Empreendedorismo social: por quê precisamos falar disso no enfrentamento à pandemia

Especialista em educação executiva e sustentabilidade, Maria Flávia Bastos comanda a palestra Desafios do Empreendedorismo Social durante a Pandemia, em 31/03, às 17h, com transmissão no canal youtube.com/bancodobrasil. Convidada da programação de março do Espaço Conceito Banco do Brasil RJ, ela aprofundará o tema, mostrando como o setor traz soluções de desenvolvimento sustentável com potencial para superar os desafios deste novo tempo.

 “Essa palestra é fruto do meu destemor sobre minhas perspectivas e estudos acerca de cooperação e uma economia baseada no afeto: na afeição e no afetar-se. Na possibilidade de ainda fazermos alguma coisa pela nossa humanidade, tão adoentada, mas tão sedenta de algo que a valha, de algo que a faça resistir, para, de pois, respirar. E, em seguida, reerguer-se e, por fim, quem sabe, voltar a desejar e sonhar com o novo que há de vir”, observa Maria Flávia.

Segundo a especialista, empreendedorismo social equivale à capacidade de uma empresa ter, simultaneamente, “uma alma social em um corpo de negócio”. Essa área se consolidou no que já foi chamado de “setor dois e meio”, pois não se enquadrava no primeiro setor (âmbito privado) e nem no terceiro setor (instituições como as ONGs, por exemplo).

“Essas empresas têm atividades econômicas privadas, mas caracterizadas principalmente por seus objetivos ou compromisso em responder às necessidades de um grupo social ou uma comunidade. Não chegam a ser ONGs, que, em princípio, eram as protagonistas na lógica do trabalho social, mas também não são empresas estritamente privadas, que trabalham nos moldes hierárquicos e com dividendos, num ramo mais tradicional e conservador do mercado”, pontua.

No Brasil, os campos em que o empreendedorismo social se faz mais presente são a educação, meio ambiente, saúde e acessibilidade. Maria Flávia indica que essa é uma nova economia a ser exercida globalmente e em rede: “É preciso que se mude a maneira de pensar, de agir, de se afetar com o mundo em que vivemos. Não basta ser novo, ter uma ideia inovadora, se não há um entendimento de que se faz parte – dos ganhos e das perdas – deste nosso mundo. Então, uma nova economia (e uma nova sociedade) terá que acreditar nas conexões de maneira cooperativa, no respeito às comunidades e ao planeta”.

O perfil desses empreendedores é pautado na inovação com criatividade, persistência, ousadia e dinamismo. Assim é preciso aliar o novo com a mudança, desenvolvimento social e sustentabilidade, o que Flávia Bastos chama de “negócio com causa”. Segundo ela essa prática tem transformado a vida de muitas comunidades mundo afora.

Se o cenário econômico anterior do país já indicava a necessidade de um ramo voltado para o desenvolvimento sustentável, a crise financeira decorrente da pandemia agravou a situação. De acordo com a especialista: “Vivemos, sobretudo, em um país muito desigual. Para além dessa perversa distribuição de renda, somam-se problemas de educação, infraestrutura – há comunidades que ainda vivem sem saneamento básico –, saúde e habitação. Então, o surgimento de negócios que possam mudar ou amenizar esse quadro, oferecendo soluções inovadoras para a resolução de problemas sociais, é intrigante e necessário”.

Crise agravou desafios na área

Tornar o ideal em realidade no contexto de crise socioeconômica não é fácil. Uma pesquisa realizada pela Pipe.social (instituto brasileiro de estudos de negócios de impacto socioambiental) aponta que a gestão financeira dos negócios continua sendo o maior desafio para os empresários.

Dos 60 empreendedores ouvidos pelo levantamento, 63,5% apontam a “Venda do produto ou serviço para o cliente” como o principal obstáculo, seguido de “Continuidade de produção do produto” (30,9%), “Recebimento do pagamento de clientes (29,1%), pagamento de funcionários e colaboradores (23,6%) e pagamento de fornecedores (12,7%)”, respectivamente.

Para driblar o cenário, 50% desses profissionais reduziu contas não essenciais, 33,3% cancelou ou mudou os planos de expansão e 26% criou formas de monetização dos seus produtos e serviços.

Sinopse da palestra Desafios do Empreendedorismo Social durante a Pandemia

Desigualdade, doenças emocionais, desmatamento. Resolver ou amenizar problemas dessa natureza sempre foi o foco dos empreendedores sociais, mas, com a pandemia, entendeu-se que esses problemas são nossos: empresas, sociedade e governo. Movimentos globais baseados nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) apontam para a necessidade de não voltarmos ao nosso normal, mas juntos ponderarmos novas maneiras de pensar o desenvolvimento econômico. Nesta palestra, Maria Flávia Bastos discutirá a importância de uma economia baseada no afeto, tendo o afeto os sentidos da afeição e do afetar-se com os tantos problemas que temos a resolver.

Maria Flávia Bastos é especialista em Negócios de Impacto, Sustentabilidade, Educação Executiva, escritora e professora da Fundação Dom Cabral e PUC-RS. Sua abordagem singular propõe novos olhares sobre os conceitos que sustentam ações dentro da realidade empresarial.

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