O que esperar para Fortaleza em 2040?

Roberto Maciel e Eveline Frota

Fortaleza tem hoje população estimada de 2.686.612 habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – órgão federal encarregado, entre outras tarefas, de monitorar o desenvolvimento demográfico do País, dos estados e dos municípios.

Dez anos atrás, quando se realizou o censo mais recente, a cidade somava 2.452.185 moradores, ainda de acordo com o IBGE. Tendo em conta a taxa de evolução em uma década, representada em média por 234 mil novos moradores, é possível projetar que em 2040 haverá em torno de 3,155 mil pessoas na capital cearense.

Prêmio RioMar Mulher homenageia Cláudia Leitão - YouTube
Cláudia Leitão: “Um plano não pode estar fechado, pois está constantemente submetido a novas variáveis” (foto: YouTube)

Considerando esses dados, e relacionando-os às necessidades das comunidades urbanas, torna-se legítima e justificável a atenção que o poder público local e representações organizadas dos cidadãos devam dar não somente ao momento atual, mas também às pespectivas do município e aos elementos que assegurem sustentabilidade a segmentos diversos da sociedade. Não se trata de exercício e futurologia nem de apostas aleatórias, mas da formulação de modelos técnicos, com bases cientíticas experimentadas em situações distintas, para a prevenção de problemas e aplicação de políticas propositivas.

Nesse contexto, no entanto, a pandemia do novo coronavírus acabou se tornando marco numa série de movimentos políticos e administrativos em Fortaleza. É que a onda da covid-19 desabou sobre o mais profundo estudo que já se realizou sobre a cidade – o Plano Fortaleza 2040 -, determinando novos sentidos aos diagnósticos e sugestões que se pretendem fazer. Não é que tenha estancado os trabalhos, mas imposto novos olhares ao que se realiza e ao que se encontra.

O presidente do Instituto de Planejamento Urbano de Fortaleza (Iplanfor), órgão que responde pelo Fortaleza 2040 é taxativo em referência à importância da estratégia: “A cidade tem de pensar o futuro e se transformar nessa perspectiva, de ser mais justa, mais humana, mais produtiva, policentralizada, menos desigual”, disse Eudoro Santana.

A professora Cláudia Leitão, diretora do Observatório de Governança Municipal do Iplanfor, reforça a análise de Eudoro Santana, destacando o Plano Fortaleza 2040. “Não se trata de um plano só da Prefeitura, mas de toda a cidade. Foi construído por todos os setores, por milhares de fortalezenses. A cidade foi consultada, houve uma oitiva e continua havendo”, explica. ”A primeira questão, então, é justamente que o planejamento é um ato contínuo. Um plano não pode estar fechado, pois está constantemente submetido a novas variáveis”.

A avaliação não se limita a Fortaleza. “Isso serve tanto para cá quanto para Singapura ou uma cidade do Interior dos Estados Unidos. Afinal, essa é uma realidade planetária”, acrescenta Cláudia.

O fato é que, não havendo nas duas próximas décadas episódios graves ou relevantes de explosão demográfica ou, em oposto, de perda populacional, incluindo por razões sanitárias e migrações expressivas, pode-se calcular que as pressões sobre serviços públicos como educação, saúde, infraestrutura e transportes, entre outros, terão acréscimo de pelo menos 10% em relação ao que se tem hoje, aplicando aqui os dados do IBGE. E que isso deve representar a mesma taxa de crescimento de despesas, numa equação com conceito razoavelmente simples. O desnivelamento desses fatores é sinônimo de miséria – algo com que concordam todas as escolas econômicas.

*** *** ***

Uma cidade e suas posições

O IBGE destaca que em 2018, em Fortaleza, “o salário médio mensal era de 2,8 salários mínimos”. Segundo o órgão, a proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 32,1%. Na comparação com os outros municípios do estado, a capital “ocupava as posições 3 de 184 e 3 de 184, respectivamente”.

Já em comparação com cidades de todo o Brasil, Fortaleza ficava na posição 299 de 5.570 e 378 de 5.570, respectivamente. Proporcionalmente, então, a localização da cidade nesse desenho nacional é semelhante à que tem no quadro estadual.

Também é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística a informação de que “considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, (Fortaleza) tinha (em 2018) 36,9% da população nessas condições, o que o colocava na posição 184 de 184 dentre as cidades do estado e na posição 3.197 de 5.570 dentre as cidades do Brasil”.

O PIB per capital em Fortaleza é, de acordo com o IBGE, de R$ 23.436,66. Assim, a proporção por pessoa de todos os bens e serviços produzidos coloca a capital do Ceará na 1.816ª posição entre as 5.570 cidades do Brasil.

Leia mais:

  • Como o planejamento pode (e deve) ser estratégico para as gestões e seus públicos – https://portalinvestne.com/?p=37429
  • O que esperar para Fortaleza em 2040? – https://portalinvestne.com/?p=37432
  • Um “muro de vergonha virtual” divide Fortaleza – https://portalinvestne.com/?p=37439
  • CadUnico: ferramenta para inclusão social – https://portalinvestne.com/?p=37443
  • A Governança Territorial na pauta do planejamento de Fortaleza – https://portalinvestne.com/?p=37448

Deixe uma resposta