A Coluna do Roberto Maciel (quinta-feira, 14.1): O tempo cobra uma pesada fatura

A Folha e o jornalismo de qualidade – o nó do tempo
Palanque ou picadeiro de seguidos defensores da extinção da obrigatoriedade do diploma de nível superior para o exercício do jornalismo, o jornal Folha de S. Paulo foi, por muitos e muitos anos, estandarte de quem pleiteava esse corte profundo. A Folha, em distintos editoriais, se posicionou pela tese de que jornalistas não precisam de graduação específica para trabalhar. A pressão foi abraçada por entidades como o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo, Ministério Público Federal, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e o Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB.

Universidade, para Gilmar Mendes, “não é meio idôneo”

STF quer jornalistas diplomados; cozinheiros não servem – Conversa de Balcão

Aliado notório dos tucanos no meio judiciário, foi o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes (foto acima) quem, em junho de 2009, bateu o derradeiro prego no esquife do diploma. Ele escreveu o seguinte: “A formação específica em cursos de jornalismo não é meio idôneo para evitar eventuais riscos à coletividade ou danos a terceiros”. Constituiu assim um nítido discurso em oposição não apenas ao jornalismo, mas ao conhecimento acadêmico.

Os cozinheiros e os jornalistas
Gilmar Mendes foi mais além, ingressando no escárnio ou no non sense: “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores”.

As consequências
Leia, agora, o que a Folha de S. Paulo publicou nesta semana: “O acesso ao jornalismo profissional de qualidade reduz consideravelmente a chance de um eleitor acreditar em fake news, mostra pesquisa inédita conduzida em São Paulo, em novembro e dezembro. O trabalho foi feito por cientistas políticos das universidades da Carolina do Norte – Charlotte (EUA), federal de Minas Gerais (UFMG) e federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com a Folha e a consultoria Quaest”. A pesquisa submeteu notícias verdadeiras e falsas a entrevistados de faixas sociais distintas. Continua a Folha: “A deliberada divulgação de notícias falsas tem sido apontada por especialistas como grande risco ao processo democrático”.

Provando do próprio veneno
Perceba, caro leitor: a Folha de S. Paulo está vivenciando, como outros órgãos da imprensa convencional, a rápida corrosão de seu alicerce de leitores. Enfrenta não só a concorrência de manipuladores de informações que manejam fake news na Internet, mas a retórica orquestrada de gente como o presidente Jair Bolsonaro – ele mesmo um distribuidor frequente de notícias falsas, contra quem também pesa investigação sobre um pretenso “Gabinete do Ódio”, que funcionaria no Palácio do Planalto. A Folha, que tanto fez para acabar com o jornalismo de qualidade, tem de manchetear agora uma pesquisa que sublinha o quanto foi nociva. A Folha bebe da cicuta que preparou.

Adulação

Fábio Reis derrota Bosco Costa na disputa pela Bancada Sergipana – Hora News

Bolsonarista que é, o deputado Fábio Reis (MDB-SE, foto acima) pôs sob análise na Câmara federal projeto com o qual quer isentar do pagamento de IPI pela compra de carros novos os agentes de segurança pública. Fábio quer adular os policiais. Segundo ele, a categoria, “ao contrário da maioria da população, que foi convidada a permanecer em casa para se proteger do novo coronavírus”, se expôs em defesa da sociedade. O sergipano não lembrou de fazer a mesma cortesia para profissionais de saúde.

Blindagem
Tramita na Câmara federal projeto que define a necessidade expressa de identificação do dolo ou da culpa na conduta do agente público para que ele seja submetido a processo administrativo. Sabe quem assina a proposta? O governo de Jair Bolsonaro. O texto foi encaminhado pelo ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A isso se chama autodefesa. Paulo Guedes teme ser processado por manobras que toma como ministro. Péssimo sinal, mas esclarecedor.

Puxa o fole
O surreal que é a gestão bolsonaresca, entre o ridículo, a má-fé e o trágico, mostrou mais uma vez a que veio. Vale dar uma escutada no que diz o ministro do Turismo, um desafinado e desastrado sanfoneiro que, sabe-se lá como, foi parar no poder:

Lives
Às terças e quintas-feiras, eu e a jornalista Eveline Frota fazemos lives no Instagram, com a marca “Coluna da Hora”, a partir das 18 horas. Os encontros duram uma hora e o internauta pode acessar e participar pelos perfis @evefrota ou @robertoamaciel. Também mantemos no YouTube o canal Coluna da Hora. Lá, há entrevistas com interessantes personalidades. A mais recente traz a vereadora Larissa Gaspar (PT) e está no ar.

Sua opinião vale demais
O leitor e a leitora podem fazer contato com o Portal InvestNE. Nosso e-mail é portalinvestne@gmail.com e o número de WhatsApp é +55 85 99855 9789.

Deixe uma resposta