O agronegócio na retomada

Artigo de Anessa Caparelli Santos, coordenadora regional da Câmara Americana de Comércio de Goiânia (Amcham-GO):

A covid-19 tem exercido um impacto, cada vez mais, significativo sobre a economia brasileira. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,5% no primeiro trimestre desse ano e, a expectativa é de uma queda ainda maior nos próximos meses. A retração afetou quase todos os setores, mas houve uma exceção: o agronegócio.

Na contramão dos demais, a cadeia produtiva agrícola e pecuária apresentou um crescimento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2019. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, entre fevereiro e abril de 2020, as vendas de soja e carnes para outros países somaram US$16 bilhões, um terço do total das exportações em geral. Nossos principais compradores foram da Ásia, como: China, Hong Kong e Macau.

Entre os fatores que contribuem para esse resultado, destaca-se a importância dos produtos de origem agrícola nos hábitos de consumo da população. Afinal, a prática do isolamento social não afeta a demanda por bens essenciais, como os alimentos, da forma que abala o comércio e serviços. Também é importante destacar o bom desempenho na safra de alguns produtos nesta temporada, como é o caso da soja, que atingiu nível recorde de produção.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a estimativa de colheita para essa temporada, que termina em agosto, é de mais de 126 milhões de toneladas de grãos. Um aumento 7,6% em relação à safra anterior. A expectativa é que o Brasil assuma o topo do ranking dos maiores produtores de soja do mundo, superando os Estados Unidos. Este resultado é um dos que justificam a estabilidade do setor em meio à crise generalizada.

Além da estabilidade da demanda, principalmente internacional, outros fatores têm contribuído para o sucesso do agronegócio. Os crescentes investimentos em tecnologia, como: a utilização de ferramentas que permitem mapear as zonas férteis do solo, prever as condições climáticas, reduzir o impacto das pragas, realizar colheitas automatizadas e gerenciar as finanças e logística das propriedades têm mostrado seus resultados positivos.

São iniciativas como essa que tornam o agronegócio tão promissor no país. Segundo o IBGE, o PIB referente ao setor deve fechar 2020 com alta de 2,5%. Resultado que é um incentivo à continuidade dos investimentos e à valorização da agricultura e pecuária, setores que ocuparão um espaço essencial na retomada econômica pós-pandemia.

Deixe uma resposta