10 milhões de empreendedores no Brasil: como eles vão sobreviver?

Dados do Sebrae indicam que, entre os anos de 2009 a 2018, o número de microempreendedores individuais (MEI) saltou de zero para 7,7 milhões. Nos quatro primeiros meses de 2020, o Ministério da Economia registrou mais de 10 milhões de microempreendedores no país.

Esses dados revelam um processo contínuo de uma nova configuração de trabalho que precisa ser avaliada, de forma mais detalhada. A seguir, você conhecerá qual é o panorama atual do MEI no Brasil e de que forma ele reflete nas tendências econômicas.

Número de MEI por estado

Fonte: Ministério da Economia

Nível de escolaridade do microempreendedor individual

Desde que o programa de incentivo à formalização do trabalho foi lançado, uma série de avanços pode ser identificada. No que diz respeito à escolaridade, o Sebrae informou que, em 2019, a proporção de MEI com curso superior aumentou 31%.

Os microempreendedores que concluíram o Ensino Médio representam 39% da categoria. Por fim, 31% dos MEIs possuem, no máximo, o Ensino Fundamental completo.

Principais atividades econômicas exercidas

O Portal do Empreendedor, site oficial do MEI, disponibiliza uma lista com 468 ocupações que podem ser exercidas pelos MEIs.  De acordo com as estatísticas do Ministério da Economia, as categorias a seguir são as que contam com maior número de registro:

Cabeleireiro, manicure e pedicure779.834
Comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios735.051
Obras de alvenaria442.529

Fonte: Portal do Empreendedor

Atividades econômicas por sexo e idade

A participação de homens no contexto do MEI corresponde a 57%.  A participação do sexo feminino é mais frequente em atividades relacionadas a beleza e corresponde 95,9%.

A segunda posição é ocupada por mulheres que atuam em serviços domésticos, o que corresponde a 95,6% e a terceira, por microempreendedoras que atuam na  fabricação de artigos de vestuário (94,8%)

A idade média do microempreendedor é 42 anos. Pessoas com 29 anos ou menos representam 15% do MEI, 31% têm idade entre 30 e 39 anos. Trabalhadores entre 40 e 49 anos correspondem a 28%.  Quem tem mais de 50 anos representa 26%.

Local de trabalho

A residência é o principal local de trabalho da maioria dos microempreendedores do Brasil, o que corresponde a 40%. Quem trabalha em um estabelecimento comercial representa 28%.

MEIs que exercem suas atividades na casa do cliente representam 17%. Os que trabalham na rua correspondem a 11%. 3% dos microempreendedores atuam em outros locais diversos.

Motivos da formalização

O principal motivo da regularização de atividades de microempreendedores individuais envolve o acesso aos benefícios do INSS (26%).  A possibilidade de emitir nota fiscal é a justificativa da formalização de 12% dos MEIs.

MEI e Educação Financeira

A educação financeira para MEI é um dos temas que mais merecem a atenção, tanto dos profissionais, quanto dos órgãos que apoiam a formalização do trabalho. Os dados do Sebrae revelam que 77% nunca fez um curso de administração financeira.

Renda familiar: Em relação à renda familiar do MEI, o Sebrae apontou que 55% dos trabalhadores recebem até 4 salários mínimos.

Gestão de caixa: Mais de 2/3 dos microempreendedores individuais não sabem gerir o fluxo de caixa do seu negócio. 68% dos profissionais desconhecem o saldo de caixa do mês seguinte.

Registro de despesas e receitas: Quase metade dos microempreendedores anotam suas receitas e despesas em cadernos. Apenas 1/5 dos profissionais dispõem de uma planilha no computador e 1/3 não realiza nenhum tipo de registro.

Acompanhamento de saldo: Cerca de 1/3 dos MEIs não verifica o saldo de dinheiro do negócio e não tem controle de movimentações em caixa ou conta corrente. 52% tem o hábito de checar o saldo semanalmente.

Impactos da formalização do MEI no acesso a crédito

Em média, 16% dos microempreendedores pedem empréstimo como pessoa jurídica. Os bancos mais procurados são a Caixa Econômica Federal (22%) e o Banco do Brasil (19%).

O que esse panorama revela?

O panorama atual do MEI no Brasil reflete as mudanças pelas quais o mercado de trabalho tem passado. Acesso à educação, autoestima financeira e autonomia estão entre os principais fatores de incentivo à formalização. A facilidade na hora de pedir um empréstimo pessoal para gerar capital, também.

No entanto, assumir o controle sobre as finanças do negócio continua sendo um desafio. Como esse é um dos elementos determinantes para o sucesso do microempreendedor, é fundamental que sejam desenvolvidas maneiras de fortalecimento desse aspecto.

Um dos caminhos possíveis é estimular o MEI a estudar mais sobre educação financeira e conhecer as possibilidades de acesso ao crédito. Com isso, os ganhos serão consideráveis e isso servirá como inspiração para que mais empreendedores conquistem o mercado.

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