A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 26.01): Até o instinto bélico tem de ser organizado

Na cabeça de Bolsonaro, as guerras precedem batalhas. E isso não tem como dar certo…

O presidente Jair Bolsonaro tem dado sinais abundantes de que pretende chegar a 2022, ano em que poderá tentar a reeleição, com a discussão sobre a disputa nas urnas esgotada. Ou semi-esgotada. Nesse esforço, vem repetidamente buscando espicaçar adversários – ou pretensos adversários – e, quando não tem êxito, ataca a própria sociedade. Bolsonaro mostra, assim, o completo despreparo que tem para os tratos próprios da democracia, assim como a estupenda incapacidade de elaborar estratégias inteligentes. E deixa desnuda a já exposta ignorância em assuntos vários, independentemente de serem complexos ou delicados ou de serem familiares, políticos ou profissionais.

Os alvos
Não se sabe se essa conduta pode gerar algum dividendo para ele, mas é compatível com o estilo desastrado e desastroso que imprime nas relações que tem. Bolsonaro já atacou governadores e prefeitos, não perde chance de xingar o PT, hostiliza presidentes de outros países, dispara imprecações contra nações inteiras, se abespinha com mulheres, homossexuais e negros, pressiona minorias, achincalha quem o questiona. Convenhamos, o mesmo comportamento deplorável que tinha quando era um deputado de quinta categoria se mantém agora quando é presidente – numa categoria similar. O ex-capitão não padece, portanto, de flexibilizações de caráter. É o que sempre foi.

Aliados sem substância

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O fato é que, mantendo-se assim, Bolsonaro dá ao desgaste político condições de roer-lhe os calcanhares. Ele mesmo joga contra o pequeno e questionável patrimônio que tem – expresso em números esquálidos divulgados por recentes pesquisas de opinião. Francamente, não se pode esperar que uma borra política como Allan dos Santos, Bia Kicis, Carla Zambelli, Sarah Winter (foto), Olavo de Carvalho, Caio Coppola e Rodrigo Constantino dê ao presidente da República a sustentação moral que é merecida por quem ocupa cargo tão honroso.

Narciso picado pela mosca azul
O que é possível é que Jair Bolsonaro tenha se deixado encantar pela sorte eleitoral que obteve em 2018. Deve, certamente, desconsiderar as condições históricas que o beneficiaram na disputa com Fernando Haddad (SP). Deve achar, e isso não espantaria, que a ação orquestrada pelo PSDB e Michel Temer, Folha de S. Paulo, redes Record, Globo, Bandeirantes e Jovem Pan, Sérgio Moro e Eduardo Cunha, PGR e Fiesp não importou no impedimento da presidenta Dilma Rousseff e na prisão por dois anos, sem nenhum argumento jurídico sólido, do ex-presidente Lula. Deve achar que foi somente o discurso “patriótico” dele – pincelado de preconceitos, violências verbais, sotaques belicosos e fascistas – que convenceu a massa de eleitores a escolhê-lo e aos filhos para comandar o País.

O padrinho não pode mais fazer carinhos
Na ilusão de que é um líder, Bolsonaro por certo não percebeu ainda que o padrinho que tinha nas mesas internacionais, Donald Trump, resigna-se agora em remoer, recolhido num luxuoso condomínio dos EUA, a rejeição que o norte-americano lhe impôs. Aliás, Trump tem se mantido quietinho porque sabe que é melhor não fazer muito zoada nem chamar atenção. A discrição pode fazer a diferença entre estar livre e ver o sol nascer quadrado.

Enésima

Pedro Matos assume mandato na CMFor « Câmara Municipal de Fortaleza

Como costuma acontecer a cada início de temporada legislativa, apareceu este ano um novato na Câmara dos vereadores de Fortaleza para, mais uma vez, por em tramitação um projeto que cria a disciplina de empreendedorismo nas escolas públicas locais. O mico agora está sendo pago pelo tucano Pedro Gomes de Matos, um proto-bolsonarista que é suplente de Reginauro Souza – afastado por motivos de saúde. A proposta sempre é feita, sempre é aprovada, mas nunca é implementada.

Momento crucial
O primeiro mês de 2022 se aproxima de terminar. Quando o Carnaval chegar, Bolsonaro já estará amargando – ou não – o resultado das eleições no Senado e na Câmara dos Deputados. Ter parlamentares aliados no comando das duas casas é vital para ele – teria sido vital também uma ação efetiva e afirmativa contra a pandemia da covid-19 e a carnificina que o coronavírus causou no Brasil todo. Se respeitar os estamentos da democracia, o que não costuma fazer, ter ou não ter esse apoio lhe será importantíssimo para a construção de projetos eleitorais.

O buraco é mais embaixo
O ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, atribuiu ao que chama de “problemas burocráticos” e de “elevada demanda internacional” o atraso na liberação de 2 milhões de vacinas prontas do laboratório AstraZeneca e do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da Sinovac e da AstraZeneca, já adquiridos pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz na China e na Índia. Ernesto Araújo é o olavista adulador que não tem nem o respeito dos colegas do Itamaraty, mas se mantém no cargo porque Jair Bolsonaro não entende nada de relações internacionais.

Solução
O Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde, se aliou ao Sopai Hospital Infantil Filantrópico, de Fortaleza, e vai promover a partir de fevereiro cerca de 2,7 mil cirurgias de hérnia e fimose, em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos de idade, encaminhadas pelo sistema de regulação estadual. Mais de R$ 3,5 milhões serão aplicados nessa ação.

A turma do contra
O vereador Julierme Sena, que um dia quis invadir o hospital de campanha de Prefeitura de Fortaleza no estádio Presidente Vargas, pegando corda do presidente Bolsonaro, quer que o município estabeleça projeto de fomento de atividades físicas para pessoas com mais de 60 anos de idade. Faz sentido. Mas Julierme, é bom que se saiba, integra um pensamento político que é contra, por exemplo, reformas na Beira-Mar, ciclofaixas e ciclovias. É um pessoal que diz que isso custa muito dinheiro.

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