Fintechs impulsionam o recrutamento de profissionais mais experientes

Startups costumam ser associadas à geração mais nova por serem disruptivas. Porém, algumas fintechs estão seguindo o caminho contrário, priorizando a formação de equipes mais maduras para compor seus negócios. Em uma área em que 58% das empresas não atingem o ponto de começarem a ter lucro, segundo levantamento da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), esses negócios tendem a se beneficiar da bagagem de profissionais mais experientes, podendo escalar de forma mais rápida com tecnologias que, diante dos requisitos de saúde e segurança impostos pela pandemia, atraem cada vez mais pessoas a confiarem suas finanças a um aplicativo. 

A tendência começou a ser seguida pela Payface, startup de tecnologia que usa de reconhecimento facial para proporcionar um pagamento fácil em varejos físicos. “A visão financeira estratégica dentro de uma fintech é fundamental, por isso que, desde o início da empresa, pensamos em adquirir lideranças com experiências e qualificações técnicas compatíveis com as necessidades financeiras dos nossos clientes”, ressalta o CEO, Eládio Isoppo.

Com 13 funcionários, sendo nove deles com mais de 30 e três com mais de 40 anos, o momento é estratégico para o crescimento da empresa, que propõe ampliar a sua atuação nos próximos anos dentro e fora do Brasil. Fundada em 2018, a solução conecta o rosto de cada usuário com o meio de pagamento associado, oferecendo uma compra rápida, segura e sem toque.

A maioria dos negócios priorizaram equipes relacionadas à tecnologia, constituídas por profissionais abaixo dos 40 anos. A estrutura desse mercado de trabalho foi pensada para um mundo em que a base da pirâmide etária, formada por esses jovens, era muito maior. No entanto, o cenário contrasta com o contexto global de envelhecimento da sociedade: hoje, as duas pontas da pirâmide estão equilibradas. 

Ex-aluno da Harvard Business School, com mais de duas décadas na área de finanças e operações e seis anos atuando como mentor e investidor-anjo de startups, José Capito decidiu buscar novos desafios na startup brasileira. Atraído pelo propósito do negócio, foi na Payface que encontrou um novo caminho ao retornar pro Brasil no final de 2019, após três anos trabalhando como CFO de uma startup no Vale do Silício.

“Devemos desmistificar questões sobre o tamanho de empresa e idade de atuação. No meu ponto de vista isso não é relevante. O importante em qualquer organização que queira ser bem sucedida é que os profissionais tenham fit com o time e apresentem devida competência”, conta Capito, que há um mês assumiu o cargo de CFO da fintech, ficando à frente da expansão de novos negócios e do preparo da empresa para as próximas rodadas de investimento.

Com 41 anos de idade, Jeferson Leandro Kortbein é outro exemplo de profissional sênior à frente de uma startup. Formado em Administração de Empresas pela Universidade da Região de Joinville, ele  trabalhou em um dos maiores bancos do país por 14 anos, passando por diferentes funções de liderança e, hoje, ocupa o cargo de CFO do Asaas.  “Considerando que vim de um ambiente corporativo conservador, inicialmente levei um choque positivo de um novo modelo de cultura e dinamismo. Unindo todo o aprendizado que adquiri nos anos em que estive no banco, junto com o pensamento de administrador e inovador inquieto que sempre esteve comigo, tenho aplicado diariamente boa parte de meus conhecimentos no Asaas”, comenta.

Kortbein entrou na fintech de Joinville em 2014, já no cargo de direção financeira. De 2016 a 2018, atuou como diretor comercial e, há dois anos, retornou para a função de CFO. Para ele, a sua experiência enquanto sênior traz ganhos para diversas frentes da empresa, desde a área comercial e financeira até questões de redes de contato, negociações e parcerias. “Esses profissionais contribuem com o conhecimento que trazem de suas experiências anteriores, ajudam no aceleramento, ganho de tempo em aprendizado, e trazem seriedade  e responsabilidade que se faz necessária nesse modelo de negócio”, reforça o CFO do Asaas.

Além das fintechs, o envelhecimento da população exige que mais empresas estejam de olho na contratação de profissionais maduros. Daqui a 20 anos, a estimativa é que 57% dos brasileiros ativos no mercado de trabalho terão 45 anos ou mais, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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