IPCA deve ficar entre 4,35% e 4,38%, aponta especialista

O IBGE divulga amanhã (terça-feira, 12 de janeiro) o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a análise da professora do Mestrado Profissional em Controladoria e Finanças da Fipecafi, Luciana Machado, aponta que o indicador deve ficar entre 4,35% e 4,38%. Após um ano cheio de desafios por conta da pandemia, a expectativa para 2021 é que outros fatores também gerem impacto nos preços.

A especialista explica os motivos envolvidos na previsão do resultado do IPCA. “Essa expectativa está situada acima da meta central, que era de 4% para o ano que passou. Ao longo do ano, devido à pandemia e crise decorrente dela, houve queda na estimativa de inflação. Ao final do ano, com a reabertura do comércio e retomada, houve aumento de preços – além de alta do dólar. A recente adoção de bandeira vermelha para contas de energia elétrica, no mês de dezembro, também impulsiona a previsão do IPCA”, ressaltou.

Os setores mais impactados pelo IPCA devem permanecer similares aos de meses anteriores, além disso, com a pandemia, muitas coisas mudaram e isso afetou também os preços, gerando possíveis altas. “Os setores mais afetados, assim como no ano que se encerrou, devem ser, principalmente, o de alimentos e bebidas. A desvalorização do real frente ao dólar também deve continuar exercendo pressão – e aumentando – preços em grupos de bens duráveis. Durante a pandemia, alguns ajustes de preços previstos não ocorreram no setor educacional, de planos de saúde e algumas tarifas públicas – como de transporte. Esses ajustes devem ocorrer em 2021, provocando alta de preços”, explicou a professora da Fipecafi.

Para Machado, o impacto nos setores não foi uniforme, a exemplo do que aconteceu com o de bens e serviços. “Se os efeitos da pandemia dispersarem mais lentamente e houver ociosidade no setor de serviços, a tendência é que ele sofra menos com a alta de preços no ano que se inicia. Os programas de manutenção de renda adotados pelo governo auxiliaram o setor de bens e serviços, mantendo-o aquecido. De outro lado, o setor de serviços foi fortemente afetado pelas medidas de distanciamento social. Assim, pode-se dizer que os efeitos da pandemia – e consequentes impactos nos preços – atingiram os setores de maneira não uniforme. Esse padrão deve manter-se em uma possível retomada”, explicou.

Outros fatores, além da pandemia, também podem influenciar o resultado do IPCA em 2021. “A pandemia afetou (e afeta) diretamente o aumento ou queda de consumo. Apesar do ano atípico que enfrentamos em 2020 e da esperança de retomada econômica sustentável, há algumas variáveis que podem segurar a inflação de preços em 2021. Ainda enfrentamos nível alto de desemprego e há o encerramento do auxílio emergencial, fatores que reduzem o poder de compra dos brasileiros, de forma geral. Alterações na balança comercial, variações na taxa de câmbio e possíveis movimentos da taxa de juros básica (Selic) também poderão impactar o IPCA ao longo do ano de 2021”, destacou.

Para que nem os consumidores nem as empresas sofram pelos impactos relacionados aos preços, a especialista afirma que “as autoridades monetárias provavelmente vão começar a se preocupar com o aumento do custo de vida e potencial perda de poder aquisitivo em 2021. Espera-se também alguns ajustes fiscais e continuidade de reformas. Segundo posicionamento do próprio Banco Central, referente à última reunião do COPOM, “o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária””, finalizou Luciana Machado.

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