A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 23.03): O mundo real e o mundo ideal

  • O Governo do Ceará vai comprar 250 mil botijões de gás de cozinha e distribui-los a famílias economicamente vulneráveis. Assim, repetirá ação bem-sucedida de 2020. A ideia é boa? É, diante da emergência que se vive. É ideal? Não, pelo menos num mundo menos injusto, no qual as famílias não dependeriam do Poder Público para dispor de um bem essencial – havendo ou não pandemia. Ao contrário, teriam como se sustentar de forma independente e poderiam arcar com compromissos e despesas para se manter. Numa cena justa, poderiam ter acesso a programas assistenciais extras mais amplos, bancados pelos impostos que pagam regular e inapelavelmente, que assegurassem dignidade e justiça social – ou, de modo bem objetivo, do gás à vacina. É isso o que se tem visto em países cujos governos se postaram responsavelmente em políticas que visassem a atenuar os gravíssimos efeitos do coronavírus. É óbvio que o Brasil se encontra numa situação extrema, mas deve-se levar em conta que há gente disposta – muito disposta – a passar rasteira nos direitos e na vida.

Com todo o gás
Palavras do governador Camilo Santana (PT): “O Estado vai enviar para cada município os cupons de vale-gás, para que cada cidade entregue às famílias cadastradas nos programas sociais. Essa ação só foi possível com a repetição da parceria da empresa cearense Nacional Gás Butano, que vai fornecer o produto a preço de custo, com a distribuição aos municípios de 7 a 9 de abril”.

300 mil mortes
O dia de amanhã tende a engolfar uma marca histórica na mais trágica de todas as que essa Nação teve de registrar. É quando o Brasil deve ultrapassar a fronteira dos 300 mil óbitos pela covid-19. Em sentido oposto ao de necessárias e indispensáveis medidas que contenham a brutalidade da doença, temos um presidente que ataca a memória dos mortos e humilha suas famílias. Essa frase é emblemática sobre o nível rastejante do pensamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, que se especializou em espantar o mundo inteiro com deboches e grosserias: “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas! Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás”.

Contra o corte
E levam a assinatura do deputado federal cearense Eduardo Bismarck (PDT) duas emendas à Medida Provisória que instituiu o auxílio emergencial de 2021. Bismarck diz que o objetivo é o de defender a manutenção do valor do benefício, se posicionando contra o corte profundo que o governo de Jair Bolsonaro deu no programa – a prorrogação do pagamento levou metade do apoio dado a autônomos que, em razão da pandemia, tiveram perdas graves nas finanças. O parlamentar acrescenta que as propostas pretendem, ainda, dar maior suporte aos trabalhadores de regiões que tiveram lockdown decretado em função das medidas de combate à covid-19.

Acréscimo
Numa das emendas, Bismarck propõe a instituição de auxílio emergencial complementar no valor que atingirá R$ 600 aos trabalhadores nos locais onde há atos administrativos de isolamento social rígido (lockdown). Na outra, trata da manutenção do pagamento de R$ 600 a beneficiários do auxílio emergencial, nos moldes das três primeiras parcelas de 2020.

Cultura
A vereadora Larissa Gaspar (PT) apresentou à Câmara de Fortaleza projeto para que a Prefeitura dê conta da documentação e do registro da produção do conhecimento das matrizes culturais e artísticas afro-brasileira e indígenas. Se a proposta passar e ganhar forma no Executivo, há de ser um caminho justo para o reconhecimento da diversidade étnica local. E para a justiça social.

Na ponta da agulha
Por falar em Larissa Gaspar, vale lembrar que é da vereadora petista matéria que propõe à Prefeitura a inclusão de cuidadores de idosos entre os profissionais prioritários na vacinação contra a covid-19.

“Assesso”
Estamos completamente ferrados. Abaixo, um diálogo tratado entre duas sumidades da inteligência brasileira: Mário Frias e Eduardo Bolsonaro.

Coluna da Hora
Às terças-feiras, sempre a partir das 18h, tenho feito lives no Instagram com a marca “Coluna da Hora”. As conversas duram cerca de uma hora e o internauta pode acessar e participar pelo perfil @robertoamaciel. Meu encontro de hoje será com o jornalista Eliomar de Lima (abaixo), tratando de temas do Jornalismo em tempos de pandemia.

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