Quando o trabalho remoto é fonte de problemas físicos e mentais

Se, por um lado, o home office é oferecido como opção a parte dos trabalhadores para se protegerem da covid-19 e tem suas vantagens, a falta de divisão entre o espaço de moradia e o de trabalho também tem causado uma série de problemas de saúde física e mental a funcionárias e funcionários. Segundo pesquisa do Instituto de Administração, o home office foi adotado por cerca de 46% das empresas durante a pandemia.

“Dormir no escritório” tem causado o que os psicólogos chamam de burnout nos trabalhadores, uma exaustão intensa ocasionada pela falta de limites entre vida pessoal e profissional. “Há muitas doenças ligadas ao trabalho. Em atendimentos, questionam: eu adoeci por causa do meu trabalho ou foram questões pessoais? Mas quando se estuda a relação (até polêmica) entre trabalho e o adoecimento mental, vê-se que essa separação não existe”, explica a psicóloga do trabalho Fernanda Sousa Duarte.

Enquanto o regime de teletrabalho gerou uma economia de cerca de 1 bilhão de reais em cinco meses para o Estado, quem paga uma conta alta com sua saúde mental é o trabalhador. Os sintomas e os fatores envolvidos nesses adoecimentos são variados e têm implicações profundas. 

Outro fator que ameaça a saúde mental do trabalhador em tempos de pandemia é o medo da demissão e da dificuldade de uma possível reinserção em um mercado. Acuado, o funcionário ou a funcionária não vê saída a não ser se sacrificar para entregar os resultados cobrados e, assim, não perder seu trabalho. Uma categoria que sofre duplamente essas pressões são as mães, cujas jornadas se dividem entre o labor e o cuidado com a casa e os filhos.

Culpa institucionalizada

A culpa materna parece se estender a uma parcela maior dos trabalhadores. Esse sentimento é institucionalizado por falas do presidente Jair Bolsonaro que jogam sobre os ombros dos próprios trabalhadores a responsabilidade pelo desemprego. Como na entrevista de 5 de janeiro deste ano, em que o chefe do Executivo afirma que a razão do desemprego seria a falta de capacitação das pessoas para o mercado.

Em vez de jogar em cima dos trabalhadores a carga mental da falta de empregos, o governo federal poderia se concentrar em aumentar a ajuda a essas pessoas, por meio da manutenção do auxílio emergencial, por exemplo. A desculpa de falta de verbas vai abaixo quando pensamos nos 15 milhões gastos em leite condensado.

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