A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 3.12): 2020 – O Ano Que não Vai Terminar

Devemos lembrar Zuenir e os vendavais de 1968

O ano de 2020 não está sendo, definitivamente, para brincadeira. Não mesmo. Quem se der a analisar esses dias turbulentos, certamente poderá lembrar muito de um livro do jornalista Zuenir Ventura, “1968 – O Ano que Não Terminou” (ilustro esta nota com algumas capas, destacando o interesse que o trabalho proporcionou e proporciona para o mercado editorial). Trata-se de um relato interessantíssimo de quem viveu os tensos e transformadores anos 1960, nos quais o mundo meio que virou de cabeça para baixo em costumes (todos!) e considerações (todas!). Mais do que isso, pode ser considerado também um ajuste de contas. Afinal, o autor se viu como qualquer pessoa da época apanhado por um redemoinho ora poético, ora sangrento, ora firme, ora suave, ora acusador e perseguidor, ora protetor e solidário. Tudo isso migrou para 2020, não há dúvidas. Perdemos muito. Tanto agora quanto 52 anos atrás. E temos muitas contas a ajustar.

Ontem e hoje
Se em 1968 houve torturas, perseguições, prisões arbitrárias, exílios, assassinatos, este ano já somamos quase 175 mil pessoas mortas pela pandemia da covid-19. Se em 1968 tínhamos governantes que haviam tomado o poder à força, com tanques e metralhadoras, temos agora governantes que – inspirados pela ferocidade sanguinolenta dos de outrora – tomaram o poder com manobras judiciais, mentiras espalhadas na rede de computadores e manipulação de consciências.

“Um vírus nas relações espúrias entre políticos e empresários”
Trecho do prefácio que merece nota – serve para o presente e o passado: “Há muito também que recuperar da experiência. O melhor de seu legado não está nos gestos e ações, às vezes desesperados, mas na ética e na paixão com que aqueles jovens arriscaram a vida defendendo um projeto, enquanto experimentavam os limites de todos os horizontes — políticos, existenciais, comportamentais, sexuais —, sonhando em aproximá-los todos. O que mais impressionava o psicanalista Hélio Pellegrino, um tipo inesquecível daquela e de outras épocas, era ‘o sentido ético’, que tanta falta faz nestes tempos em que a Lava Jato está expondo as vísceras dos podres poderes de um país onde a corrupção se infiltrou como um vírus nas relações espúrias entre políticos e empresários, atingindo representantes de todas as instâncias — Executivo, Legislativo, Judiciário”.

Listão

Damião Feliciano – Wikipédia, a enciclopédia livre


Nas contas do deputado Damião Feliciano (PDT-PB) há 223 projetos em análise no Congresso sobre racismo. Damião, político preto, preside a externa da Câmara federal que acompanha as investigações sobre o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte por seguranças de um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre (RS). Segundo ele, é importante que os deputados aprovem mudanças logo. Já terá sido tarde, convenhamos.

Lados
Delegados da Polícia Federal e especialistas internacionais em lavagem de dinheiro têm divergido sobre a necessidade de mudanças na legislação brasileira. Policiais acham que a lei vigente é adequada e eficiente. Já autoridades mundiais sugerem que o País incorpore recomendações de organismos internacionais, como o Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro – criado em 1990 criar políticas nacionais e internacionais de combate à lavagem de dinheiro.

Pergunta que não quer calar
Lavar dinheiro de “rachadinhas” com a compra de imóveis vale?

A rachadinha e os fantasmas | Blog da Cris

A lacuna
Observe-se que o “o sentido ético” que falta foi o que marcou justamente a operação Lava Jato e o que caracteriza o comportamento de seus articuladores e executores. Expôs as vísceras de um padrão que, acenando com a bandeira da honestidade, sujou o que mais o cidadão espera que seja imaculado: a Justiça.

Live
Sempre às terças e quintas-feiras eu e a jornalista Eveline Frota fazemos lives no Instagram, com a marca “Coluna da Hora”. Iniciamos às 17h, em encontros com internautas que duram uma hora. Pode-se acessar e participar da Coluna da Hora no Instagram pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel.

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