Mesmo rendendo menos do que a inflação, poupança ainda é admirada por um terço dos brasileiros

De cada dez brasileiros, um terço (33%) afirma que a poupança ainda é um bom investimento, mesmo rendendo menos que a inflação, segundo pesquisa C6 Bank/Datafolha. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 0,24% em agosto de 2020. Já a poupança (considerando as aplicações feitas a partir de 4 de maio de 2012) rendeu 0,13% em agosto.

“Durante o Império, a poupança de fato era o investimento mais seguro do Brasil, porque havia uma garantia do Estado. Esse histórico ajuda a explicar a confiança dos brasileiros na aplicação. Hoje em dia, o panorama mudou. Outros produtos, como CDB e LCI, contam com a mesma garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) que a poupança tem”, diz Liao Yu Chieh, educador financeiro do C6 Bank.

Na pesquisa, que mediu a percepção dos brasileiros sobre investimentos, quase metade dos entrevistados (48%) afirmaram que não investiam antes de pandemia e que continuam sem guardar dinheiro. Entre os entrevistados menos escolarizados, esse percentual chega a 66%.

Por outro lado, 17% dizem que estão guardando mais dinheiro que antes. Esse percentual atinge 28% entre os brasileiros com ensino superior. A pesquisa também mostra que 11% estão economizando a mesma quantia e 7% continua investindo, mas aplicam um valor menor que do costumavam fazer. Do total de entrevistados, 15% relatam ter parado de guardar dinheiro por causa da pandemia.

Segundo o Datafolha, a pandemia parece não ter afetado tanto a parcela da população que já tinha o costume de poupar ou investir, visto que a maior parte dessas pessoas manteve ou aumentou o total que guarda habitualmente. No entanto, a situação se agrava quanto mais baixa é a escolaridade e o poder aquisitivo da população, indicando um possível efeito de aumento na desigualdade – os menos favorecidos já representavam a maioria entre que não tinham condições de poupar e, entre as pessoas com menor que conseguiam investir, parte perdeu a possibilidade.

Entre os entrevistados, 19% não souberam se posicionar sobre o tema investimentos, percentual que sobe para 32% entre as pessoas com ensino fundamental e entre os integrantes das classes D/E.

A pesquisa foi feita entre os dias 21 e 31 de agosto de 2020, com base em 1.536 entrevistas nas cinco regiões brasileiras. A margem de erro máxima para o total da amostra é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

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