Cacique Pequena, líder indígena cearense, é homenageada em campanha mundial do Google

O protagonismo feminino está presente em diversos momentos marcantes da história. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, reconhecido pelas Nações Unidas na data 8 de março, o Google selecionou mulheres inovadoras que lutaram para conquistar seu espaço no cenário mundial. Na campanha, First of Many — Women’s History Month 2021, a plataforma lança um vídeo que celebra marcos de mulheres do passado e do presente, desde a primeira mulher a quebrar a barreira do som até todas aquelas que continuam quebrando o teto de vidro. 

Junto a nomes como Marie-Cure, primeira mulher a ganhar prêmio Nobel, Junko Tabei, primeira mulher a escalar o Monte Everest, Madam C.J. Walker (Sarah Breedlove), Oprah Winfrey, Beyoncé, Tracee Ellis Royce, está a cearense Maria de Lourdes da Conceição Alves, a Cacique Pequena, que há 25 anos, se tornou a primeira mulher a quebrar a tradição da sucessão masculina nas aldeias indígenas, representando o povo Jenipapo-Kanindé, no município de Aquiraz.  

Para Cacique Pequena, é gratificante receber esse reconhecimento por toda a sua luta. “Estou muito feliz, sou a primeira Cacique mulher do Brasil e estou sendo reconhecida no mundo inteiro por essa homenagem feita pelo Google. Isso pra mim é muito importante, estar no meio das mulheres mais importantes do mundo, mulheres guerreiras, poderosas e que trabalham pelo seu povo. É uma grande honra e eu agradeço também ao Sesc por abrir espaço para nós, os povos indígenas”, afirma.  

A história da Cacique também se entrelaça com os Projetos Povos do Mar e Herança Nativa, do Sesc Ceará, que mostram a cultura de diversos povos do estado. A partir de uma Comunicação que cria conteúdo dando protagonismo a quem de fato realiza, a Cacique tem sido uma figura constante nos materiais produzidos pelo Sistema Fecomércio. “Pensar na Cacique Pequena enquanto liderança e dar voz, presença, contar sua história, tem sido uma narrativa frequente da nossa Comunicação”, explica Raquel Barros, coordenadora geral de comunicação e Marketing do Sistema Fecomércio.  

Em reconhecimento a essa trajetória, o Google inseriu a Mestra da Cultura, Mestre do Mundo e Doutora da Mata no projeto de homenagem a notáveis primeiras mulheres que transformaram a sociedade ao longo dos anos a partir de um conteúdo de audiovisual produzido pelo Sesc Ceará, que contou sua história para o mundo.    

Força feminina 

Cacique Pequena guia o povo em grandes batalhas pelo direito à terra, educação, saúde e cidadania. Uma das principais lutas vencidas pela Cacique foi tornar as 129 famílias do povo Jenipapo-Kanindé reconhecidas pela Funai como indígenas. “Em 1995, fui à Brasília e tive a oportunidade de conversar com o presidente da Funai. Pedi que mandasse o povo dele na aldeia para fazer o estudo da nossa mãe-terra e de nós”. Dois anos depois vieram os antropólogos que concluíram: “Nós era índio sim!”, diz ela. 

Durante 12 anos, Pequena acompanhou o processo das terras, delimitadas em 1999 e demarcadas em 2011. Também fazem parte da trajetória da primeira Cacique mulher, a busca para que os nativos da aldeia pudessem conquistar seus direitos. “Por aí afora, fui atrás de vários projetos para acontecer as coisas dentro da aldeia. Hoje tem colégio indígena dentro da aldeia, tem posto de saúde, CRAS, museu, casa de farinha e uma pequena pousadinha que nós temos para oferecer alimentação aos turistas quando vêm. ” 

O pioneirismo da primeira Cacique segue inspirando outras mulheres que enxergam em Pequena a possibilidade de fazer a diferença, quebrando tabus e paradigmas. No processo de sucessão da aldeia, entre 16 filhos, o legado de Cacique Pequena vai ter continuidade nas gerações futuras a partir de duas filhas, escolhidas pela comunidade.  

Saiba mais sobre a campanha: https://about.google/stories/trailblazing-women-in-history/#goo-gle 

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