Especialista de recuperadora de crédito mostra armadilhas comuns nos contratos de financiamento


O momento de assinar o financiamento do carro novo exige calma e cautela. Apesar do calor do momento, é necessário parar e ler todas as cláusulas detalhadamente para não pagar taxas desnecessárias e até ilegais. Essa é a dica de um dos administradores da empresa recuperadora de crédito Corta Juros, Josuel Silva. A empresa recebe diariamente pessoas desesperadas para quitar dívidas intermináveis devido aos juros abusivos. “Culturalmente não se tem o hábito no nosso país de ler todas as cláusulas contratuais, onde constam taxas abusivas que o cliente não deveria pagar”, explica Silva.

Ele cita três principais armadilhas que costumam estar presentes nos contratos: TAC, TIR e Avaliação de Bem. Confira abaixo o que são e o porquê de não pagá-las.

TAC: é a Taxa de Abertura de Crédito. O especialista explica que esta cobrança foi extinta pelo Banco Central em 2008, mas frequentemente é imposta ao cliente. 

TIR: esta é a Taxa de Início de Relacionamento, ou de Cadastro. É o antigo TAC, mas com outro nome. Esta tarifa é ilegal por ser considerada responsabilidade do banco pagá-la, um exemplo é imaginar uma corrida de táxi em que são cobrados a corrida e o valor da gasolina. Este é um ato essencial ao financiamento concedido e o gasto não pode ser repassado ao consumidor

Avaliação de Bem: esta tarifa não pode ser cobrada para qualquer carro. No caso dos veículos usados é indevida. A taxa de juros mensal geralmente é cobrada pelos bancos somada ao retorno financeiro da concessionária, o que gera uma composição de juros. Com isso, o valor ultrapassa o permitido pelo Banco Central, de 12% ao ano, ou a taxa básica Selic, que hoje está em 2%.

Outra armadilha clássica, que coloca o cliente em uma bola de neve, são os refinanciamentos propostos pelos bancos. “Quase 60% das pessoas que iniciam um financiamento não terminam de pagar, pois há artimanhas como o refinanciamento que tornam esta dívida interminável”, revela o consultor. De acordo com ele, funciona assim: o banco oferece uma proposta de renegociação com mais juros mas com prazo maior para pagar. Com parcelas mais baixas, o cliente tem a falsa sensação de que está valendo a pena. “Em vez de pagar o financiamento em dois anos, ele paga em cinco, sendo que os bancos pode fazer outras propostas ao longo do tempo”, alerta. Portanto, ler todos os detalhes do contrato e calcular tudo o que está incluído nunca é demais.

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