Endividamento afeta qualidade de vida; saiba como melhorar a saúde financeira

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), indica que o percentual de famílias com dívidas atingiu 67,4% em julho de 2020, o maior nível da série histórica.

O levantamento mostra ainda que 26,3% de pessoas estão com dívidas ou contas em atraso. Quando se perde o controle dos gastos é grande o risco de se chegar ao chamado superendividamento.

Para o Banco Central, o superendividamento é “o resultado de um processo no qual indivíduos e famílias se encontram em dificuldade de pagar suas dívidas a ponto de afetar de maneira relevante e duradoura seu padrão de vida”.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) considera como superendividado quem comprometeu a renda de tal forma que não tem mais a capacidade de pagar suas dívidas e contas mais básicas, como alimentação e moradia.

Às vezes, as pessoas são surpreendidas por despesas comprometedoras: um tratamento dentário, de saúde, uma obra urgente, a perda da renda por desemprego inesperado ou afastamento temporário do trabalho, por exemplo.

Estas são algumas das situações possíveis que podem comprometer um orçamento, especialmente se não houver margem de manobra ou reservas de emergência.

Há maneiras de manter os custos equilibrados e melhorar a saúde financeira com muita organização.

Por isso, é importante estar atento e evitar o momento no qual as dívidas chegam ao ponto de bagunçar qualquer planejamento familiar ou pessoal e trazer consequências graves. 

Malefícios do superendividamento

Uma pesquisa realizada em conjunto pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e divulgada em março deste ano ouviu 600 consumidores brasileiros de diferentes raças, sexos, classes sociais e regiões que possuem conta em atraso por pelo menos três meses. Mais de 75% tiveram o padrão de vida comprometido, seja parcial ou totalmente.

Os entrevistados relataram impactos na saúde mental e na qualidade de vida dos inadimplentes: ansiedade, estresse e irritação, tristeza e desânimo, angústia. A vergonha foi citada mais pelas mulheres que entre os homens.

Além disso, sofreram impacto no sono – seja a insônia ou sono excessivo – e mesmo aumento ou diminuição do apetite. Para “esquecer” as consequências da inadimplência, pouco mais de 40% citaram que buscaram alívio em algum vício (cigarro, bebida, comida) e 24,7% confessaram que perderam o controle do consumo.

Prevenção e educação financeira

Para sair da confusão do superendividamento, a primeira providência é óbvia: organizar as finanças. Anotar todos os gastos ajuda a definir o que é realmente necessário e o que pode ser descartado, portanto, tornar-se uma economia.

Em seguida, a pessoa deve enumerar as dívidas em um ranking de urgência: seja porque se trata de uma necessidade básica ou por ser algo que consome a maior parte dos recursos.

O passo seguinte é buscar a renegociação de dívidas. Entrar em contato com os credores, estabelecer um plano para quitar as pendências, ver se há possibilidade de descontos ou corte de juros se um montante maior for pago – neste caso, uma possibilidade é o uso do 13º salário.

Tentar acabar com as dívidas com juros mais elevados, como as do cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, é primordial em função da sua capacidade de acúmulo. Uma opção para saldá-las, segundo especialistas, é recorrer ao empréstimo consignado, que tem taxas de juros menores.

A partir disso, é preciso educar-se financeiramente. Não adianta sair de um superendividamento para, mais à frente, se encontrar novamente nesta situação.

Um caminho é exercitar o consumo consciente, ou seja, buscar sempre avaliar a real necessidade de cada gasto.

Optar pelo pagamento à vista é outra boa prática, pois dá maior clareza às despesas. Muitas pessoas perdem a noção por causa do crédito e de muitas parcelas divididas em longo prazo.

No final, o importante é respeitar os próprios limites orçamentários, estabelecendo as despesas por prioridades, a partir das que não podem ficar descobertas.

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