BC mantém Selic em 2%, mas indica alteração na avaliação do ambiente inflacionário

Artigo de Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos:

Camila Abdelmalack - Economista-Chefe - Veedha Investimentos | LinkedIn

O Banco Central manteve a Selic em 2%. Mas, retirou o “forward guidance” o que indica que uma alteração na avaliação do ambiente inflacionário.

A instituição havia acenado para a possibilidade de retirada desse instrumento na última reunião de política monetária em 2020 (dezembro). No entanto, sinalizou que isso não indicaria uma elevação imediata da Selic na reunião subsequente.

O instrumento foi retirado pelo fato das projeções de inflação do Banco Central estarem muito próximas da meta no horizonte relevante para política monetária (2021 e 2022).

Agora, o Copom volta a ponderar os riscos inflacionários pelo tradicional “Balanço de Riscos”, onde o risco fiscal (devido à ausência de progresso das reformas econômica) segue elevado e criando assimetria.

A Veedha vem alertando desde o último trimestre de 2020 para a possibilidade da taxa de juros encerrar 2021 acima dos 3,25% projetado pelo mercado no relatório Focus. Consideramos elevada a chance da Selic encerrar o ano num patamar acima de 4%. Isso deriva das expectativas de apatia do Congresso Nacional com a agenda de reformas e das incertezas quanto à condução da política fiscal (com o apelo para retomar o auxílio emergencial).

Embora a atividade econômica fraca não justifique uma pressão na demanda, o IPCA acumulado em 12 meses irá acelerar ao longo do 1° semestre por uma questão de base (o 1° semestre tinha um carrego deflacionário do ápice da crise e o 2° semestre concentrou a retomada da atividade e a pressão de alimentação e bens industrializados) e, nesse momento (ao redor de maio), se houver um cenário político ruim (sem progresso para as contas públicas), o Banco Central pode ficar refém da situação de uma possível desancoragem nas expectativas inflacionárias e iniciar a elevação da Selic.

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