A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 29.12): A democracia trucidada

Marielle e Anderson: tiros contra a democracia

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Completam-se hoje 1.031 dias do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL, acima), no Rio de Janeiro, vítima de emboscada com o motorista do Gabinete dela, Anderson Gomes. O crime não só atentou contra a vida de uma representante do cidadão – se fosse isso, já seria demais. Marielle tinha representatividade além das convenções: trabalhadora, feminista, preta, de esquerda, lésbica e favelada. Era, portanto, a oposição viva a um modelo político que se agarra às estruturas de poder e delas se nutre e avança contra direitos sociais. Os tiros que mataram Marielle e Anderson, disparados por milicianos, conforme a polícia fluminense apurou, acertaram em cheio a democracia. Dois ex-policiais foram presos pelo crime. Um deles, que se acha recolhido a uma penitenciária federal, vem se queixado de que está “jurado para morrer”. Ronnie Lessa, esse é o nome do criminoso, morava no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro, na cidade do Rio.

O que se vê
E, num país em que criminosos rondam o poder achando que tudo se resolve a tiros, onde chega-se a eliminar totalmente a carga tributária de armas trazidas de outros países, a execução de Marielle Franco e de Anderson Gomes, somada a tanto tempo sem que se chegue aos mandantes, ingressa no campo do escárnio. E se acosta a outros episódios igualmente graves, em que se ressalta a tipificação do feminicídio. Abaixo, você vê uma capa do site de notícias G1 com chamadas para matérias que tratam do tema – abordando fatos graves.

O que se ouve
Há uma vereadora na Câmara de Fortaleza, de baixíssima produção legislativa, chamada Priscila Costa. É uma parlamentar bolsonarista, filiada ao PSC. Ela diz que cotas raciais, recursos do Estado contra a exclusão, são “inúteis”. E ataca violentamente as lutas das mulheres, até questionando ações públicas voltadas contra o feminicídio – alegando, histrionicamente, que homens sofrem mais violência do que as mulheres.

O que se lê
Há um deputado na Assembleia do Ceará, de baixíssima produção legislativa, chamado André Fernandes. É um parlamentar bolsonarista, filiado ao Republicanos. Ele diz que cotas raciais são “inúteis”. E ataca violentamente as lutas das mulheres, questionando ações públicas voltadas contra o feminicídio – alegando que homens sofrem mais violência do que as mulheres. Na visão deformada que tem, “homicídio” define o assassinato de homem e feminicídio de fêmea.

O que se vocifera
Nos últimos dias, causou náuseas uma série de manifestações do juiz Rodrigo de Azevedo Costa, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que numa audiência desdenhou da Lei Maria da Penha e até sugeriu que poderia tirar da mãe a guarda de uma criança. “Se tem Lei Maria da Penha contra a mãe, eu não tô nem aí. Uma coisa eu aprendi na vida de juiz: ‘ninguém agride ninguém de graça’”, disse.

Data

Também completam-se nesta terça-feira, 29 de dezembro, 11 meses do diagnóstico do primeiro caso de covid-19. Em 29 de janeiro passado, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou a ocorrência. Mandetta propunha rigor em medidas para conter a doença, mas caiu, assim como caiu sucessor dele. Caíram porque contrariaram os interesses do presidente da República. O coronavírus, com o apoio decisivo do negacionismo, da ignorância, do oportunismo, da irresponsabilidade e da fúria genocida, venceu olimpicamente. E já ceifou 191,5 mil vidas brasileiras.

Ruim é apelido

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Setenta e dois por cento dos brasileiros dizem que 2020 foi um ano ruim para si e suas famílias. O dado está na pesquisa Global Advisor 2021 Predictions, apurada pela empresa Ipsos desde 2012. No histórico do levantamento, o percentual de brasileiros insatisfeitos com o ano que termina nunca foi tão alto. De 2019 para 2020, o crescimento foi de 10 pontos percentuais.

Insatisfação
Diz o estudo que em 2012 pouco mais da metade dos respondentes no país (52%) consideraram que o ano tinha sido ruim. Em 2013, o índice teve ligeiro declínio (50%). Os dados voltaram a ser colhidos em 2016, quando 67% dos brasileiros qualificaram o ano como ruim. Em 2017, eram 64% insatisfeitos, que caíram para 59% em 2018 e alcançaram o patamar de 62% no ano passado.

Estamos em lives
Às terças e quintas, eu e a jornalista Eveline Frota realizamos lives no Instagram, com a marca “Coluna da Hora”. Iniciamos às 18 horas, em encontros com internautas que duram uma hora. Pode-se acessar e participar da Coluna da Hora no Instagram pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel. Também temos na plataforma YouTube o canal Coluna da Hora. Lá, há uma série de entrevistas com personalidades interessantes da vida local. A mais recente traz o procurador do Trabalho Antônio Lima.

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