O que levar em conta na hora de contratar e demitir pessoas?

Os motivos mais comuns para demissão por justa causa - Click Macaé ...

Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que cerca de 9 milhões de pessoas perderam seus empregos no segundo trimestre deste ano, quando a pandemia do novo coronavírus atingiu o seu pico no Brasil.

Este cenário evidencia o que muitos economistas já suspeitavam: do ponto de vista do mercado de trabalho, a crise instalada em 2020 deve levar muito tempo para passar e as empresas terão de lançar mão de todas as estratégias necessárias para garantir sua sobrevivência e um mínimo de competitividade. 

“Muitos líderes empresariais estão tendo de tomar decisões difíceis, priorizando ações, descontinuando projetos e produtos e demitindo pessoas e isso deve fazer parte da rotina desses gestores, especialmente nesse momento de adversidade”, alerta Marcus Marques, empreendedor e mentor em gestão para pequenas e médias empresas e criador do Acelerador Empresarial, programa que já impactou mais de 2.000 donos de negócios.

“Por outro lado, muitas empresas e segmentos estão passando por inúmeras transformações ao longo desses últimos meses, o que favorece o surgimento (e a criação) de novas oportunidades, o que faz com a demanda por talentos também se intensifique em determinadas áreas e nichos. 

Costumo dizer que a decisão de contratar alguém deve ser tomada com tanto ou mais critério em comparação com uma demissão, por exemplo. Isto porque tudo o que representa novos custos fixos deve ser visto com muita atenção pelas empresas, principalmente nesse momento de mais incertezas”, diz Marques.

Diante disso, quais critérios devem ser levados em conta na hora de contratar ou demitir alguém? Marques responde: “Não há treinamento que resolva um mau recrutamento. Por isso, eu defendo que a contratação seja feito devagar, avaliando se aquela nova vaga é realmente crucial para o momento da empresa. A partir do momento em que o empresário tem certeza de que aquela contratação é necessária, é preciso atentar para o processo seletivo, para que ele seja assertivo, criterioso e ajude a empresa a encontrar o melhor talento. Esse profissional realmente apresenta as habilidades técnicas e comportamentais buscadas? Contratar mal custa muito caro e esse é um erro que as organizações não devem cometer agora de jeito nenhum”.

Já no caso da demissão, a abordagem é diferente: quanto mais rapidamente a decisão for tomada, melhor. “Nesse momento de adversidade, acredito que as empresas que têm fôlego para manter os seus funcionários devem realmente evitar as demissões. No entanto, se você tem mesmo que demitir e já identificou quais são os profissionais que devem sair, o melhor é que essa decisão seja tomada imediatamente”, afirma Marques.

Para ele, a demissão não deve ser vista como algo apenas ruim ou que gera o sentimento de culpa nos líderes empresariais. “Claro que ninguém gosta de demitir alguém. Na verdade, ninguém contrata pensando em demitir. A filosofia é similar a do casamento. A gente casa para manter um relacionamento por muito tempo, para sempre até. Mas quando uma das partes não está feliz, pede separação. E quando a separação acontece, a responsabilidade é de ambas as partes. Pense que, ao demitir um profissional, você está pensando no bem-estar coletivo. O grande líder tem um olhar amplo, sistêmico, e não parcial. Além disso, em muitos casos, a demissão pode representar a alavancagem de carreira de um profissional”.

O empreendedor e mentor em gestão para pequenas e médias empresas acredita ainda que os talentos são essenciais para que as empresas se destaquem, possam competir e passem pelas adversidades. “Muitas empresas têm pensado só em sobrevivência, mas um mínimo de competitividade é essencial para que as elas sigam cumprindo o seu papel e saiam mais fortes desses tempos de adversidade”.

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