Frequência escolar de jovens no Ceará cresce no terceiro trimestre de 2020, apesar da #covid19

Os indicadores de frequência escolar no Ceará, no terceiro trimestre de 2020, mostram forte crescimento da proporção de jovens entre 15 e 29 anos frequentando a escola em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A variação foi de 8%, ou seja, subiu de 36,7% para 39,7%. Já na faixa de 15 a 17 anos, a evolução foi de 4,6%, saindo de 90,8% para 95% em um período de 12 meses e de 13,7% no longo prazo: de 83,5% no terceiro trimestre de 2012 para 95% em igual período este ano. Já quando se restringe aos jovens de 15 a 17 anos frequentando o ensino médio, a taxa de frequência escolar líquida tem crescimento ainda maior: a variação, em 12 meses (entre o terceiro trimestre de 2019 e o terceiro trimestre de 2020) foi de 9,2%, saindo de 67,8% para 74%.

No longo prazo, o crescimento foi de 37,6%, ou seja, de 53,8% em 2012T3 para 74% em 2020T3. O estudo também revela que a proporção de jovens de 15 a 17 anos que completaram o ensino fundamental cresceu 5,9% entre 2019T3 e 2020T3, enquanto a proporção de jovens entre 18 e 29 que completaram o ensino médio cresceu 9,7% no mesmo período. Os números integram o Boletim Trimestral da Juventude, publicado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), órgão da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Estado.

No entanto, o trabalho constatou um crescimento na taxa de analfabetismo entre os jovens no curto prazo. A proporção saiu de 1,7% para 1,8% entre 2019T3 e 2020T3, correspondendo a um crescimento de 3%. Porém, a variação de longo prazo indica uma redução de 42% no indicador. O crescimento da proporção de jovens entre 18 e 29 anos com ensino superior completo cresceu 28,6% no curto prazo, saindo de 14,3% em 2019T3 para 18,3% em 2020T3. No longo prazo, essa proporção mais do que dobrou, saindo de 8,8% em 2012T3 para 18,3 em 2020T3. Houve uma elevação no número médio de anos de estudos de 3,5% no curto prazo (entre 2019T3 e 2020T3) e de 14,3% no longo prazo (entre 2012T3 e 2020T3), alcançando uma média de 11,6 anos de estudos. Esse valor médio está muito próximo da média nacional que é de 11,8, e é superior a média regional de 11,2 anos de estudo.

MERCADO DE TRABALHO

O estudo também mostra que os indicadores de mercado de trabalho para os jovens seguiram sendo fortemente afetados pela pandemia de COVID-19 no 3º trimestre de 2020. A proporção de jovens fora da força de trabalho que havia chegado a 57% em 2020T2, recuou para 54% em 2020T3. No entanto, esse valor cresceu 23,2% em um período de 12 meses, saindo de 44% em 2019T3 para 54% em 2020T3. Já com relação a taxa de desocupação, a proporção cresceu 23,5% no curto prazo, saindo de 20,4% em 2019T3 para 25,2% em 2020T3. O crescimento foi substancial entre os jovens de 15 a 17 anos (75,5%) e entre os jovens de 25 a 29 anos (53,1%). No entanto, o Ceará ainda permanece com uma taxa de desocupação menor que a média nacional (27%) e regional (31,7%).

SEM ESCOLA E SEM OCUPAÇÃO

De acordo com o trabalho do Ipece, elaborado pelo analista de Políticas Públicas Victor Hugo de Oliveira, os indicadores de jovens fora da escola e sem ocupação continuaram apresentando forte oscilação no período da pandemia de Covid-19. O número de jovens de 15 a 29 anos fora da escola e sem ocupação foi de 730.159 no 3º trimestre de 2020. Nesse período, esta mesma proporção chegou a 33,9%, apresentando uma redução de 3,2 pontos percentuais em relação ao 2º trimestre do mesmo ano. Apesar dessa melhora, a variação em 12 meses (com respeito a 2019T3) mostra um crescimento de 21,2%.

Na faixa etária de 15 a 17 anos, percebe-se uma queda de 40,2% nesse indicador, saindo de 7,5% em 2019T3 para 4,5% em 2020T3, fruto do aumento considerável da proporção de jovens nessa faixa etária frequentando a escola. Já a proporção de jovens fora da escola e sem ocupação cresceu 19,7% entre os jovens de 18 a 24 anos, e de 34,1% entre os jovens de 25 a 29 anos entre 2019T3 e 2020T3. O crescimento foi maior entre os jovens do sexo masculino (29,2%), enquanto as jovens do sexo feminino apresentaram variação de curto prazo menor, mas substancial (15,4%). A proporção de jovens fora da escola e sem ocupação cresceu 27,4% entre os jovens brancos no período dos últimos 12 meses, enquanto essa variação foi 15,3% entre pardos/negros e 2,5% entre indígenas e asiáticos.

Acesse aqui o novo Boletim da Juventude.

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