Número de pessoas com obesidade mais que dobra no Brasil em uma década

SAÚDE VASCULAR - Sobrepeso e obesidade na pandemia da Covid-19 - DHoje  Interior

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, feita em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que a proporção de obesos com 20 anos ou mais de idade mais do que dobrou no Brasil, desde 2003. O percentual de pessoas com obesidade passou de 12,2% para 26,8%. Nesse período, a obesidade em mulheres subiu de 14,5% para 30,2%. Já o público masculino passou de 9,6% para 22,8% de pessoas com obesidade.

De acordo com a nutricionista Bruna Nascimento, do Núcleo de Oncologia e Hematologia do Ceará (NOHC), os números são preocupantes. Segundo a especialista, a porcentagem superior das mulheres em relação aos homens não evita que o público masculino deixe de ficar atento aos riscos trazidos pela obesidade mórbida, quando o índice de massa corporal (IMC) está acima de 30 kg/m². “Naturalmente as mulheres possuem um percentual de gordura maior que o dos homens. Isso se dá pela a atuação de alguns hormônios, como o estrógeno e a progesterona que, também, estão associados à retenção de líquido na mulher, sem falar no período menstrual, o qual acaba desregulando a atuação hormonal, fazendo com que as mulheres comam mais e, assim, tenham uma tendência maior em acumular gordura. O homem, também, precisa estar atento porque a gordura concentrada na região abdominal pode ser mais perigosa por estar associada a doenças cardiovasculares.”, explica a nutricionista.

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais anos de idade no Brasil está obesa, o equivalente a 41 milhões de pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número de obesos no mundo, até 2025, será de 700 milhões de pessoas. Para alertar a população para os riscos provocados pela doença crônica, foi instituído o Dia Mundial da Obesidade.

“No mundo inteiro são realizadas campanhas e alertas para prevenir a obesidade. Aqui no Brasil, ganham destaque a atuação de algumas entidades brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Nessa data nós reforçamos os cuidados para a prevenção dessa doença crônica, principalmente, na fase da infância e da adolescência, à atenção ao cálculo do índice de massa corporal, ao estilo de vida das pessoas e, claro, ao tratamento que a pessoa obesa necessita.”, explica a nutricionista. 

Bruna alerta para os cuidados que um indivíduo deve ter para sair do estado de obesidade mórbida. Segundo a especialista, é possível tratar essa doença mudando alguns hábitos para mais saudáveis e com ajuda de uma equipe multidisciplinar. “O mais importante é prevenir, mas depois que a doença está instalada, o paciente deve, o quanto antes, procurar profissionais especializados. O tratamento da obesidade é multiprofissional, onde há a contribuição de vários profissionais que vão orientar, de uma forma individualizada, cada paciente e orientá-lo a seguir o caminho mais seguro para tratar a obesidade. O mais importante é que o paciente sinta-se acolhido nesse momento.”, alerta a especialista.

Fatores de risco relacionados à obesidade

Alto índice de massa corporal

Alta pressão arterial

Tabagismo

Alto índice de glicose no sangue em jejum

Riscos nutricionais

Uso de álcool

Desnutrição

Colesterol (LDL) alto

Disfunções renais

Poluição do ar

Riscos ocupacionais

Deixe uma resposta