Conheça mulheres que estão mudando empresas com seus posicionamentos e narrativas

A presença de líderes femininas tem ganhado abertura no país em curtos passos, porém, o impacto nas empresas tem sido grande com a implementação de novas estratégias daquelas que chegam aos cargos de liderança. É fundamental pontuar ainda que a busca pela igualdade de gênero e empoderamento feminino é pauta da ONU em seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e as conquistas são visíveis conforme a proposta avança. 

De acordo com a CEO da Eureca, consultoria que conecta jovens ao mercado de trabalho, Carolina Utimura, a visão feminina deixou de ser interligada apenas à sensibilidade da mulher e passou a ser conectada às suas pluralidades. “Está mais do que provado, por diversos estudos, que empresas lideradas por mulheres de diferentes perfis têm mais resultados financeiros a médio e longo prazo. O que não está apenas na visão feminina, mas nas visões diversas de como resolver um mesmo problema, o importante é usarmos nossa autenticidade. Não precisamos ser um único perfil e está tudo bem”. 

Carolina ainda revela que o seu jeito de administrar é mais pragmático, já Stephanie Crispino, CEO da Tribo Global, consultoria na área de cultura organizacional e desenvolvimento humano, conta que lidera com mais foco no acolhimento; e isso faz com que ela também reconheça a necessidade de união da energia tanto feminina quanto masculina que existem em todas as pessoas. “Vejo que a energia masculina apoia muito, inclusive complementando a energia feminina, por exemplo: no cuidado com o time, valor feminino, busco formas de também alinhar as pessoas para compreender as diretrizes que estamos seguindo, aproveitando a assertividade, valor masculino. Quando consigo fazer isso, crio um espaço mais próspero”. 

Implementação da liderança humanizada e voz às mulheres

A Tribo Global realizou em 2020 um trabalho abordando a presença das mulheres nas empresas, e para que ele se perpetue nas instituições comprometidas com a causa, é preciso que a cultura interna seja solidificada. “É importante que as mulheres de fato reconheçam a potência que podem causar no mercado. Essa busca demonstra que as empresas estão olhando isso e precisam trabalhar a cultura para que seja mais diversa e inclusiva, junto com a entrada das pessoas. Caso contrário, trarão as pessoas sem ter a cultura necessária para que isso se sustente”, explica Stephanie.

Este tipo de proposta colabora para a autoconfiança feminina no ambiente de trabalho, mas para isso acontecer, muitos paradigmas são quebrados, principalmente quando se trata de um cargo de liderança. “Sempre tive um perfil de exigência e toda exigência que fazemos pra fora tem o dobro pra si, fomos educadas a buscar uma espécie de perfeição. Hoje eu quero me ver corajosa, independente dos erros. Olhar para as coisas e assumir riscos inteligentes, falar abertamente sobre os erros têm um ponto vital para se permitir errar e assim permitir que as pessoas errem também. É muito confortável estarmos em silêncio com medo de falar algo, prefiro errar do que o conforto”, conta Carolina. 

Ainda, a CEO da Eureca lembra que a representatividade nos níveis de uma empresa é reflexo da que acontece na liderança delas, e esse é um desafio a ser percorrido. “Como colocar um time diverso na base se não olhamos a liderança? Isso não é inclusão. Eu preciso fazer com que todas as pessoas tenham opção de competir por espaços. Quanto mais diversidade, mais diversidade”. 

A diversidade acontece a partir da liderança humanizada, e, segundo Stephanie, ela entra em vigor à medida que se olha para “quem” se empreende com consciência. “Empreender é não só o que farei, mas a forma como farei, para quem estou olhando quando estou empreendendo e como estou entregando valor para essas diferentes pessoas envolvidas no negócio desde o time, aos clientes, fornecedores, parceiros e comunidade”, finaliza a CEO da Tribo Global.

O foco das CEOs não se trata apenas de um posicionamento humano para a melhoria das empresas, mas de identificação no mercado de trabalho para as futuras gerações. “Ocupar esses espaços em que somos representadas tem a ver com facilitar o acesso para quem virá. Que consigamos cada vez mais ser gratas pelas nossas ancestralidades, que foram mulheres que lutaram para o que temos hoje e colaboram para a forma com que projetamos o futuro. Esse é só o começo”, finaliza Carolina. 

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