O antagonismo da tecnologia no mercado financeiro

Artigo de Luiz Fernando Schvartzman, CEO da Vista Fintech:

A tecnologia não é mais o privilégio de alguns, mas a necessidade de todos. Desde o pequeno mercadinho do bairro, com um sistema para controle de estoque, caixa e pagamento, até na fazenda com modernos aplicativos e sistemas para entender sobre chuvas, plantações, pragas e remédios,  ninguém mais está alheio à tecnologia. Tudo isso abriu um mundo de oportunidades. 

Todos os antigos negócios, setores e empresas podem ser “recriadas” utilizando tecnologia. Seja mudando processos, incluindo facilidades para seus clientes ou até mesmo na oferta de novos produtos e serviços. Mas tudo isso tem seus pontos positivos e negativos. Praticamente, de alguma forma, todos os mercados estão sob influência da tecnologia e o financeiro não é diferente. 

Recentemente, o Banco Central instituiu o PIX, que permite transações instantâneas e imediatas de forma muito simples. Ainda assim demorou. Até pouco tempo atrás (menos de um ano) não era possível fazer uma transferência online depois das 18h, teria que ser programado para o dia seguinte. Ora, mas se é online, será que os robôs dos bancos estão descansando neste horário? Não fazia muito sentido!

Os aplicativos e o internet banking evoluíram muito, possibilitando aos usuários realizar diversas atividades sem precisar comparecer às agências conversar com seu gerente e ter mais clareza sobre suas informações financeiras. Mas, por outro lado, o excesso de liberdade e pesos diferentes podem levar o consumidor a um caminho prejudicial. 

É muito fácil tomar crédito, mas difícil saber se realmente era necessário. É muito simples cair no cheque especial e contrair altas dívidas, basta gastar mais do que seu saldo. Porém, existem poucos mecanismos para ajudar a sair das dívidas. Investir tem sido cada vez mais fácil, entretanto, entender as taxas e resgatar um investimento ou uma previdência privada nem sempre é tão simples.

Se, por um lado, a tecnologia facilitou os trâmites de diversas atividades corriqueiras, por outro, estimulou o descontrole e consumo por impulso. Muitas empresas utilizam de artimanhas tecnológicas para induzir seus clientes a tomar decisões que beneficiam a empresa, indo, inclusive, na direção contrária ao que realmente seja bom para o cliente.

O Open Banking é um enorme passo na qualidade e justiça aos clientes. Afinal, a iniciativa permitirá o compartilhamento de dados e serviços de clientes entre instituições financeiras com a permissão e consentimento do mesmo. Desta forma, as instituições financeiras terão que ser mais justas e honestas, pois os clientes poderão buscar novas informações e decisões mais assertivas, privilegiando a concorrência e, sobretudo, o benefício do cliente.

Poucas empresas têm a coragem de ser claras e oferecer a mesma oportunidade para o cliente dizer sim ou não. Mas isso está mudando e o Open Banking vai tornar isso ainda mais necessário. A tecnologia deve ser justa e benéfica para todos. Diante deste cenário, as fintechs têm sido grandes aliadas para ajudar todas as demandas do mercado. Cada uma com a sua demanda, facilidade, tecnologia e objetivo.

O mercado está em constante evolução, assim como o ser humano, por isso, é importante entender e buscar soluções que façam sentido de acordo com a sua necessidade e finalidade. 

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