Até quando as fronteiras com os EUA ficarão fechadas?

A Casa Branca confirmou que o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, voltará a proibir por meio de ordem executiva a entrada da maioria de viajantes não americanos e não residentes nos EUA que chegam do Brasil, Reino, Irlanda e 26 países europeus do Espaço Schengen. Desde maio de 2020, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) vetou a entrada de viajantes internacionais (com raras exceções) provenientes destes países, que que concentram grandes focos da pandemia da covid-19.

O fim das restrições de viagens foi anunciado de forma surpreendente pelo ex-presidente Donald Trump, a dois do final de seu mandato, e começariam a valer a partir de 26 de janeiro de 2021. No entanto, no próprio dia em que a medida foi aprovada a equipe de Joe Biden declarou a imprensa que não aprovava esta decisão 

Desta maneira, brasileiros que desejam viajar para os Estados Unidos, mas não se enquadram nas exceções estipuladas pela lei americana, continuam precisando fazer “quarentena” de pelo menos 14 dias em outro país livre das mesmas restrições para só então solicitarem a entrada em território americano. Além disso, como também divulgado em medida recente, é necessário agora apresentar resultado negativo de teste de covid-19 feito 3 dias antes da viagem para poder embarcar para os EUA. 

Embora a decisão do governo Biden esteja embasada pelas autoridades de saúde dos EUA, o novo presidente deve encontrar grande resistência por parte de setores vitais da sociedade americana pela reabertura das fronteiras, que desde o ano passado sofrem com a ausência de cidadãos dos países vetados, em especial os da China e do Brasil, que tradicionalmente estão entre as nações que mais enviam turistas, estudantes e trabalhadores temporários (não imigrantes) aos Estados Unidos. 

“A pressão em cima de Biden deve vir, principalmente da indústria do turismo, que representa cerca de 2.8% do PIB americano, e está entre as mais importantes e lucrativas do país. Aproximadamente 77 milhões de pessoas visitam os EUA anualmente. Entretanto, com a chegada da pandemia da Covid-19 em 2020, todos os indicadores de turismo caíram vertiginosamente, gerando grave prejuízo e demissões em praticamente toda a indústria do turismo no país” – declarou Rodrigo Costa, CEO da AG Immigration, empresa especializada em vistos e green card para os Estados Unidos. 

Para se ter uma ideia, em 2019 o turismo gerou 712 bilhões de dólares, enquanto em 2020, devido a pandemia, este número diminuiu para 396,37 bilhões. Uma queda de 42.1%. Sobre este tópico, Rodrigo Costa, que também é especialista em investimentos e mercado de trabalho, comentou: 

“O governo Biden sabe que precisa recuperar o lucro gerado pelo turismo, assim como os empregos perdidos durante o ano passado, e para isso terá não somente que implementar e reforçar medidas sanitárias, como as que já estão em prática nos parques da Flórida, mas também conseguir, eventualmente, repensar a decisão de manter as fronteiras fechadas  para países que tradicionalmente gastam muito dinheiro com turismo nos EUA, como o Brasil e a China.. Com certeza a indústria americana do turismo só irá se recuperar plenamente com a reabertura da fronteira com estes países”. 

Além disso, as universidades de ensino superior e cursos de inglês também devem pressionar o governo pela reabertura das fronteiras com os países vetados. Aproximadamente 12% dos estudantes estrangeiros na América são chineses, e o Brasil é responsável por 5% de todos os estudantes internacionais que chegam ao país. 

Além da perda de receita imediata, as principais instituições de ensino dos Estados Unidos temem que novos estudantes dos países vetados encontrem alternativas de estudos em outros mercados, como Nova Zelândia e Canadá, que não possuem as mesmas restrições americanas, tanto para a entrada no país quanto para a obtenção de um visto de estudo, lembrando que a Embaixada e Consulados americanos no Brasil continuam fechados para emissão de tais vistos. 

A reabertura das fronteiras para quem deseja estudar nos EUA deve ser, portanto, preocupação do novo presidente, já que muitos que vão aos EUA estudar acabam posteriormente ficando no país e, consequentemente, fazendo parte importante do mercado de trabalho americano. “Em um mundo onde cada vez mais se valoriza o capital intelectual, a retenção de estudantes internacionais também deve ser considerada prioridade pelos novos mandatários do país”, destacou Rodrigo Costa.

Por fim, com a pausa na emissão de vistos das autoridades consulares americanas no Brasil desde o ano passado, devido a pandemia, milhares de brasileiros não tiveram a oportunidade de solicitar vistos de trabalho temporários, que servem para que um profissional estrangeiro trabalhe nos EUA por um tempo determinado em uma empresa Americana. Muitos destes vistos já haviam sido inclusive congelados durante o governo Trump, antes da pandemia. Entre eles, os vistos H1-B, H-2B, H-4, e o L-1. 

Calcula-se que mais de 240 mil estrangeiros tenham deixado de ser contratados por empresas na América desde que a medida foi aprovada. Tamanha restrição gerou revolta entre as grandes companhias americanas, especialmente aquelas que trabalham com tecnologia de ponta, segmento que sempre necessita de profissionais estrangeiros. Como os pedidos de suspensão desta medida não foram ouvidos durante o governo Trump, a expectativa é que a pressão agora recaia para que o novo presidente não apenas reverta esta decisão, como também reabra as fronteiras para a entrada destes profissionais estrangeiros qualificados nos EUA. 

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