e pela oportunidade de ajudar com o meu trabalho outras pessoas que precisam”, finalizou.

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